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quinta-feira, abril 07, 2011

Solidariedade para com os auxiliares das Escolas!

(imagem daqui)
CERCA DE MIL A MIL E QUINHENTOS AUXILIARES DAS ESCOLAS

TERMINAM CONTRATO ATÉ AGOSTO

(a notícia acima é do Público,mas não está de momento online).

Recusamo-nos também a usar a designação "modernaça", politicamente correcta, pseudo-tecnológica e, no fundo, francamente "foleira" de "Assistentes operacionais"! Para mim e muitos, estes funcionários ,tão fundamentais para o Sistema de Ensino , continuam a ser Auxiliares de Educação.

Estão cada vez mais em sistema de precariedade, o que não contribui em nada para o famoso estabelecer da tranquilidade nas escolas e muito menos para a segurança das nossas crianças.

Escolas a ter de fechar pavilhões faseadamente por falta de funcionários, pois as DREs teimam em não permitir mais contratações e empurram para uma dança de cadeiras constante com os inscritos do Fundo de Desemprego?

Funcionários a fazer horas extra aos fins-de-semana devido aos cortes cegos no número de funcionários nas escolas, depois de tanto se ter esbanjado nas obras megalómanas da Parque Escolar e distribuição de computadores?

Funcionários do fundo de desemprego a ganhar uma miséria por hora (3 Euros) e não podendo ir além das quatro horas de trabalho diário? (recordar aqui)

Mas que gestão de recursos é esta?! E que "Racionalização" de recursos é esta?!

ISTO ACASO TEM ALGO DE RACIONAL? FOI USADO UM SÓ NEURÓNIO QUE FOSSE para tomar estas decisões, contra todos os apelos aflitos de Pais e das Direcções das Escolas?!

Daí a nossa solidariedade para com estes portugueses, tão importantes agentes educativos, tantas vezes injustamente marginalizados, embora, até à época desta tutela estivessem a melhorar cada vez mais a nível de formação e de habilitações.

Votos de coragem para todos os que se vão ver em mais apertos a partir de Agosto, atirados para a incerteza... Isto é mais uma medida triste e acéfala!

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Não há ponto/Acordo sem "nó"/negócio! :-(

E pronto, para rematar a "trilogia" de posts que se iniciou AQUI --e onde uma suspeita nos fazia cócegas ao cérebro -- e que continuou AQUI, onde anunciava, ainda sem explicitar, a confirmação da dita suspeita, vou hoje falar do tal negócio que sempre veio à luz do dia e relativo ao polémico Acordo Ortográfico. Um que certamente não levantara suspeitas até agora, para além dos possíveis negócios a nível editorial ou de influência/predominância cultural de uns países de Língua Oficial Portuguesa sobre os outros.
Fazendo o ponto da situação: este Acordo agora oficializado não interessa ou agrada à maioria dos portugueses e é posto em causa por muitos especialistas (linguístas, tradutores, professores,editores, escritores ou jornalistas) que quase não foram escutados perante um outro pequeno grupo que atamancou o novo Acordo (A.O.), apesar de serem aqueles os que de forma directa terão de lidar diariamente com o problema. Nem no Parlamento foram escutados, nem foi alvo de atenção pelo mesmo parlamento uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, corajosamente liderada pelo nosso amigo João Pedro Graça.
No Brasil também há inúmeras vozes contra o Acordo, sendo que o AO por vezes nem é carne nem peixe, não respeitando grafias já comuns aos dois países, criando autênticos neologismos ortográficos. Alguns países dos PALOP ainda não assinaram o acordo, sendo críticos ao mesmo.
A quem interessa então a ditatorial legislação e universalização do AO? Aqui cheira a negócio extra-linguístico, diremos logo.
Ora bem, finalmente, na semana passada, lá veio a lume, fruto do ferver de alguma polémica (zangam-se as comadres...) que assim permitiu ao país perceber que mais parcerias público-privadas ou quejandas existiriam por detrás de toda esta aceleração.
Assim, dia 16 de Dezembro último, no Público, surgia a notícia (os sublinhados são meus):
"AR aprova conversor Lince e empresa refuta erros"
O Parlamento vai aplicar o novo Acordo Ortográfico a 1 de Janeiro de 2012, adoptando o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) do ILTEC- Instituto de Linguística Teórica e Computacional e, como suporte informático, irá utilizar o conversor Lince, na sequência da aprovação por unanimidade, ontem, de uma proposta de Jaime Gama. O Governo também já os tinha escolhido na passada semana.
A qualidade do conversor Lince e do vocabulário foi criticada pela empresa concorrente Priberam, que aponta erros ortográficos tanto na conversão da actual para a nova grafia como no VOP do ILTEC. O administrador Carlos Amaral questiona mesmo quem e como avaliou o Lince e a razão para o Governo decidir adoptar oficialmente um programa informático em detrimento de outros, também gratuitos, já existentes no mercado. (...)" (por Maria Lopes) Ler toda a notícia AQUI (Se for assinante da nova versão online,pois..........:-(( )
Portanto: sempre havia um daqueles acordos de café e de atrás da orelha em que os actuais sinistros governantes se tornaram especialistas. E a coisa metia informática ! pois claro! Como não adivinharamos já?! E não se sabia ao certo quem avaliara o quê e, como refuta o ILTEC, ainda está tudo a ser aperfeiçoado e tal... Onde já vimos isto antes?
Ou seja, mais um caso de Lobbies, mas do pitoresco lobby à portuguesa! Grupos de pressão organizados também os há noutros países e cada vez influenciam mais as decisões políticas, mas o lobby à portuguesinha consiste num amigo do amigo ou amigalhaço que é apresentado a um qualquer sub-sub-governante ou aos do topo, num bar ao fim da tarde, numa almoçarada, num cocktail, entre dois rissóis, e basta uns elogios à elegante fatiota, ao poder ou à eventual esperteza saloia, uma referência a palavras como "informática" "computador" ou , melhor, a "tecnologia" e " MODERNIDADE", para se conseguir impingir qualquer coisa sem verificar de toda a sua qualidade, das possíveis alternativas, ou sequer da relação qualidade preço ou real interesse para a nação.Um pouco ao estilo como os vígaros de rua conseguem enganar em três penadas os ingénuos velhinhos ou os ignorantes lapónios chegados à cidade grande, levando-lhes as economias em troco de um relógio avariado ou de uma mala cheia de jóias de fantasia!
Não estamos para já a duvidar das eventuais qualidades do tal "Lince", mas...
Lembram-se do negócio exclusivo com a JP Sá Couto com os famosos computadores Magalhães comprados em barda para as escolas de Primeiro Ciclo?
E lembram-se de negócios com submarinos, fragatas, aviões e helicópteros avariados, tecnologias da energia das ondas (agora monos arrumados a um canto)?
E do programa e-escolas com computadores para estudantes a preços módicos mas com contratos de internet obrigatórios com as operadoras móveis amiguinhas?
E do Programa informático Citius, obrigatório nos tribunais e que tantos magistrados recusam agora usar, por duvidarem da segurança do mesmo, segurança essa não testada por entidade independente mas pelos ... próprios fornecedores?!
E, mais recentemente, o negócio já estabelecido com nova empresa amiga para a criação de chips para os automóveis, a usar nas futuras ex-Scuts e a tentar torpedear a já existente e conceituada empresa Via Verde (que acabou por terminar a rir-se, pois viu esse feitiço a virar-se contra o feiticeiro e acabou por aumentar o seu negócio, visto que as pessoas, revoltadas, optaram por comprar a VV, que agora era mais abrangente),: lembram-se, claro? Toda a pressão para que as scuts tivessem portagens partia afinal de promessas já feitas nesses "acordos" de vão de escada...
E o TGV? Estão a ver a imagem total agora, pois estão?
Pois agora (ontem mais exactamente) veio o Direito a Resposta do ILTEC, liderado pelo prestigiado, não negamos, José Pedro Ferreira. Diz, por exemplo:
"(...) o ILTEC não é uma empresa, é uma associação sem fins lucrativos e unidades de I&D da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O Lince não é resultado de subcontratação mas de parceria. O ILTEC foi responsável pela definição das características, dados linguísticos, especificações das regras e lógica da conversão do Lince. A KnowlwdgeWorks assegurou a tradução no desenvolvimento do sistema do interface (... blá blá....) Não há programas gratuitos concorrentes d Lince. (...) ". Ver tudo AQUI.
Ok! Agora passaram a existir almoços grátis e todos trabalham e oferecem serviços apenas por amor ao país e tal e tal...
Então e a KnowledgeWorks vive de ar e vento? Não venham dizer que isto também não implica um negócio. E hoje estamos mais que alertados para aquilo em que se tornou o vocábulo "parcerias".
Por isso, se os computadores nacionais começarem a debitar estranhas ortografias e erros vários a esse nível, não esqueçam, contemplem o Lince mas não culpem ninguém e esqueçam quem o negociou, pois este será talvez o único lince que tão cedo não se extinguirá em Portugal.
Alergia (24-12-2010)

domingo, dezembro 19, 2010

Novo Acordo Ortográfico: como "ESPETAR" a Língua Portuguesa


Em Portugal muitas idiotices acabam por ser impostas por via do hábito e da inércia, optando o cidadão comum tantas vezes por uma situação fatalista, encolhendo os ombros a mais uma nova regra ou lei que foi criada sem o ter em conta. Na verdade, chamar "cidadão" ao habitante de Portugal é geralmente um eufemismo, pois o nosso maior drama será precisamente essa de não termos a noção da nossa cidadania, dos direitos que ela envolve, mas também das responsabilidades que temos em intervir e questionar. Diz-se "Oh , em Portugal é mesmo assim, que se há-de fazer? É tudo uma malandragem a mandar em nós e só nos resta obedecer!". E vai o português e segue com a sua vida quase escravizada, entalado entre as dívidas ao banco e o trabalho precário, com um olho na "bola" (que, já a pensar na sua alienação, não "dá" apenas aos Domingos, como em tempos idos) e outro na telenovela formatada onde, ao contrário da realidade, as personagens vão conseguindo alterar os seus destinos até ao fiinal feliz.
Apesar de tudo isso, sou das pessoas que teimam em questionar o que não se quer contestado só porque "não há tempo a perder" na corrida desenfreada até ao famoso Abismo. E muitas vezes pequenos incidentes do quotidiano fazem-me pensar de novo no que está dado como facto consumado, embora num apenas leve esgravatar salte à vista a estupidez que fundamenta esse facto.
Vem isto a propósito do Novo Acordo Ortográfico (A.O.), agora dito em fase de experimentação em Portugal,mas, como vimos AQUI, já a ser imposto nas Escolas no próximo Ano lectivo.
Num inocente jornal publicitário e gratuito colocado nas caixas do correio pelo país fora, era salientada uma entrevista com o famoso Leonardo Di Caprio. Folheia-se o dito, distraidamente, passa-se os olhos pela entrevista à estrela cinematográfica e o que mais se destaca e fere a vista é desde logo a espantosa ortografia. Ou seja, no mesmo jornal misturam-se artigos ainda obedecendo à "antiga" ortografia com outros já na nova moda desventurosa e sinistra do novo A.O.. Como é o caso da referida entrevista.
Então vejamos. Já nos fazem estremecer palavras como "ator", "ação", "perspetiva" ou "caráter", mas que poderão vir a cair no tal hábito. Por outro lado, não se entende completamente a manutenção de termos como "impacto" (talvez para não julgarmos que se trataria de um antónimo de "pato"), visto que a presença do "c" neste caso nem ajuda a indicar a abertura da vogal (a palavra já é grave, quanto à acentuação), como no "antigo "ACTOR". E. aliás, a origem etimológica é a mesma... Mas é que é uma consoante que se lê, bláblá...(ai aqui já vale...)
Já termos como "afetou" arrepiam ainda mais e nos levam a duvidar como a sua dicção/dição irá sobreviver.
Porém o que mais ridículo surge é o termo "ESPETADOR", numa frase como " ...mas são as personagens que mantêm o ESPETADOR envolvido.". Fica a dúvida sobre que crueldade leva as ditas personagens a "espetar" e onde é que "envolvem" o dito "espetador"!
Consultando diversos dicionários mais ou menos "atualizados", a dúvida persiste. Uns dizem que o termo "espetador" não existe, outros dizem que é o equivalente no Brasil a "espectador", mas tudo remete para esse "arcaico" termo "espectador", se por exemplo quisermos traduzir para outra Língua.
Também vemos que esta palavra foi precisamente uma das mais citadas em debate, aquando da polémica prévia ao assinar do A.O., nomeamente em jornais e na blogosfera, por linguistas, tradutores (por exemplo, Desidério Murcho) e outros especialistas. EM RESUMO: o novo AO permite ambas as grafias espectador/espetador, visto que os brasileiros assim grafaram erradamente por décadas. E a polémica é precisamente pelo que esta opção ambígua do "igual ao litro" deita por terra do famoso argumento de que só desapareceriam as consoantes que não eram PRONUNCIADAS, as chamadas consoantes mudas. O que não se passa, logicamente, com esta palavra ESPECTADOR, onde o "C" é bem "sonoro" e indica a abertura da vogal que a antecede.
É que os assassinos linguísticos que cozinharam este acordo (meramente político!) parecem esquecer que a ortografia não serve apenas para passar ao papel as palavras como são ditas, mas também, ao serem lidas, lembrar/ensinar a forma como DEVEM SER DITAS! Esquecem todas as crianças que ainda vão aprender a ler e para as quais os professores ficarão com menos apoios lógicos e linguísticos para explicar porque algo se diz de uma forma e não de outra. Esquecem todos aqueles milhões de estrangeiros que querem aprender Português e que assim ficarão com mais dúvidas e com mais um argumento para considerar difícil este idioma! Claro que, se aprenderem com um professor brasileiro, que os ensinará a simplesmente abrir TODAS as vogais, o caso estará resolvido (a não ser que tenham de fazer um exame de acesso à Universidade no Brasil, o famoso Vestibular, para o qual terão de empinar uma série de regras absurdas e de pesadelo , sobre a acentuação, para quem não sabe já acentuar graficamente as palavras...na escrita).Portugal pode ficar a "vê-los passar"....
Repito: Isto é um CRIME contra a língua Portuguesa e, como se vê pela pequena amostra do jornalito, já está a criar confusão, pois o novo AO já está a ser aplicado em palavras que estão, segundo este, isentas de serem sujeitas ao decepar de consoantes, pois simplesmente NÃO são mudas! E a regra de "nuns casos desaparece noutros aceita-se a dupla grafia" (tudo para não causar qualquer mossa ou adaptação à forma como os falantes brasileiros já escrevem!) está assim já começar a criar o caos, com uma ortografia que ignora o problema da aprendizagem da Língua, a pronúncia de uma boa parte dos falantes (em Portugal mas também na maioria dos PALOP) e as origens linguísticas que ajudavam a clarificar certas situações. Bem podem comparar com a arbitrariedade da Grafia do Inglês, mas com o mal dos outros podemos bem e não devemos esquecer que a nossa Língua não tem a divulgação comercial e planetária da Língua Inglesa e tem já bastante complexidade a nível da sintaxe, só por exemplo, para dar que fazer a quem a está a aprender como Língua estrangeira!
Por isso não duvidem: a Língua Portuguesa já está a ser devidamente ESPETADA e cozinhada no forno da estupidez dos burocratas e dos criminosos da Cultura!
(ADENDA:Como mencionei em post anterior, sempre achei que deveria haver mais do que uma negociata por detrás desta pressa em impôr o novo AO. E não me enganava,até de forma mais lucrativa do que eu julgava. A verdade à tona vem....Mas como o texto já vai longo, deixarei isso para outra ocasião).
Alergia

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Us noçus cridus "cobradores de fato" vão impor de FATO o Desacordo Ortográfico no próximo Ano LETIVO

------------Ver detalhes da notícia........................AQUI.
Qual fase de transição de seis anos, qual discussão pública, qual escuta dos cidadãos que lidam com o assunto no dia-a-dia, qual consideração pelos professores, especialmente os do Primeiro Ciclo e os de Português... qual QUÊ!!
Está decidido: antes de abandonar de forma inglória o poder, os nossos desgovernantes de fatinho do Rodeo Drive decidiram, em mais um apressado Conselho de Ministros, deixar o país ainda mais desgraçado e com um problema extra para as gerações vindouras: o Acordo Ortográfico será generalizado e imposto no nosso sistema educativo, já a partir do próximo ano lectivo ( ou será "letivo"?) 2011-2012, dando o "fato" por consumado. E " 'bora" de ignorar tudo e todos, passando a batata quente a editores e, sobretudo, aos professores, os tais apelidados de "heróis" num muito recente arremedo eleitoralista e desavergonhado!
Com certeza, como no caso do tgv e de outras negociatas, será mais um caso de pressões económicas no qual uma fatia do nosso país, neste caso a Língua e a sua herança cultural, é entregue de bandeja.
Já está também na calha e a sair do forno ministerial, sem querer que passe pelo crivo (embora fraquito) da Assembleia da República, a assinatura por Portugal do tratado de Londres, que excluirá a Língua Portuguesa como língua de registo de patentes. Vamos! Força! Ainda faltam mais uns pedacinhos de Portugal por esfarelar nos próximos meses!
E o povo assiste pasmo e impávido...