terça-feira, janeiro 25, 2011

O País das "marquises"





Imagem do Kaos


Pronto, como dizia o outro, depois de pendurado três dias numa feia de uma cruz, sem tomar banho, nem pôr desodorisante, "está consumado": os culpados foram colocados no lugar das respetivas culpas, e esta porcaria pode retomar a sua longa caminhada em direção ao "Pügrèsso", iniciada em 1985.

Nos escassos anos de democracia, já me tinha acontecido, e saudavelmente, ir às urnas votar contra alguém, e fi-lo muitas vezes, talvez a mais saborosa, contra a Carrilha, quando "ela" se andava a abalançar à Câmara de Lisboa, e ainda não a sonhar com ser o próximo manuel alegre de 2016, se lá chegarmos, mas nunca me tinha sucedido ir ter de votar contra quase todos os candidatos.

Os grandes vencedores da noite são, suponho que por consenso, o coelho da madeira, que vai fazer a vida negra ao alberto joão, nos próximos tempos, e isso é fantástico, porque me faz sempre lembrar aquelas lutas das mulheres na lama, e eu adoro chiqueiradas, senão, não tinha nascido português; o do PCP, que tem sempre uma "vitória moral", nunca se percebe por quê, por que arrecada sempre menos votos do que o pleno do partido, 50 000 enfermeiras a masturbarem-se, em direto, para fernando nobre, o alegre que se segue, e os comprimidos do professor lobo antunes, que já deram a volta ao mundo e ao tempo.
Pensando no caso de manoel de oliveira, acho que esses miraculosos comprimidos, ou "pastilhas", como se diz no sotaque de boliqueime, nos poderão assegurar um feliz sexto, sétimo e oitavos mandatos presidenciais, de qualquer múmia que lá se ponha. Quando crescem as exportações no "off-shore" da madeira, através da Wainfleet, a maior exportadora portuguesa, de papéis fantasma, da mafia russa, grande parte dessas exportações reais são, suponho, para manter vivo fidel castro, e, creio, ratzinger, o mais velho ayatollah ainda em exercício no hemisfério ocidental, Corre por aí, que, quando deixar de os pagar, como deixou de pagar os sapatinhos prada, o senhor, ou o espírito santo, ricardo salgado, o levarão para junto de si. Sempre diminuíam as emissões de co2, entre outras benesses.

Parece que o dia mais deprimente do ano é o dia 24 de janeiro: nós, como sempre fomos mais avançados nas coisas más, preferimos, para antecipar, o dia 23.

Ontem, dia 23, e regressando aquele epifenómeno a que chamaram "presidenciais", conseguimos uma coisa miraculosa, que já não se via desde a cova da iria e a cura milagrosa dos hemofílicos de leonor beleza, que foi juntar as causas naturais aos milagres da fé, e vamos já às causas naturais.

As causas naturais, de 23 de janeiro de 2011 resumem-se a que portugal, nação anexa das españas, e na eminência de entrar na tutela do fmi, conseguiu organizar um evento de cariz eleitoral, com o elenco da liga do últimos, uma superprodução de lix..., perdão, de luxo, que foi desde os candidatos aos eleitores, passando pelos engasganços dos meios de votação. A coisa foi bonita, cívica, "glamourosa", como diria aquele sacarolhas chamado zezé castelbranco, e acabou à altura dos intervenientes, com o milagre da fé de se ver uma criatura, em estado lastimável de saúde física e mental, conseguir reunir contra si 75% (!) da população do retângulo, e ainda aparecer ao lado de uma aparição de azul petróleo, embevecida, com o marido poder ir voltar a ocupar os jardins das tangerineiras de belém. Eu próprio, que só consigo chorar quando a traviata está a fingir que morre, comovi-me, e, enquanto andava pelo "facebook" a provocar as amigas, e deitava o rabinho do olho para a deprimência do que se passava nas televisões, abençoado por ratzinger, por ter sido ali que carlos castro conheceu o mandatário para a juventude de cavaco silva, chorei, porque maria de boliqueime fez o último grande papel da sua vida, a ver se os comprimidos do professor lobo antunes não se iam abaixo, antes do marido voltar a sair da marquise de belém , para a marquise do possollo, mas vou deixar as marquises para depois, porque ainda tenho de prolongar um bocadinho mais esta introdução.

Como comecei por dizer, o vergonhoso número de teatro de revista de 23 de janeiro colocou todos os culpados perante as respetivas culpas, e escreveu-lhes importantes linhas biográficas. A primeira, talvez a mais lapidar de todas, foi ter associado o nome do senhor alegre, de águeda, à eleição de um morto político, cavaco silva, por duas vezes, uma, em 2005, a segunda, em 2011, e para um cargo que conseguirá, assim o esperamos, levar ao extremo do desprestígio, no prazo máximo de cinco anos. Compete ao senhor alegre, portanto, desaparecer agora de cena para sempre, ou ir para túnis, montar uma rádio própria, de onde poderá acompanhar como uma revolução de jasmim corre o risco de nos pôr um irão a hora e meia de voo de lisboa, e me impedir, grossa chatice, de ir lá comprar tapetes dos anos 40, à medina de Sousse. Já agora, pode levar com ele o bloco de vampiros de esquerda, que é melhor continuarem a sonhar com coligações ao nível dos zés que fazem falta do que com ministérios da cultura, do turismo,  e varandas afins.

O segundo carinho vai para o sr. aníbal, um homem honesto, que tentou rebobinar a história, mas se vai sair muito mal, porque, em redor de homens honestos não podem existir dias loureiros, oliveiras e costas nem leonores belezas, como salazar muito bem sabia. Há, em contrapartida, um povo, ou melhor, uma sombra com o peso de 75% da população, que lhe disse, expressamente, que, mais tarde ou mais cedo, vai ter de explicar por que é que nós, país pobre e de população degradada, temos de estar a pagar milhares de milhares de milhões, por causa de uma banca de lavagem de dinheiro, que suponho que nem ao sr. madoff, condenado a meio milénio de prisão, terá lembrado na américa.
Não quis explicar durante a campanha, pois que mande agora num papelinho escrito, como aquele que carlos cruz mandou ao "bibi", a lembrar-lhe que não se conheciam.
A maria até pode lê-lo em público, e dizer que dias loureiro nunca foi vizinho de cavaco, nem ministro, nem guardião das ações e das poupanças do saloio da coelha e da saloia da patrícia, nem sequer conselheiro de estado, e ainda menos exilado de cabo verde, paraíso da pedofilia.

O sr. aníbal pensa que, dia 23, recuperou aqueles 10 anitos do antigo regime, que uns gajos com cravos e tanques obrigaram a interromper, quando ele tinha uma prateleirita tão bem assegurada no seguimento do "antigamente", como outros que tais, que depois até deram dignamente a volta ao filme, como freitas do amaral, sá carneiro, ou marcelo rebelo de sousa, de entre alguns que agora me vieram ao correr do teclado. Ao contrário dos anteriores, o mendicante de boliqueime insiste em ignorar que existiram, para o bem ou para o mal, 11 anos, entre 1974 e 1985, que mudaram, para sempre o decurso da história de portugal, tornando obsoletas coisas que se lhe escapam, nos intervalos dos perdigotos e das semividas dos comprimidos do professor lobo antunes, como as assembleias "nacionais" (?), os dias da "pátria" (?) e as pensões do "pides".

Matematicamente falando, e isso é bom, porque a matemática é canónica, nós, portugueses, os tais da zona que consideram o sr. aníbal um cancro da democracia, ficámos, agora, com um dos maiores trunfos da nossa vida, porque assim como alegre vai desaparecer em duas semanas, uma coisa passámos a ter como certa: o prazo máximo para aguentar aquela assombração de boliqueime, vergonha do nosso rosto internacional, são 5 anos, sim, só 5 anos, com fortes probabilidades de que a doença -- e não se deseja mal a ninguém, mas também se aceita, se vier de boa vontade... -- até nos antecipe esse dia em dois ou três anos. É justo, até por que, com o aumento da esperança de vida, ainda temos muito tempo para restaurar a fachada da democracia, arejar-lhe os cantos, e deixar que venha algo de novo. Obviamente que não a Carrilha, por mais esperançada que esteja nisso.

A seu modo, e por mais extraordinário que isto possa parecer, o sr. sócrates, que tanto nos aldrabou, mas tem revelado, nos últimos tempos uma brilhante capacidade de patriotismo e malabarismo, ao tentar fazer com que portugal mantenha a cabeça de fora, pelo menos no setor terciário, depois de, durante 20 anos de persistência, o sr. aníbal e o seu gang de criminosos, nos ter destruído e vendido os setores primário e secundário, acaba por receber um inesperado balão de oxigénio. Pode ser que esta ansiedade de legislativas antecipadas lhe traga uma surpresa, daquela franja de 75% que VETOU cavaco silva. Vai ser o maravilhoso espetáculo dos próximos tempos, embora creio que o sr. aníbal e a sua ridícula maria só demasiado tarde venham a perceber o que lhes está a acontecer.

Queria terminar, como prometido, com as "marquises". Quando há crises, no reino unido, vêem-se baterias de câmaras paradas defronte de um prédio simpático, eduardiano -- não posso assegurar, mas isso é irrelevante para o discurso... -- à espera de fumo branco; os franceses preferem apontar as objetivas para Matignon ou o Eliseu, nós, dia 23, assistimos ao episódio mais deprimente das nossas existências, que foi ver as câmaras das televisões apontada para uma "marquise" de classe média baixa, cheia de manchas de umidade, onde o poder daquele casal, chegado ao topo da base, estava a encenar um "frisson" político, ao nível as expectativas do defunto "fontória", quando a mão da stripper sexagenária fazia tremer a cortina vermelha, a anunciar que ia entrar em cena. Os jornalistas, cujo sentido crítico se tem vindo a degradar, como o restante do país, entraram nas minúcias de analisar as oscilações quânticas do "estore", outra das categorias aristotélicas, muito ao gosto desta nossa brandoa generalizada, e a tentar perceber como é que o futuro da bancarrota, do fmi, e dos custos dos calotes do bpn, se resumiam, ali, em flashs de máquinas da patrícia, do bruno e da perpétua, ao som de grande amadora.

Suponho que este patamar das "marquises" seja tudo o que o patético casal de boliqueime tenha para propor, como programa existencial, a um país, como o nosso, no extremo limiar da angústia.
Só lhes fica bem, a eles e a nós, que neles não votámos.

Corações ao alto :-)


(afinal o quinteto era de "marquises", no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino" e no infatigável, e insubstituível, "The Braganza Mothers")

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