Desde a sua criação até este momento, sucedem-se os relatos sobre os Cursos das Novas Oportunidades, na sua maioria pautados pela revolta e pela desilusão. Aqui está um testemunho de quem teve a coragem de "bater com a porta". :// Compare-se com o anterior video, especialmente no que se relaciona com a quantidade e a "certificação a granel" e depois não venham falar em "campanhas negras"! Ou seja, mais uma boa ideia que, em Portugal, por força da politiquice barata e do populismo (que de forma obscena vai ao ponto de querer comprar votos e almas, anunciando um paraíso eterno onde "corre leite e mel"... até obter o poder e então voltar a apertar os calos e os bolsos aos mesmos) se transforma numa trapalhada monumental que praticamente não valoriza ninguém nem leva a o desenvolvimento do país.Apenas o desperdício de recursos e verbas, pois, mais uma vez e apenas até 2013, até nem é pago só por nós mas por toda a Europa através do QREN.
Tudo sempre muito ao estilo dos seus antepassados "cursos" de formação com o "ouro" do Fundo Social Europeu.
Creio que ainda não tinhamos abordado a questão do ensino Superior em Portugal, aqui no "Uma aventura Sinistra". Um bom retrato julgo ser este que Miguel Esteves Cardoso fez numa das sua mini-crónicas, há dois dias. O texto dispensa mais comentários e, apesar de breve, dá muito que reflectir sobre a distorção que é a vida académica no país. Por ser breve também, transcrevo na íntegra. Os destaques a negrito são nossos. Sempre especial, este MEC!
"A academia podre" "Quando eu era estudante na Inglaterra, antes e depois de me licenciar e doutorar, durante mais de uma década, feliz ou infeliz, graças aos estudos que eram (agora reconheço e agradeço) licenças pagas para as leituras estudiosas que me apetecessem,vivi num mundo sem cálculos de eficiência, recompensas monetárias ou expectactivas de emprego. As universidades em Portugal, onde depois fui professor cheio de esperanças e incertezas,revelaram-se ser masmorras ignorantes, cheias de preconceitos e privilégios medievais, sem a mais pequena pretensão académica. Nem os estudantes estudavam -- mantinham uma vida social intocável--, nem os professores professavam. Dizer que era um sistema corrupto implica que tinha sido, nalgum passado, por muito distante, mais puro. Não tinha. Tinha melhorado. Mas muito pouco -- e só graças ao tique-toque inevitável do progresso. Em Portugal a podridão intelectual, que consiste na valorização da superioridade hierárquica e etária, não mudou,nem mudará tão depressa. O mal está no vício de ver e entender a carreira académica como um prenúncio ou o sinal de outra coisa qualquer, quando não é mais do que uma carreira académica, uma maneira de continuar a estudar. É muito diferente a perspectiva portuguesa -- de viver enquanto se estuda -- da inglesa-- de estudar enquanto se vive. Continua a ser muito mais difícil ser estudante aqui e ainda mais difícil seguir uma carreira académica, com o espírito distraído." Miguel Esteves Cardoso, in "Público", 26 de Abril de 2011
É sempre interessante rever os sucessos televisivos e voltar a escutar discursos edificantes, "a la Obama" (alá ôba mâ, em novilíngua do Acordo Ortográfico) em versão poupadinha em ideias e em retórica. Isto para não dizer ,até, em versão,digamos, dadaísta.
Há uns meses, era esta a defesa do desporto escolar pela actual ME.
O que disse então?! Ora cliquem e escutem (centrem-se no conteúdo, por favor e esqueçam o estilo, imaginem uns sons de violinos de fundo e pétalas alvas de flores a cair do céu):
-"O desporto Escolar é muito importante para a prática desportiva" ?!?!
- O desporto (escolar) é importante para a felicidade.......?!?!
- Ninguém gosta de praticar desporto sozinho....?!?!
Pois agora chegaram os devidos louros para todos os professores de Educação Física que promoviam as actividades de Desporto Escolar nos estabelecimentos de Ensino.
Mais uma vez sob a larga capa das medidas de contenção e com a planeada reorganização de créditos horários para as escolas, o ME sob a "alçada" da mesma oradora acaba de dar a última machadada quase fatal sobre as actividades de Desporto Escolar extra-curriculares, com mais um projecto de despacho( que já se prevê que será "mêmo" despachado sem dó nem piedade). E outra consequência, para já invisível, nas próximas décadas será a destruição de boa parte das modalidades desportivas ainda sobreviventes no país e que eram alimentadas pelos jovens valores que migravam do Desporto Escolar.
É no que resulta (des)governar para o imediato.
Eis a notícia, ou parte dela (in "Público", 11-1-2011):
"Escolas dizem que não vão ter horas para desporto
A partir do próximo ano lectivo, as actividades desportivas nas escolas do ensino básico e scundário irão sofrer uma redução drástica. O alerta é feito pelos directores e professores ouvidos pelo PÚBLICO, que falam mesmo de uma morte a prazo do Desporto Escolar, uma actividade de complemento curricular, que no ano passado mobilizou cerca de 160 mil alunos.
Esta será, afirmam, uma das consequências das alterações propostas pelo Ministério da Educação à organização do trabalho nas escolas. O projecto de despacho foi já "chumbado" por unanimidade pelo Conselho de Escolas (CE), um órgão consultivo do ME onde estão representados os directores. Os pareceres do CE têm sido ignorados pelo ministério.(...)"
"até agora as escolas conseguiam garantir muitas das actividades extra-aulas através da redução do tempo lectivo dos professores que estavam à frente dos projectos. É o que se passa, por exemplo, com os docentes de Educação Física que, em simultâneo, asseguram as actividades de Desporto Escolar. Estas ocupam uma média semanal de quatro tempos lectivos, desenvolvidos depois do período normal de aulas. Com o novo despacho, estes professores deixarão de poder usufruir de uma redução da sua componente lectivo normal e, em resultado, as escolas poderão ter de reduzir em mais de 30 por cento o número de horas consagradas ao desporto escolar (...)" (ver link de toda a notícia mais abaixo)
....como diz um Director citado na notícia, o Desporto Escolar é para a maioria dos alunos a única actividade física, para além das aulas de Educação Física, quando tanto se fala no combate ao sedentarismo e à obesidade...
Para a ME , como vimos e ouvimos,era até fundamental para a FELICIDADE humana!
Será este o retoque final, então, para generalizar a infelicidade a todo o cidadão português, que não há muitos anos era considerado pobrezinho mas razoavelmente feliz, nos estudos sobre o tema, mas que ultimamente tem descido de forma drástica nessa "mêma" tabela?
Já não bastava a prenda no sapatinho dos directores(na véspera de Natal!), subdirectores e adjuntos das Escolas, que reduz drasticamente os subsídios aos respectivos salários (chuif chuif...tadinhos!), para promover em força a implantação dos Giga-mega-mega-Agrupamentos (quanto mais alunos, mais ganham o director e "anexos"), agora o ME vem implicar com o tipo de contratos de "leasing" que as direcções costumavam fazer nas Escolas, o que pode levar os Directores a terem de pagar as futuras falhas nas contas do seu próprio bolso, tudo porque a própria tutela parece ignorar completamente como funciona e sempre tem funcionado a contabilidade escolar.
Ou seja, as coisas estão a "aquecer" também ao nível das direcções.
Será que é desta vez que os ditos elementos das Direcções das Escolas se vão aperceber como não passam de peças descartáveis e também ignoradas no jogo perverso de Xadrez do ME?
Será que é desta vez que certos assessores e outros elementos não eleitos vão regressar às salas de aula, como simples "Zecos"?
Será que agora os directores e sub-subs se vão recordar que os professores das escolas foram um dia seus colegas? Ressurgirá a solidariedade?
Será que a implantação das políticas sinistras vai começar a estalar por este lado?!
A análise dos cortes das “remunerações certas e permanentes” por Ministérios (Serviços Integrados) revela que o mais afectado por esta medida do governo será o da Educação. Num corte total de 649,4 milhões €, 63,5% (412,5 milhões €) correspondem a cortes no Ministério da Educação. Seguem-se os Ministérios da Defesa Nacional (-65,8 milhões € e-10,1% do total);da Administração Interna (-59,2 milhões € e -9,1%) e do Ministério da Justiça (-44,5 milhões € e 6,9% do total).
Em contrapartida é também ao Ministério da Educação aquele a que é atribuída a quase totalidade da verba destinada a contratos a prazo. Num total de 175,155 milhões € atribuídos em 2011 a todos os Ministérios (SI) para contratos a prazo, 167,4 milhões €, ou seja, 95,5% do total é para o Ministério da Educação, o que só pode ser explicado pela elevadíssima precariedade existente, nomeadamente a nível dos professores. Aos restantes Ministérios, é atribuído a cada um, menos de 1% do total. Desta forma, o governo fomenta a precariedade num sector – o da educação – que é fundamental para o desenvolvimento do País, o que vai ter efeitos na rentabilidade e qualidade do ensino em Portugal, um sector onde os problemas já são muito graves.
Entre 2010 e 2011, o corte nas “remunerações certas e permanentes” nos Serviços Autónomos atinge 209,177 milhões €, sendo fortemente afectados a saúde e o ensino superior. Assim, do corte total – 209,117 milhões € – 42,95% é feito nos SFA da saúde (fundamentalmente no SNS) e 54,38% nos serviços do Ministério da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior (fundamentalmente universidades e politécnicos). E isto porque os orçamentos do SNS, das Universidades e dos Politécnicos não estão incluídos nos dos Serviços Integrados mas sim nos dos Serviços e Fundos Autónomos. Tal como sucedeu em relação aos Serviços Integrados, em que área mais atingida pelos cortes é a educação, nos SFA os sectores mais atingidos são a saúde e o ensino superior, portanto todos sectores extremamente sensíveis e fundamentais para o bem-estar da população e o desenvolvimento do País. Se analisarmos as dotações para contratos a prazo nos SFA constantes do OE2011 concluímos que o total atinge 202,4 milhões €, sendo 59,6% daquele total atribuído ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e 33,5% ao Ministério da Saúde.
Portanto, nos ministérios em que é maior o corte nas “remunerações certas e permanentes” maior são também as dotações para contratos a prazo. É evidente que o corte nas remunerações e apromoção da precariedade nestes serviços da Administração Pública está a provocar um grande descontentamento dos trabalhadores. E só nos primeiros 9 meses de 2010, aposentaram-se 442 médicos, o que significou que, pelo menos, 663.000 portugueses ficarem sem médico. É também desta forma que se está a destruir o SNS, que Sócrates diz defender da destruição do PSD.
Para completar esta análise mais detalhada, interessa ainda referir que no Orçamento do Estado para 2011, a nível dos Serviços Integrados, o Ministério que tem maior “fatia” para “avenças” é a Presidência do Concelho de Ministros, com 85,3% do total, e a nível de despesas de representação os maiores aumentos verificam-se no Ministério da Defesa Nacional ( +207,5% do que em 2010), seguindo-se os ministérios da Administração Interna(+84,7%), da Educação
(+22,4%) e em Encargos Gerais do Estado (+16,34%).