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domingo, maio 15, 2011

12 de Março... 15 de Maio... datas não interessam.

(foto- M- Alegria, 12-Março-2011)




Retomando o tema dos protestos de cidadãos nesta época de crise, em Portugal, especialmente o de 12 de Março em várias cidades do País(prometi que a ele voltaria), assinalamos aqui o do passado Domingo, dia 15 de Maio, este seguindo um apelo de várias cidades da Europa e também da América Latina.
Os povos começam a ver, cada vez mais, os seus direitos de cidadania a serem truncados. Até mesmo o pequeno poder que lhes restava, o do voto, se tornou agora alvo de uma quase chantagem e até farsa, perante eleições de opereta que se sabem não decidir quem nos vai gerir (que é o famoso "memorando da Troika") mas quais os próximos figurões políticos que vão dividir as migalhas dos poderzinhos que sobram.


As manifestações deste dia 15 (que ainda se prolongaram e Madrid e outras cidades espanholas) tinham por lema "A rua é nossa", lembrando que quem "manda" no mundo, no fundo está muito mais dependente dos milhões de pessoas/cidadãos que tentam ignorar, do que o contrário. Resta aos cidadãos tomarem plena consciência disso, em vez de continuar a sentirem-se encurralados numa democracia de papelão.


Um dos aspectos mais curiosos da manif da(s) Geração/ões à Rasca do dia 12 de Março passado, e que a foto acima ilustra bem,foi ver a discreta mas firme adesão das pessoas.
A cidade do Porto, por exemplo, parecia tranquila, em mais uma tarde nublada de sábado, mas nos transportes viam-se pessoas, em silêncio e discrição, apenas de mãos nos bolsos, como quem se deslocava para algo de diferente que não trabalho ou compras.


Na praça da Batalha, como aqui vemos, os organizadores distribuiam-se pela escadaria, os OCSocial preparavam placidamente as suas máquinas e dezenas de pessoas sentavam-se pelos muretes da praça, ou "assobiavam para o ar", à espera de algo, num aproximar de início tímido. Pareciam etar ali, "como quem não quer a coisa", como quem aguarda por qualquer concerto popular de rua, em tarde de férias.


Nas ruas em volta, 31 de Janeiro, Santa Catarina, outros fingiam contemplar as promoções tardias nas montras, em pequenos grupos. Assim que começaram a ver que o protesto sempre era real e ia em frente, depressa se aproximaram e a praça não chegou para todos e foi o que depois se viu. 80 mil. E numa demonstração de respeito, solidariedade e civismo como é apanágio das gentes do Porto e arredores, por pior fama que lhes ponham a propósito de futebóis.



Pois esta gente não brinca. É simples, mas séria e comprometida, quando vê que a causa merece. Demora por vezes a reagir, mas foi dela que tantas vezes, ao longo da História, partiram as iniciativas decisivas. Pois as gentes do Porto são fiáveis e puras,sem dupla face, desafiando o "cinzentismo" que tantas vezes lhes querem colar.


Acorda, Portugal! Acorda, Mundo!



"Alergia"

segunda-feira, abril 25, 2011

Um cidadão por completar (Protesto Geração à Rasca)

(foto: M. Alegria,12-3-2011)


De entre os momentos curiosos no Protesto da Geração à Rasca de 12 de Março,no Porto, (já aqui analisado em diversos posts, de que este não será o último, pois é preciso revivê-lo sempre!) saliento ainda a presença de duas figuras estranhas.
Após a concentração na P. da Batalha e os depoimentos, a marcha iniciou-se. Algumas pessoas ( de um grupo de artistas de rua? de teatro? escultores?) destacaram-se no desfile , ao carregarem consigo duas personagens insólitas: eram dois "balões" artesanais de formato humano. Feitos de plástico(?) transparente, com reflexos prateados, plenos de ar. Um deles parecia meditar, outro tinha os braços lançados em frente, como quem oferece as mãos ao trabalho.


Não cheguei a saber o que simbolizavam e da multidão saiam várias interpretações. Seriam símbolo dos desempregados? da precariedade? do Homem que quer trabalhar e não deixam? Seria o "Pensador"?


Muitos comentavam, a propósito daquele desfile de inesperados 80 mil participantes, que o ambiente que se vivia naquela manifestação lembrava um novo 25 de Abril de 74, ou as comemorações do 1 de Maio do mesmo ano.


Aqueles "homens transparentes" do cimo dos seus mastros, talvez simbolizem afinal o CIDADÃO que renasce para o seu país, mais consciente dos Direitos conquistados desde a Revolução dos cravos, direitos que lhe querem roubar.O cidadão cansado de ser ignorado e de se sentir "vazio" pela desvalorização que sofreu.
Hoje, 37 anos passados sobre a revolução de Abril, não podemos deixar que esse progressivo esvaziamento continue. Temos de reagir e continuar a resistir de todas as formas, sobretudo fazendo um contínuo esforço para que esse "Cidadão" transparente (pois quase ignorado)-- e deixado quase apenas com a pele frágil da sua cidadania, por uma caterva de políticos e poderosos que só se lembram dele nas eleições-- se complete através da sua participação activa na sociedade, através da solidariedade atenta e através da recusa em se ver entalado em dívidas que ele próprio não contraíu.
25 de Abril, sempre!


Salvemos o "Homem transparente", o Cidadão que clama por ser completo.


"Alergia"


domingo, abril 17, 2011

Iniciativas- ainda o protesto da(s) Geração/ões à rasca

(foto- M. Alegria, 12-3-2011)

Continuando a relembrar o Protesto da "Geração à Rasca", no Porto. Não um simples recordar, mas, como já expliquei aqui, para manter viva essa "chama" de cidadania que se despoletou entre os cidadãos anónimos, nesse dia.

Entre muitas imagens marcantes, deixo-vos esta, de um cidadão que, de uma janela na Praça da Batalha, começou a mostrar em silêncio as mensagens que escrevera em simples folhas A4.

Após os testemunhos ao microfone, começara a marcha (inicialmente marcada para a pequena praça D. João I, mas depois alterada, a conselho das autoridades, para a Praça da Liberdade, dada a inesperada afluência de multidão).

E então surge este homem, a uma janela. Todas as cabeças se viram para o alto, para tentar descodificar o que estava escrito a esferográfica. Mais um gesto espontâneo. Mais alguém que tinha algo a dizer, algo que lhe apertava o coração.

Mais tarde, deparei com o mesmo concidadão já em plena praça da Liberdade, falei com ele, mostrou de perto os seus papéis, passou-os lentamente, um a um, para que o filmasse. Infelizmente o filme não ficou bem. Resta a foto...:(

O que diziam as folhas?

Simplesmente: "Portugueses"/ "Enganados"/ "Conformados".

Algo que o revoltava.

(explicou que haveria uma versão mais vernácula e menos politicamente correcta... :)))) Optara por estas palavras... e nós também!).

PORTUGUESES/ ENGANADOS/CONFORMADOS... aquilo que temos de deixar de ser... a bem do futuro como povo e país independente.

Pensem nisso, quando estiverem a passear neste belo dia de sol. Bom resto de domingo a todos!

"Alergia"

terça-feira, abril 12, 2011

Geração/ões à Rasca: afinal "contra" quem estão? -2

Contra os políticos "rasca"... ...contra um sistema "rasca"...
... contra financeiros, empresários e "boys"..."rasca".

(fotos- M. Alegria. 12-3-2011)
Para "comemorarmos" um mês passado sobre este marcante protesto em todo o país e como o post anterior sobre o tema já disse bastante, deixo aqui apenas três fotos a ilustrar a síntese das três motivações principais para que todos estes milhares de portugueses tivessem saído à rua. (Ver a reflexão completa AQUI). Assim:

- Protestavam contra a "Partidocracia" e a falta de qualidade dos políticos (classificados como "rasca") quer em Portugal, quer transnacionalmente, políticos sem fibra, sem sentido de Estado e a maioria das vezes corrompidos e/ou oportunistas;

- Protestavam contra a especulação bancária e do "jogo" da alta finança, que domina a verdadeira economia (e que deve ser baseada no bem estar dos povos e na produção);

- Protestavam contra os clientelismos vários, nomeadamente de várias empresas e pessoas que empobrecem o país , enquanto obtêm e monopolizam todos os contratos com o Estado, ou seja, contra a oligarquia e os nepotismos que não dão oportunidade a todos os portugueses.

domingo, abril 10, 2011

Geração/ões à rasca: afinal "contra" quem estão?-1


(fotos-M.Alegria, 12-3-2011, Porto)

Umas horas depois do protesto "Geração à Rasca", muitos comentadores, baseados em imagens filtradas pelas TVs, criticavam aquele movimento, por se ter revelado um protesto meramente anti-governo e...ufff.. (o nome da personagem ainda soa em verberação do tão gritado e alucinado congresso deste fim-de semana)... anti-Sócrates. Permitam-me discordar completamente. E passo a explicar.

Por um lado e essencialmente, quem esteve mesmo em qualquer das manifestações pelo país não terá notado essa insistência no Primeiro Ministro, embora até totalmente justificável. Os manifestantes demonstravam uma angústia para além de tudo isso e a maioria dos cartazes (de que os destas fotos serão das raras excepções) versavam os problemas que afectam os jovens de hoje e os portugueses em geral, que afligem os portugueses que nunca têm voz e também boa parte dos europeus e cidadãos do mundo abalados pela globalização, Eram cartazes sobre a precariedade e os falsos recibos verdes, os bolseiros e os estágios não remunerados, o capitalismo e a corrupção, os políticos sem qualidade e tachistas,a exploração do trabalho, o desemprego, a miséria, os pais que ainda têm de sustentar os filhos sem emprego, pais e filhos que não conseguem ter futuro e emigram... Era esse o desepero e a urgência em falar que brilhava nos olhos, a vontade de finalmente sair à rua em união e sem rotinas de partidos ou sindicatos.

Por outro lado,é evidente que é mais que natural que as pessoas destilem alguma da sua amargura para com a figura que tão omnipresente e sufocante se tornou no país,nos últimos seis anos, mas também em governo anterior como ministro, já aí visivelmente obstinado. Se o cavalheiro tão presente se quis para o País, como salvador, líder-mor do "patriotismo" e da "determinação", modelo de elegância e de atletismo, etc. , não pode agora queixar-se muito que se vire o feitiço contra o feiticeiro e se veja a descer com rapidez a ladeira da fama que tão depressa subiu, ainda para mais com tantas manchas indeléveis no seu passado.

Alguns disseram que era inútil esse alvo da manifestação, tendo em conta que o que( e quem) se prepara para alternativa não é melhor ; e que a crise é Europeia, não tem vilões específicos e por aí fora.

Claro que José Sócrates e Pedro P. Coelho são o que se chama "farinha do mesmo saco"( para já um ainda imaculado quanto à questão do mundo da corrupção e influências), porque provenientes da mesma fábrica de "cromos" políticos que nos andaram a impingir durante as décadas da democracia, para a nossa "caderneta" de "Portugal desenvolvido".

José Sócrates será apenas o mais recente e presente da colecção, o que nos últimos anos nos tem dado cabo da paciência, pois insiste em colar-se-nos aos dedos e aos bolsos.

PPC será a nova edição, revista e de impressão retocada. A mesma colecção ambos, apenas diferentes tipografias.

Foi contra esta tradição politiqueira aliada à especulação financeira e ao clientelismo económico,-- três factores que têm sugado cada vez mais depressa o país e que o tem deixado sem rumo, sem futuro-- que as pessoas sairam à rua nesse sábado: os cidadãos comuns fartos de serem roubados e sacrificados sem piedade, em contínuos anos de crise da qual não lhes apontam o fim.

Foi essa revolta e verdadeiro patriotismo (com o sentido de amor ao País) que vi dominar toda o protesto, todos os depoimentos das mais diversas pessoas, todos que desfilaram de forma ordeira e esperançosa, com um misto de ar grave e de felicidade nos olhos, por verem que afinal o país não está a dormir, que há motivações comuns nos que ali estavam, o sem abrigo ao lado da avó elegante, o humilde pensionista ao lado do estudante, o "gótico" ao lado do professor universitário, a criança aos ombros do adulto--não são floreados românticos, vi essa convivência no protesto.

Foi contra um certo estado de coisas e forma de gerir o país que se manifestavam. Os tais comentadores de bancada não entenderam. Alguns políticos pareciam ter entendido um pouco, mas depressa e de novo tudo esqueceram, entrando o país político de novo no circo da partidarite e da jogatina das listas de eleições, dos congressos de fachada, dos discursos inchados de ar bafiento, das idolatrias dos líderes deslumbrados, do desperdício de verbas públicas em foguetórios, mais influências e clientelas, mais promessas de tachos para uns e novo apertar de cinto para os mesmos, em suma, novo espremer do país até à última gota de dinheiro, de independência... de paciência.

E tudo isso é muito degradante. Por isso, não deixaremos esquecer estes protestos, teimando em que possam dar frutos, quanto mais não seja para que o país não continue a entregar o seu Futuro a pessoas sem escrúpulos e a sistemas falidos e estúpidos. Para que o povo não se abstenha do seu querer, não abdique do seu poder, que é maior do que pensa. Vimos isso escrito, por momentos,nas caras de espanto dos observadores e comentadores, no passado dia 12 de Março de 2011. Depois, disfarçaram e especularam...

"Alergia"

sábado, abril 09, 2011

Geração/ões à Rasca- Porto - uma amostra de cartazes artesanais

eram de todas as gerações...
...trouxeram versos, angústias mas também sorrisos..prepararam em casa os protestos e mostraram-no com orgulho às câmaras...

... e todos queriam dizer alguma coisa, ditando ideias para mais cartazes improvisados.

Mais um post a recordar o Protesto "Geração à Rasca" (Porto, neste caso), que fez agora quatro semanas, quase um mês inteiro. Hoje sem muitas palavras. Os rostos e gestos falam por si. Para não esquecer o momento, mas não deixar cair a Esperança que então brilhou. No dizer de alguém na multidão, "Deviam fazer isto mais vezes! Todas as semana, ou todos os meses! Até que esses políticos ouçam a gente!".

(Parece que afinal não ouviram muito bem... continua tudo ao mesmo estilo "politiquês" de rebanho e manobras de manual...:-/ )

(continuaremos pois... e este tema também continuará por aqui).

(fotos- M. Alegria 12-3-2011).

sábado, março 12, 2011

Dedicado à criação artística em Coimbra e não só

Foto Marg. Az | D.R.

Peço desculpa pela tendência desordenada e meia virada para a cidade de Coimbra mas ... é a minha primeira manif na cidade que me viu nascer e crescer (uiiiiiii) 
LOL
Prometo reorganizar (será isso possível?). Pelo menos, organizar fotos e clipes de vídeo que enviarei tb para os locais que estão a agregar estes registos.

sexta-feira, março 11, 2011

Desculpem lá qualquer coisinha ....

Este artigo versa sobre professores, bloggers e manifestações de amanhã. Pessoalmente, alinho no Protesto da Geração À Rasca. Já não acredito nas manifestações dos Sindicatos ... Ouvi muitas vezes, com o chegar das 19h, por exemplo, alguém com um megafone a dizer para 'a malta' regressar aos autocarros... A festa acabou, pá ... E a tantos de nós, soube a pouco. E a coisa repetia-se e a outros alguns de nós parecia que o caminho não era este.

Servem estas palavras para dizer que a jornalista responsável por esta reportagem, Clara Viana, me contactou, muito amavelmente e que em desabafo lhe contei algumas coisas paralelas, nomeadamente o que me fizeram na escola onde 'sou efectiva' e também o que penso da maioria dos professores. Espero não ofender ninguém ... E se assim for ... só tenho é de lamentar.

O mais importante é que o Protesto, tal como parece ser sentido pelos seus autores, amigos e pessoas solidárias, tem voz e caras.

Um abraço e ... até amanhã



Os professores do ensino básico e secundário têm estado no olho do furacão, mais de 30 mil deles estão literalmente “à rasca” todos os anos. Professores contratados, anualmente à espera do último dia de Agosto para saber se e onde vão ser colocados. Um lugar significa para muitos estar dois dias depois ao serviço a muitos quilómetros de distância, em mais uma escola provisória. Onde vão estar amanhã? No Campo Pequeno com os sindicatos? Ou nos protestos da “Geração à Rasca”?
José, 31 anos, autor do blogue “Professores contratados”, anda há cerca de dez anos a “passear por Portugal”. Este ano foi colocado em Braga. Não tem dúvidas onde estará: “A minha escolha recai sobre o protesto da “Geração à Rasca” seja em Lisboa, Porto ou em qualquer lugar”. É uma escolha por identificação e rejeição.

Identificação porque os promotores dos protestos independentes de hoje têm “frustrações semelhantes” às dos professores contratados: “A frustração de sermos tratados como números, sem valor e sem futuro.” Rejeição porque, afirma, também se sentem tratados assim pelos sindicatos: “As razões que os movem são as reivindicações dos professores efectivos e não dos contratados. Apenas lembrando-se de nós quando é necessário fazer número.” Para quem governa, para quem está instalado, José deixa um alerta: “Estão a esquecer-se nós, ao esquecerem-se de nós estão a esquecer o futuro.”

No último concurso nacional de professores, realizado em 2009, apenas entraram para o quadro cerca de duas centenas de docentes. Dos cerca de 140 mil professores do ensino básico e secundário, 22 por cento são contratados. Com os cortes anunciados para a educação poderão ser os primeiros a ficar sem emprego já no próximo ano lectivo.

“À rasca estamos quase todos”

Anabela Magalhães, autora de um blogue com o mesmo nome, não está nesta situação. É professora do quadro. Lecciona História em Amarante, tem 49 anos e estará amanhã em Lisboa. Tem um plano: começar no Campo Pequeno, no plenário convocado pela Federação Nacional de Professores (Fenprof) e outros sindicatos, e “tentar acabar a tarde na Avenida da Liberdade, na manifestação convocada pela Geração à Rasca. Porque aí faria o pleno”. Vai estar no Campo Pequeno para manifestar a sua oposição “aos múltiplos ataques à escola pública de qualidade”, aos cortes anunciados pelo Ministério da Educação, que prefere poupar em professores em vez de “cortar nas obras da Parque Escolar”, e também contra o modelo de avaliação de desempenho docente. Um modelo “aberrante” que ao promover a avaliação entre pares, “corrompe a independência da avaliação” e o “trabalho colaborativo nas escolas”: “Há amigos do peito a avaliar amigos do peito e o oposto também pode acontecer.”

Mas Anabela também estará na rua, em Lisboa, para expressar o seu descontentamento "pela falta de políticas de criação de emprego, pela acentuada precariedade reservada aos mais jovens” e "porque à rasca estamos quase todos nós neste país”.

E porquê duas manifestações no mesmo dia? André Pestana, 34 anos, professor contratado de ciências, sindicalizado e promotor do movimento 3 R (Renovar, Refundar, Rejuvenescer), olha com desconfiança para a Fenprof, que anunciou a data da sua concentração já depois de os jovens do movimento Geração à Rasca terem escolhido o seu 12 de Março. Para ele, é mais uma tentativa dos sindicatos de impedirem que a sua base de apoio parta para outras. Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, explica que a data para o plenário no Campo Pequeno foi escolhida em Janeiro – e anunciada a 10 de Fevereiro - e que resultou de uma exclusão de possibilidades. Inicialmente, os sindicatos tinham apontado para uma manifestação para o final de Março, vários apoiantes propuseram a sua antecipação para o início do mês. Como o primeiro sábado era o do Carnaval e o terceiro já estava ocupado por uma manifestação da CGTP, restou o dia de hoje. “Acho óptimo que estejam professores nos dois lados. São iniciativas de origem diferente, mas que têm a mesma razão de ser: a contestação das políticas actuais”, diz.

João Labrincha, um dos promotores do protesto dos jovens, também não vê problemas na coexistência. “Há muitos professores que nos têm contactado a dizer que vão estar nas duas. É óbvio que existe uma complementaridade”, afirma.

André Pestana também queria estar no Campo Pequeno, mas irá marcar presença na Avenida da Liberdade. “Não tenho o dom da ubiquidade”. E estará na Avenida da Liberdade porque, como professor precário, identifica-se com a posição dos jovens à rasca, mas também porque eles estão a dar corpo a “um fenómeno novo”. “É um sinal dos tempos e é daí que virá a mudança e não com os velhos dirigentes sindicais". Alguns dos 3R estarão no Campo Pequeno a distribuir um comunicado onde explicitam esta sua opção. Eles “não são parvos”

Paulo Ambrósio já passou dos 40, continua a ser professor contratado de Educação Visual, actualmente não se encontra colocado em nenhuma escola. Portanto é um contratado/desempregado e sócio do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa. “A minha postura sindical é de autonomia, de independência e, tantas vezes, de oposição democrática ao status quo”, esclarece. Vai estar no Campo Pequeno onde chegará incluído num desfile promovido pela Associação de Professores de Educação Visual e Tecnológica. Por enquanto podem respirar de alivio, já que o decreto-lei que reduzia para metade o número de professores desta disciplina foi revogado pelo parlamento.

Era uma “autêntica fábrica de desemprego”, diz sobre aquele diploma. Foi uma “luta nobre e justa conduzida exemplarmente pela nossa associação profissional”, afirma. É uma das razões que o leva ao Campo Pequeno. Só que, acrescenta, “gostaria de ter o dom da ubiquidade para também estar presente no protesto da geração à rasca no qual me revejo”.

Margarida Azevedo, professora do quadro desde 1995 e uma das autoras do blogue “Uma aventura sinistra”, não estará ao lado dos sindicatos. “Tenho 40 anos, sou professora de um mega agrupamento de escolas e apesar das circunstâncias serem outras também me se sinto à rasca”, desabafa.

Devido ao que passa no país e ao que se passa com ela própria. Com uma doença oncológica, e depois de dois anos de baixa, deram-lhe 13 turmas, 300 alunos no total, espalhados por três escolas diferentes. Foi-se abaixo, mas tenciona regressar: “Sou professora por opção. Luto por justiça e estou ao lado de quem faz o mesmo”. Amanhã estará ao lado dos mais jovens. Um gesto solidário: “Não será por mim que irei estar presente mas por eles que têm mostrado muito bem que sabem o que se passa, que não são parvos e que estão dispostos a lutar. Coisa que, por exemplo, a maioria dos professores parece não querer”.

Os que estarão no Campo Pequeno irão ser chamados a avaliar o Ministério da Educação. Segundo anunciou hoje a Fenrpof, as fichas para o efeito serão entregues ao secretário de Estado da Educação, Alexandre Ventura, que receberá os sindicatos ao final da tarde de amanhã. É no ME, e após um desfile até à Avenida 5 de Outubro, que terminará a iniciativa dos sindicatos.

Fonte: Público online

terça-feira, março 01, 2011

"No dia 12, se me aceitarem, ali me terão na rua, tão à rasca como eles .... Oscar Mascaranhas" | ÍDEM!!!



A lambada dos parvos

Ontem

A mim, quando a ouço e vejo cantar, entala-se-me um soluço na garganta, tremelica-me o beiço e desce-me uma cortina de água nos olhos que tenho de suster com o cuidado de não piscar - não vá eu fazer-me ainda mais parvo do que o parvo que sou! Mas o mesmo sol que amolece a minha cera de parvo endurece o barro (os burros?) dos implacáveis comentadores do 'establishment', entrincheirados nas suas covas, prontos a rasoirar à metralha essa erva daninha, esse escalracho de protesto que quer crescer ao calor das palmas e gritos de uns parvos tão parvos como os parvos dos Deolinda.
Onde eu vejo quase uma litania de humor cáustico em crescendo que passa a raiva e rebenta num vulcão de revolta, os da situação apenas encontram pretexto para lambada - nos parvos a quem lhes deu a tineta de se inconformarem.
Levanta-se um espingardeiro que há mais de vinte anos anda a saltar a pés juntos sobre a sua própria campa, a ver se calca no esquecimento o que foi nos idos de Abril - e manda os jovens deixarem de ser parvos e emigrar. Uma precoce 'tia' alinhada da Linha e de um-chocho-só dá, grátis, a orientação de que os jovens têm de ser parte da solução e não do problema - e não devem cansar-se de estudar, para poderem decifrar a charada das suas vidas.
Estudar, pois! Vários lêem nos versos «Que mundo tão parvo / Onde para ser escravo é preciso estudar» um resmungo de cábulas e mandriões que nada querem fazer - deixem de ser parvos, toca a pegar nos livros e fazer o terceiro mestrado e o quinto curso de formação para ver se agarram um estagiozinho no 'call center' ou no 'hiper'.
E muita sorte têm esses parvos da Deolinda em que a especialidade dele seja o século XIX e um pedaço do XX, se não, despertariam da sonolência o rabugento do conformismo que diz que já está tudo visto na história, para lhes lembrar que muito tiveram de estudar os gregos para conseguirem ser escravos bem tratados dos romanos - súcia de ignorantes!
Pois eu parvamente senti no cântico mais um bocadinho do «agora é que é!» com que vou nutrindo a minha parva esperança de ver chegar a liberdade com as suas vestes de dignidade para uma geração a quem a mornidão dos costumes lhes roubou o manual da luta e agora está a redigi-lo pelo seu próprio punho.
No dia 12, se me aceitarem, ali me terão na rua, tão à rasca como eles, porque me quero parvo como eles e não como os parvos que pensam que somos parvos.
Os verdadeiros parvos fingiram não ouvir - não lhes dava jeito! - mas o cântico ruge: «E parva não sou!»

oscarmasc@netcabo.pt

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terça-feira, fevereiro 15, 2011

Passar a palavra! | 12 de Março de 2011

[Nota de Manuel Baptista: No longo prazo, apenas a revolução social pode resolver os problemas do povo português e de todos os povos. Mas, para que esta seja viabilizada no nosso território, é necessário que as pessoas aprendam o modo cooperativo de interacção, que entrem em ruptura com o modelo individualista que lhes é incutido mil vezes por dia, pelos inúmeros canais de «estupidificação social» que sustentam o regime. Por isso, estarei nesta marcha e apelo a participar no antes, no durante e no pós...]

12 de Março de 2011 - Um milhão de pessoas na Avenida da Liberdade
pela demissão de toda a classe política

Este e-mail vai circular hoje e será lido por centenas de milhares de
pessoas. A guerra contra a chulisse, está a começar. Não subestimem o
povo que começa a ter conhecimento do que nos têm andado a fazer, do
porquê de chegar ao ponto de ter de cortar na comida dos filhos!
Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer -quase-tudo, para
mudar o rumo deste abuso.

Todos os ''governantes'' [a saber, os que se governam...] de Portugal
falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de
impostos a pagar.

Nenhum governante fala em:

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores,
suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três
Presidentes da República retirados;

2. Redução dos deputados da Assembleia da República e seus gabinetes,
profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias
na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e
outras libações, tudo à custa do pagode;

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que
não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º
emprego;

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir
milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam
funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas
porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se
uns têm de cumprir porque não cumprem os outros?s e não são
verificados como podem ser auditados?

6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais,
numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira,
em 1821, etc...;

7. Redução drástica das Juntas de Freguesia.. Acabar com o pagamento
de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75
euros nas Juntas de Freguesia.

8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da
quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem,
para conseguirem verbas para as suas actividades;

9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc,
das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares
pelo País;

10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento
das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e
famílias e até, os filhos das amantes...

11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado;

12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não
permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular
tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado
a compras, etc;

13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e
respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos
contribuintes

14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos
por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o
regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE
ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE
ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES....;

15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos
que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há
hospitais de província com mais administradores que pessoal
administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES
PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do
partido no poder...

16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos
sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com
o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que
criminalizar, autuar, julgar e condenar;

17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do
Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao
BPN e BPP;

19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e
Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.

20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma
recebe todos os anos.

21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam
milhões ao erário público.

22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de
funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem
a quadros do Partido Único (PS + PSD).

23. Assim e desta forma Sr. Ministro das Finanças recuperaremos
depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela
corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado ;

24. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público
Privadas), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos
patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos
contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente
for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem"...;

25. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito,
perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e
adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País,
manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando
dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e
vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o
progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela
precisam;

26. Controlar a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns
anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise";

27. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo
com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso
sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os
crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida;

28. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas
que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas
pelos ditos.

29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam
cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu
património antes e depois.

30. Pôr os Bancos a pagar impostos.



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