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domingo, maio 15, 2011

12 de Março... 15 de Maio... datas não interessam.

(foto- M- Alegria, 12-Março-2011)




Retomando o tema dos protestos de cidadãos nesta época de crise, em Portugal, especialmente o de 12 de Março em várias cidades do País(prometi que a ele voltaria), assinalamos aqui o do passado Domingo, dia 15 de Maio, este seguindo um apelo de várias cidades da Europa e também da América Latina.
Os povos começam a ver, cada vez mais, os seus direitos de cidadania a serem truncados. Até mesmo o pequeno poder que lhes restava, o do voto, se tornou agora alvo de uma quase chantagem e até farsa, perante eleições de opereta que se sabem não decidir quem nos vai gerir (que é o famoso "memorando da Troika") mas quais os próximos figurões políticos que vão dividir as migalhas dos poderzinhos que sobram.


As manifestações deste dia 15 (que ainda se prolongaram e Madrid e outras cidades espanholas) tinham por lema "A rua é nossa", lembrando que quem "manda" no mundo, no fundo está muito mais dependente dos milhões de pessoas/cidadãos que tentam ignorar, do que o contrário. Resta aos cidadãos tomarem plena consciência disso, em vez de continuar a sentirem-se encurralados numa democracia de papelão.


Um dos aspectos mais curiosos da manif da(s) Geração/ões à Rasca do dia 12 de Março passado, e que a foto acima ilustra bem,foi ver a discreta mas firme adesão das pessoas.
A cidade do Porto, por exemplo, parecia tranquila, em mais uma tarde nublada de sábado, mas nos transportes viam-se pessoas, em silêncio e discrição, apenas de mãos nos bolsos, como quem se deslocava para algo de diferente que não trabalho ou compras.


Na praça da Batalha, como aqui vemos, os organizadores distribuiam-se pela escadaria, os OCSocial preparavam placidamente as suas máquinas e dezenas de pessoas sentavam-se pelos muretes da praça, ou "assobiavam para o ar", à espera de algo, num aproximar de início tímido. Pareciam etar ali, "como quem não quer a coisa", como quem aguarda por qualquer concerto popular de rua, em tarde de férias.


Nas ruas em volta, 31 de Janeiro, Santa Catarina, outros fingiam contemplar as promoções tardias nas montras, em pequenos grupos. Assim que começaram a ver que o protesto sempre era real e ia em frente, depressa se aproximaram e a praça não chegou para todos e foi o que depois se viu. 80 mil. E numa demonstração de respeito, solidariedade e civismo como é apanágio das gentes do Porto e arredores, por pior fama que lhes ponham a propósito de futebóis.



Pois esta gente não brinca. É simples, mas séria e comprometida, quando vê que a causa merece. Demora por vezes a reagir, mas foi dela que tantas vezes, ao longo da História, partiram as iniciativas decisivas. Pois as gentes do Porto são fiáveis e puras,sem dupla face, desafiando o "cinzentismo" que tantas vezes lhes querem colar.


Acorda, Portugal! Acorda, Mundo!



"Alergia"

segunda-feira, abril 25, 2011

Um cidadão por completar (Protesto Geração à Rasca)

(foto: M. Alegria,12-3-2011)


De entre os momentos curiosos no Protesto da Geração à Rasca de 12 de Março,no Porto, (já aqui analisado em diversos posts, de que este não será o último, pois é preciso revivê-lo sempre!) saliento ainda a presença de duas figuras estranhas.
Após a concentração na P. da Batalha e os depoimentos, a marcha iniciou-se. Algumas pessoas ( de um grupo de artistas de rua? de teatro? escultores?) destacaram-se no desfile , ao carregarem consigo duas personagens insólitas: eram dois "balões" artesanais de formato humano. Feitos de plástico(?) transparente, com reflexos prateados, plenos de ar. Um deles parecia meditar, outro tinha os braços lançados em frente, como quem oferece as mãos ao trabalho.


Não cheguei a saber o que simbolizavam e da multidão saiam várias interpretações. Seriam símbolo dos desempregados? da precariedade? do Homem que quer trabalhar e não deixam? Seria o "Pensador"?


Muitos comentavam, a propósito daquele desfile de inesperados 80 mil participantes, que o ambiente que se vivia naquela manifestação lembrava um novo 25 de Abril de 74, ou as comemorações do 1 de Maio do mesmo ano.


Aqueles "homens transparentes" do cimo dos seus mastros, talvez simbolizem afinal o CIDADÃO que renasce para o seu país, mais consciente dos Direitos conquistados desde a Revolução dos cravos, direitos que lhe querem roubar.O cidadão cansado de ser ignorado e de se sentir "vazio" pela desvalorização que sofreu.
Hoje, 37 anos passados sobre a revolução de Abril, não podemos deixar que esse progressivo esvaziamento continue. Temos de reagir e continuar a resistir de todas as formas, sobretudo fazendo um contínuo esforço para que esse "Cidadão" transparente (pois quase ignorado)-- e deixado quase apenas com a pele frágil da sua cidadania, por uma caterva de políticos e poderosos que só se lembram dele nas eleições-- se complete através da sua participação activa na sociedade, através da solidariedade atenta e através da recusa em se ver entalado em dívidas que ele próprio não contraíu.
25 de Abril, sempre!


Salvemos o "Homem transparente", o Cidadão que clama por ser completo.


"Alergia"


domingo, abril 17, 2011

Iniciativas- ainda o protesto da(s) Geração/ões à rasca

(foto- M. Alegria, 12-3-2011)

Continuando a relembrar o Protesto da "Geração à Rasca", no Porto. Não um simples recordar, mas, como já expliquei aqui, para manter viva essa "chama" de cidadania que se despoletou entre os cidadãos anónimos, nesse dia.

Entre muitas imagens marcantes, deixo-vos esta, de um cidadão que, de uma janela na Praça da Batalha, começou a mostrar em silêncio as mensagens que escrevera em simples folhas A4.

Após os testemunhos ao microfone, começara a marcha (inicialmente marcada para a pequena praça D. João I, mas depois alterada, a conselho das autoridades, para a Praça da Liberdade, dada a inesperada afluência de multidão).

E então surge este homem, a uma janela. Todas as cabeças se viram para o alto, para tentar descodificar o que estava escrito a esferográfica. Mais um gesto espontâneo. Mais alguém que tinha algo a dizer, algo que lhe apertava o coração.

Mais tarde, deparei com o mesmo concidadão já em plena praça da Liberdade, falei com ele, mostrou de perto os seus papéis, passou-os lentamente, um a um, para que o filmasse. Infelizmente o filme não ficou bem. Resta a foto...:(

O que diziam as folhas?

Simplesmente: "Portugueses"/ "Enganados"/ "Conformados".

Algo que o revoltava.

(explicou que haveria uma versão mais vernácula e menos politicamente correcta... :)))) Optara por estas palavras... e nós também!).

PORTUGUESES/ ENGANADOS/CONFORMADOS... aquilo que temos de deixar de ser... a bem do futuro como povo e país independente.

Pensem nisso, quando estiverem a passear neste belo dia de sol. Bom resto de domingo a todos!

"Alergia"

terça-feira, abril 12, 2011

Geração/ões à Rasca: afinal "contra" quem estão? -2

Contra os políticos "rasca"... ...contra um sistema "rasca"...
... contra financeiros, empresários e "boys"..."rasca".

(fotos- M. Alegria. 12-3-2011)
Para "comemorarmos" um mês passado sobre este marcante protesto em todo o país e como o post anterior sobre o tema já disse bastante, deixo aqui apenas três fotos a ilustrar a síntese das três motivações principais para que todos estes milhares de portugueses tivessem saído à rua. (Ver a reflexão completa AQUI). Assim:

- Protestavam contra a "Partidocracia" e a falta de qualidade dos políticos (classificados como "rasca") quer em Portugal, quer transnacionalmente, políticos sem fibra, sem sentido de Estado e a maioria das vezes corrompidos e/ou oportunistas;

- Protestavam contra a especulação bancária e do "jogo" da alta finança, que domina a verdadeira economia (e que deve ser baseada no bem estar dos povos e na produção);

- Protestavam contra os clientelismos vários, nomeadamente de várias empresas e pessoas que empobrecem o país , enquanto obtêm e monopolizam todos os contratos com o Estado, ou seja, contra a oligarquia e os nepotismos que não dão oportunidade a todos os portugueses.

domingo, abril 10, 2011

Geração/ões à rasca: afinal "contra" quem estão?-1


(fotos-M.Alegria, 12-3-2011, Porto)

Umas horas depois do protesto "Geração à Rasca", muitos comentadores, baseados em imagens filtradas pelas TVs, criticavam aquele movimento, por se ter revelado um protesto meramente anti-governo e...ufff.. (o nome da personagem ainda soa em verberação do tão gritado e alucinado congresso deste fim-de semana)... anti-Sócrates. Permitam-me discordar completamente. E passo a explicar.

Por um lado e essencialmente, quem esteve mesmo em qualquer das manifestações pelo país não terá notado essa insistência no Primeiro Ministro, embora até totalmente justificável. Os manifestantes demonstravam uma angústia para além de tudo isso e a maioria dos cartazes (de que os destas fotos serão das raras excepções) versavam os problemas que afectam os jovens de hoje e os portugueses em geral, que afligem os portugueses que nunca têm voz e também boa parte dos europeus e cidadãos do mundo abalados pela globalização, Eram cartazes sobre a precariedade e os falsos recibos verdes, os bolseiros e os estágios não remunerados, o capitalismo e a corrupção, os políticos sem qualidade e tachistas,a exploração do trabalho, o desemprego, a miséria, os pais que ainda têm de sustentar os filhos sem emprego, pais e filhos que não conseguem ter futuro e emigram... Era esse o desepero e a urgência em falar que brilhava nos olhos, a vontade de finalmente sair à rua em união e sem rotinas de partidos ou sindicatos.

Por outro lado,é evidente que é mais que natural que as pessoas destilem alguma da sua amargura para com a figura que tão omnipresente e sufocante se tornou no país,nos últimos seis anos, mas também em governo anterior como ministro, já aí visivelmente obstinado. Se o cavalheiro tão presente se quis para o País, como salvador, líder-mor do "patriotismo" e da "determinação", modelo de elegância e de atletismo, etc. , não pode agora queixar-se muito que se vire o feitiço contra o feiticeiro e se veja a descer com rapidez a ladeira da fama que tão depressa subiu, ainda para mais com tantas manchas indeléveis no seu passado.

Alguns disseram que era inútil esse alvo da manifestação, tendo em conta que o que( e quem) se prepara para alternativa não é melhor ; e que a crise é Europeia, não tem vilões específicos e por aí fora.

Claro que José Sócrates e Pedro P. Coelho são o que se chama "farinha do mesmo saco"( para já um ainda imaculado quanto à questão do mundo da corrupção e influências), porque provenientes da mesma fábrica de "cromos" políticos que nos andaram a impingir durante as décadas da democracia, para a nossa "caderneta" de "Portugal desenvolvido".

José Sócrates será apenas o mais recente e presente da colecção, o que nos últimos anos nos tem dado cabo da paciência, pois insiste em colar-se-nos aos dedos e aos bolsos.

PPC será a nova edição, revista e de impressão retocada. A mesma colecção ambos, apenas diferentes tipografias.

Foi contra esta tradição politiqueira aliada à especulação financeira e ao clientelismo económico,-- três factores que têm sugado cada vez mais depressa o país e que o tem deixado sem rumo, sem futuro-- que as pessoas sairam à rua nesse sábado: os cidadãos comuns fartos de serem roubados e sacrificados sem piedade, em contínuos anos de crise da qual não lhes apontam o fim.

Foi essa revolta e verdadeiro patriotismo (com o sentido de amor ao País) que vi dominar toda o protesto, todos os depoimentos das mais diversas pessoas, todos que desfilaram de forma ordeira e esperançosa, com um misto de ar grave e de felicidade nos olhos, por verem que afinal o país não está a dormir, que há motivações comuns nos que ali estavam, o sem abrigo ao lado da avó elegante, o humilde pensionista ao lado do estudante, o "gótico" ao lado do professor universitário, a criança aos ombros do adulto--não são floreados românticos, vi essa convivência no protesto.

Foi contra um certo estado de coisas e forma de gerir o país que se manifestavam. Os tais comentadores de bancada não entenderam. Alguns políticos pareciam ter entendido um pouco, mas depressa e de novo tudo esqueceram, entrando o país político de novo no circo da partidarite e da jogatina das listas de eleições, dos congressos de fachada, dos discursos inchados de ar bafiento, das idolatrias dos líderes deslumbrados, do desperdício de verbas públicas em foguetórios, mais influências e clientelas, mais promessas de tachos para uns e novo apertar de cinto para os mesmos, em suma, novo espremer do país até à última gota de dinheiro, de independência... de paciência.

E tudo isso é muito degradante. Por isso, não deixaremos esquecer estes protestos, teimando em que possam dar frutos, quanto mais não seja para que o país não continue a entregar o seu Futuro a pessoas sem escrúpulos e a sistemas falidos e estúpidos. Para que o povo não se abstenha do seu querer, não abdique do seu poder, que é maior do que pensa. Vimos isso escrito, por momentos,nas caras de espanto dos observadores e comentadores, no passado dia 12 de Março de 2011. Depois, disfarçaram e especularam...

"Alergia"

sábado, abril 09, 2011

Geração/ões à Rasca- Porto - uma amostra de cartazes artesanais

eram de todas as gerações...
...trouxeram versos, angústias mas também sorrisos..prepararam em casa os protestos e mostraram-no com orgulho às câmaras...

... e todos queriam dizer alguma coisa, ditando ideias para mais cartazes improvisados.

Mais um post a recordar o Protesto "Geração à Rasca" (Porto, neste caso), que fez agora quatro semanas, quase um mês inteiro. Hoje sem muitas palavras. Os rostos e gestos falam por si. Para não esquecer o momento, mas não deixar cair a Esperança que então brilhou. No dizer de alguém na multidão, "Deviam fazer isto mais vezes! Todas as semana, ou todos os meses! Até que esses políticos ouçam a gente!".

(Parece que afinal não ouviram muito bem... continua tudo ao mesmo estilo "politiquês" de rebanho e manobras de manual...:-/ )

(continuaremos pois... e este tema também continuará por aqui).

(fotos- M. Alegria 12-3-2011).

segunda-feira, março 14, 2011

"Fórum das Gerações - 12/3 e o Futuro"

A suceder ao "Protesto da Geração À Rasca" surge o "Fórum das Gerações - 12/3 e o Futuro". Votos de sucesso e contem connosco!
...

http://www.facebook.com/forum.das.geracoes
"Geração à rasca" no Facebook deu hoje lugar a "Forum das Gerações" ao qual ja aderiram mais de 3000 pessoas
Depois da manifestação que levou para as ruas milhares de portugueses, a organização do protesto encerrou oficialmente o evento no facebook às 15:30 e criou uma nova página permanente para debate de soluções para o país.
Em pouco tempo, este novo espaço recebeu já dezenas de comentários. (RTP1 online)