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terça-feira, maio 31, 2011

O Facebook de Cavaco



Imagem 10% do Kaos, o resto é meu...


Os antigos viviam mergulhados em profecias, augúrios e presságios. em delfos, a pitonisa, completamente drogada, soltava uns disparates do género dos de catroga, ou das sentenças das pontes de entre os rios e do isaltino de morais. em cumas, a sibila, viciada em despachar homens, mantinha debaixo do seu terror os barrigudos romanos e as devassas esposas, e decidia se os abortos iam ser, ou não ser clandestinos, ainda a palavra "referendo" não se aplicava aos úteros alheios. pior do que tudo, todavia, eram os mistérios de elêusis, onde só entravam os bilderbergers da altura, pagando balúrdios, numa cena mal ajeitada, que metia túneis escuros, a velha perséphone a aparecer, de repente, no meio dos lutos, de perna aberta, e a mostrar os grandes lábios. tinha espigas, anões e animais, uma coisa misto velasquéz da silva com goya e sade, e um pouco da beatificação da irmã clara do menino jesus. aparentemente toda a gente saía de lá convencida de que ia ser imortal, mas durava o mesmo do que os outros, ceifada pela gota, por tromboses, envenenamento pelo chumbo, cirroses e bactérias transmitidas por pepinos. o tempo passou, e a primeira igreja associou os oráculos à pior crendice, até que com o desenvolvimento das necessidades de financiamento do "bussiness", voltou a haver atrasadas mentais, geralmente acamadas, com o córtex frontal atrofiado, ou dadas a visões do tipo "oxi", "crack", ou "ecstasy", vendo solzinhos, e outras coisas piores, a dançar.

aparentemente, com o advento da idade tecnológica, no nosso caso, "uma cabeça-um magalhães", essas coisas tinham sido atiradas para um certo limbo da sarjeta, até que, nos dias mais recentes, nós que sempre fomos dados a descobertas extraordinárias, pelo menos, desde o fim da baixa idade média, "inventámos" uma coisa que era a presidência por palpites.
não é de estranhar o tique, num povo atavicamente dado a comentários de bancada, boatos, e anedotas corrosivas, sem qualquer graça, e destruidoras de reputações, como os anormais do eixo do mal ou os gatos fedorentos. nós sempre fomos dados a novidades, como quando o oligofrénico do pacheco pereira inventou o "abrupto" e não havia dia em que não houvesse um telejornal que não começasse com uma flatulência do neo maoista, até se perceber que aquilo não era nada, a não ser uma hipóstase de uma estação de tratamento de resíduos sólidos. cansados disso, e com a blogosfera nauseada de si mesma, depois de perceber que aqueles heróis da sombra, aqueles infatigáveis lutadores da independência, afinal, só estavam à espera de se pendurarem numa boleiazita do partido mais à mão, como a medíocre helena matos e o gordo do "blasfémias", que lá apareceram a fazer de túbaros das listas do psd, ou o remendeiro, a quem chamam... "escritor", francisco josé viegas, que também vai ser pau de cabeleira de um partido qualquer. se a coisa se espalha, também o "kaos" aparecerá como cabeça de lista do cds/pp, por viseu, e eu, como lugar elegível do partido dos animais, ou uma merdunça afim...

a miséria dos comentadores políticos tem sido, aliás, outros dos sintomas do declínio de fim de estação da agonia da III república, porque, para lá da cortina de ferro que proíbe, como um tabu, o emergir de novas caras e de novos discursos, leva a que já conheçamos, e reconheçamos, tudo, de cor e salteado. com o marcello, por exemplo, brilhante na oratória e nalguns raciocínios, eu ponho o cronómetro a contar até ao momento em que ele, dando voltas geniais a premissas inconciliáveis, lá soltará a sua fórmula canónica... "ter de votar no psd".
parece que já houve gente a chatear-se com isso, mas acho que perdem tempo, porque aquilo não é defeito, é feitio, e façam como eu, acompanhem o que é relevante e construtivo na sua retórica, e desliguem, mal suspeitem de que ele vai entrar na frase... "psd".
a constraça cunha e nhanha, outra das "horizontales", levantada pelo álcool e por um vergonhoso casamento com um homem que gosta tanto de mulheres como a senhora de mota amaral, ou o antónio vitorino, incapaz de brilhantes oratórias, e maneirinha como os flashes de coca do miguel sousa tavares, tem de incluir, em qualquer análise que faça, uma conclusão... "psd/cds/pp", e, como ela, há miríades, numa pirâmide decrescente de talento, como aquele luís não sei das quantas, ou, pior do que tudo, aquele roberto que passa horas a vomitar vazio sobre o vazio do futebol.
enfim, é para isso que são pagos, e cumprem, como podem, as suas corveias, mas vem tudo isto para dizer que voltámos às profecias, oráculos e prenúncios, mas de uma forma, como eça escreveria, "modernaça", e na ponta dos dedos de um gajo que nunca deverá ter usado um computador para mais do que para substituir as suas velhas "messa", com que escreveu, na declaração da pide, "perfeitamente integrado no regime", aliás, o seu verdadeiro milagre foi continuar a permanecer imutavelmente integrado num regime, que, historicamente, tinha sido pontapeado por uma revolução, mas, ou não percebeu, ou fingiu que não sabia, como é seu hábito. mais grave, ainda, ou não se pronuncia, porque ainda não é o momento próprio, ou as suas profecias são feitas no posto de primeiro magistrado da nação, onde 25% dos portugueses, entre esclerosados de placas, anquilosados, alzheimerizados, avêcizados, coxos, manetas, pernetas e dedetas, videntes e atrasados o puseram, no início deste anos, para enorme penar do restante do país.

Como já devem estar a perceber, estou a falar do sr. aníbal de boliqueime, que chegou a presidente da fase terminal da república, enchendo depósitos e vendendo frutos secos, e que já devia estar afastado da política, pelo menos, desde 1986, quando permitiu que o país fosse arruinado, ao ponto de chegar ao estado de pré bancarrota em que presentemente se encontra. para os esquecidos, vêm a "petite histoire", que, soubesse eu o que sei hoje, e tivesse a idade e a maturidade para o fazer, deveria ter feito e alertado, naquele bocal de denúncias anónimas, que a CEE tinha, e que passo a relatar: o dia em que o meu amigo CXXXX DXXXX foi demitido pelo cadastrado Mighà Amhâgàl do posto de diretor geral da indústria, com o seguinte argumento, aliás, melhor... com uma estranha escolha, "ou o sr. engenheiro fica, e faz a sua carreira, ou sai, porque, dado o seu perfil, sabemos que não poderá fechar os olhos a todas as coisas que vão acontecer a partir de agora..." obviamente que o cxxxx dxxxx se foi embora, e que as coisas estranhas começaram a acontecer. levei anos até perceber a enormidade e profundidade da coisa, mas suponho que todos o sabem hoje: era o sr. aníbal de boliqueime a dar, pela mão de um dos facínoras seu ministro, ordem plena para a desaparição dos fundos estruturais, desmantelamento da agricultura, mineração, indústria e pescas, transformando portugal nesta penosa coisa, uma nação exclusivamente importadora, e sem dinheiros para pagar agora o que importa para sobreviver.
nesse dia, alguém devia ter abatido, como um cão tinhoso, o sr. cavaco, mais a sua corte de ladrões, provincianos, pedófilos, escroques, ignorantes e retardados, que atiraram com isto tudo para detrás da grécia, que já não era país que, então, se recomendasse.
é, portanto, normal que, de cada vez que fecha uma empresa, para se comprar um novo ferrari, ou colocar o dinheiro safo da "falência", "lá fora", nós percebamos que isso vai contribuir para o crescer das dívidas, dos encargos, e do aperto do estado, porque estes despedidos não vão para as coutadas dos carrapatosos, dos zeinais bavas ou dos jardins gonçalves, mas ficam sempre na mão da caridade dos contribuintes, já que o chamado "privado" é bom, enquanto está na fase do lucro, e mal se torna incontrolável, "bêpêéna-se", e volta a integrar a brutal despesa do estado. é por isso que eu ando encantado com o fmi, quando diz que, até fim de agosto, vão ter de pôr um travão nas célebres "parcerias público-privadas", uma coisa tipicamente lusitana, onde os lucros, quando os há, zeinalbavam-se, e os prejuízos, quando são cada vez maiores, vão para o buraco do estado. portanto, quando se pergunta como, durante o declínio de sócrates, puderam os números passar de cósmicos a astronómicos é muito simples: criar um emprego, um mísero emprego, pode fortalecer uma nação; destruir um emprego, não só destrói o país como aumenta, para números incomportáveis, os mecanismos de almofadamento da situação. toda a máquina do estado é um sistema de burocracia e de governo, de suporte da saúde dos cidadãos, do ensino, da cultura e da previdência. quando nada existe por debaixo, e estamos a falar de máquina produtiva, era como terem cortado a máquina produtiva da alemanha, e deixado só os serviços de bem estar e administração: um belo dia, não haveria alemanha, mas só despesa, tal como aconteceu no portugal mutilado do sr. cavaco, ah, pois, claro que isto tem um dia em que estoura, e estourou agora, com o azar de ter a cara de sócrates, que nem me é simpático, e também sacou a sua parte, mas teve o azar de pagar a fatura histórica de muitos gajos que deveriam estar presos, depois de se terem abarbatado com a verdadeira parte do leão.

tudo isto já vocês sabem, e vai condicionar, draconiamente, as pessoas que vou penalizar, com o meu voto de 5 de junho, um dos melhores votos da minha vida, já que vou forçar os responsáveis pelas coisas a ficarem com o menino ao colo, por mais que isso lhes desagrade, porque a verdade é que, se fossemos um país e não uma história extraordinária, uma miserável fábula, para contar pelos corredores da europa, esse senhor aníbal nunca deveria ter voltado em 2005, e nunca deveria ter sido reeleito em 2011. trata-se de uma criatura nociva, um espetro alheio à modernidade, um gajo para quem a história não passou. cobarde, como em todos os momentos decisivos da nossa aventura, e que mandou, não ele, mas o dias loureiro, disparar sobre o povo que o toureava no garrafão da ponte, e que, depois, foi apeado, à força, cobarde, dizia eu, neste momento grave, em que precisávamos de uma figura forte, que, todas as semanas viesse apresentar sugestões, mediar soluções, fazer valer em todas as frentes do exterior o seu prestígio de primeira figura do estado, prefere ficar a emitir oráculos, no facebook, enquanto joga, farmer e outras merdas afins. nenhum estadista que tal nome merecesse, se esconderia por detrás destas novas máscaras de carnaval veneziano, quando é fundamental que alguém incuta força nas hostes. talvez isso explique a inesperada ressureição de sócrates, perante um povo sem apoio e apavorado. pior do que isso, a "coisa" presidencial nem deve saber o que seja o facebook, que, para ele, é equivalente à viatura blindada em que se fazia transformar, durante os 10 anos em que foi carrasco absoluto da ruína de portugal. alguém lho assoprou, e ele não se opôs, porque, no facebook não se lhe vêem as mãos transpiradas, nem aquela tendência para desmaiar, ter acidentes neurológicos,  ou mijar-se pelas pernas abaixo, coisa grave, que já levou a que tivesse sido aumentado o número de sanitários de corredor, no palácio de belém...
atrás do "seu" facebook, preenchido por aqueles gatos pingados da "servilusa", que custam ao estado mais do que a presidência dos estados unidos, as monarquias inglesa e española, enfim, toda aquela corte de goyas, que nos fazem temer o pior, e que vão preenchendo aquelas penosas linhas de profecias ultrapassadas, de palavrinhas cautelosas, e, sobretudo, de não comprometimento, não vá alguém assacar-lhe responsabilidades por aquele longo percurso, que conduziu ao total descrédito internacional deste país, e à sua próxima bancarrota.
bem pode pôr "gosto", por debaixo dos focinhos de leonor beleza, dias loureiro e duarte lima, que há multidões, em portugal, que, sempre que vêem essas aparições de um passado distante, sentem calafrios, e vontade de virar as costas. essa é, talvez, a pior das maleitas de passos coelho, um gajo que até poderia simpático, não tivesse aquela tendência para mudar de cor de cabelo todas as semanas, do louro ao caju, com odor de cabeleireiro de bairro. infelizmente, passos coelho tornou-se um peão menor do facebook do senhor aníbal, onde almas negras peroram sobre um passado velho de vinte anos, e um regime morto em 75.

não há facebook que torne novas velhas almas de fátima, nem aparições de 1917, e, muito menos, miguelismos, de quem já nem sequer sabe quem foi miguel.

bem pode ser moderno o facebook, que tudo o que medíocres assessores de cavaco lá vertem, em nome da abelha-mestra, só revela a sua atávica cobardia em dar a cara nos momentos cruciais da crise da nação. cavaco não foi, e nunca será, um motorista: cavaco é um inválido do banco de trás, um lastro que, depois de salazar nos ter feito perder meio século da nossa história, lhe vai acrescentar mais 20 anos de retardamento.
70 anos de atraso equivale a fazer penar um país quase um século, e isso é muito grave: acabou com fuzilamentos, na roménia, e matanças, no magreb. por cá, aníbal discute as roupinhas da irmã clara do menino jesus e saber se os seus poderes na ilha do pico poderão vir a afetar os seus fracos picos de poder.
o seu verdadeio facebook é ESTE e ESTE, toneladas de lixo visual, de onde se tirará o futuro álbum de horrores desta vergonhosa contemporaneidade.

gostaríamos de saber, não pelo facebook, mas olhos nos olhos, o que pensa cavaco do bpn, e o que vai fazer, quando não o conseguir privatizar em julho, e como vai explicar aos portugueses, em agosto, que as tais parcerias público-privadas mais não são do que os impostos de quem os paga a serem usados, não na educação, não na saúde, não na cultura nem no progresso nem no bem estar, mas nos prémios do bava, do vara e outros canalhas quejandos, de cujos nomes nem nunca ouvimos falar.
para mim, um radical desapaixonado, e que execro cavaco como nunca execrei ninguém, nem salazar, ler o facebook de cavaco está o nível das mensagens sórdidas de portas de sanitário, uns dias ligeiramente acima, outros, francamente abaixo. para isso, prefiro ir diretamente às fontes, e não acrescentar crédito a um penar tecnológico de uma mente de crendices, neurologicamente afetada e assumidamente pré-lógica.

que o dia 5 de junho lhe traga as piores surpresas, sr. aníbal.

(pentatlo do 5 de junho, no "arrebenta-sol", no "democracia em portugal", no "uma aventura sinistra", no "klandestino" e em "the braganza mothers", em pleno, e assumido, toque a rebate)

sexta-feira, maio 27, 2011

O regresso do Cavaquistão, ou a Portugalia Monumenta Pornographica



Imagem do Kaos, com dedicatória de parabéns, aos 26 anos, feitos hoje, de um dos mais brilhantes criadores desta miserável terra


Hoje, venho para escrever um texto que vai chatear muita gente.
(Domingos)
Paciência, e começo já por uma fábula de La Fontaine dos tempos modernos.

Era uma vez uma festa de aniversário, em que um grupelho de gente, que se achava país, mas mais não era do que um ajuntamento mal afamado de pessoas, combinou ir fazer um jantar de aniversário. Como vocês sabem, os jantares de aniversário têm várias etapas protocolares, umas boas, e outras menos boas, do tipo da do Obama a gaguejar, enquanto tocava "God save the Queen".
Uma delas passa pelo aniversariante chegar sempre atrasado, para permitir que as pessoas incompatíveis, que se vão sentar à mesa, se tratem como a água e o azeite, e se afastem, antes de estragarem a festa. Consequentemente, há quem chegue primeiro, e comece a pedir whiskies e martinis, gins tónicos e essas pequenas coisas, baratíssimas em qualquer restaurante, ou multipliquem as entradas, os carpaccios, as amêijoas à bolhão pato, os presuntos de parma, e há sempre uma ansiosa, que está de três meses e desejos, que quer 1/4 de Dom Pérignon, para ver se é tão bom se diz, ou ouviu dizer. Entretanto, como se sabe, já começam a chegar aqueles que se guardaram da fome o dia inteiro, para se desforrarem à pala do orçamento dos outros, e querem logo começar a pedir pratos.
Há dois tipos de pessoas nestas mesas, as do estado social, que pedem os pratos mais baratos, porque já sabem que aquilo vai sair da carteira de todos, e que nem todos têm a carteira recheada da mesma forma, e as outras, que vão sempre para o prato mais caro, já que aquilo, por norma, irá sair dividido pelos restantes, que devrão alombar com a crise.
Isto é só a primeira metada da fábula, porque, entretanto, ao chegar o aniversariante, já os martinis e os gins se multiplicaram, e os gulosos do primeiro prato já estão a contabilizar, e a enfardar, o segundo.
O álcool, como Manuel Alegre sabe, é como as cerejas, e, a meio do banquete, já toda a gente se adora desde sempre, adorará para sempre, e retoma memórias do tempo em que Saddam Hussein era o Herói do Ocidente. É este o tempo dos retardados, quando começam a abancar os que tiveram atrasos, engarrafamentos, mentiras de última hora, ou vêm só para a sobremesa, para poder manter a linha... da carteira.
Não sei quanto tempo pode durar esta fase, liguem vocês o cronómetro, e façam contas, porque eu sou péssimo delas, e nelas, mas, no final, quando a parábola entra na euforia descendente, e os casais se levantam, porque amanhã é dia de trabalho, ou têm uma goela aos berros em casa, só deus sabe se não tornada já em Maddie, e os solteiros têm uma queca marcada para de ali a meia hora, e começa alguém a dizer que é preciso fazer contas, e os empregados a forçarem com as luzes que se apagam, e, nestes entretantos, toldados pelo etílico, como o Ruben de Carvalho, antes das Assembleias Municipais de Lisboa, enfim, nestes entretantos, descobre-se que muita gente já deu à sola, e só ficou à mesa, sentado sob o olhar feroz do gerente, um grupo de palermas, que acabará por arcar com a conta inteira.
Suponho que não tenha sido exagerado no que narrei, pelo que passamos à analogia, e, depois, ao lado científico da coisa.

O início deste jantar chamou-se Cavaquismo, em que a Europa nos enchia de milhões a fundo perdido, milhões para melhorar habilitações, para melhorar especializações, para erradicar analfabetismos, para melhorar vias de comunicação rodo e ferroviárias, para criar infraestruturas, para abrir o País ao exterior, tornando competitivas as exportações, e dando espaço para que as nossas pequenas maravilhas agrícolas, vinícolas, artesanais, industriais e cerebrais se tornassem visíveis na Comunidade Europeia. Os homens que iam pescar na Terra Nova voltariam mais depressa, e com pescado para colocar, qualidade demarcada, nos novos mercados europeus. Os nossos génios inventivos já não teriam de penar ver as suas brilhantes ideias roubadas e patenteadas por outros, por falta da miserável quantia de as poder registar a nível mundial. O queijo da Serra teria mercados mais vastos e certificação, através de poderosos investimentos seletivos. Os portos de Portugal, assim como os seus estaleiros, iriam passar a praticar taxas altamente competitivas, tornando as primeiras costas da Europa uma atraente zona de passagem para o resto da Europa, acessada por uma teia viária excelente, barata, e acompanhada por uma rede de alta velocidade, que nos ligasse aos consumidores do Centro e Norte da Europa. Que tal colocar os nossos melhores vinhos, em seis horas de viagem, nos seletivos armazéns de Paris, Londres, Milão e Bona?... Magníficas universidades, a lançar nos mercados europeus crâneos poliglotas, doutorados em áreas de ponta, e todas as editoras recauchutadas e aliadas com o mercado brasileiro, para fazer ecoar as nossas melhores vozes da escritas nos escaparates das capitais onde ainda se lê. Um calçado excelente, e parcerias de modelismo e moda, capazes de criarem marcas rivalizadoras com as Lacoste, as Boss e as Armani. Os cristais da Stephens e da Marinha Grande melhorados, e os nossos tecidos a monopolizarem as procuras dos maiores estilistas mundiais. Uma rede informática a ser desenvolvida a alta velocidade, a par com a pesquisa euroamericana, e os nossos excelentes litorais a serem explorados por cadeias portuguesas de turismo de alta qualidade e preço acessível, para turistas de classe média e alta, da cansada Europa, e, ah, sim, a recebermos o melhor do intercâmbio da juventude, tornando Portugal uma referência incontornável nos lazeres dos outros povos trabalhadores. Urânio, Ferro, Volfrâmio, Ouro, Prata, Estanho e Lítio, sim Lítio, com pesquisas internas, para saber onde está o nosso petróleo, e grandiosas centrais de energia eólica e solar, unidas com o geotérmico das ilhas, com forte aposta no biodíesel.

A Europa sonhava alto com o progresso de Portugal, mas estava enganada, porque Portugal, recém saído das mãos do FMI, estava a ser governado pela maioria absoluta de uma das mais estúpidas, retrógradas, atrasada e cega ao rumor da contemporaneidade, criatura, que conhecêramos. Era um Salazar sem virtudes, cuja corte de medíocres nos fazia ressaltar, um passo em frente, e dois atrás, até ao fundo da Cauda da Europa.

Chega de lamúrias históricas, e vamos ao pragmatismo: não tenho acompanhado, senão com náusea, aquilo a que vulgarmente chamam a "Campanha Eleitoral", aliás, a campanha eleitoral é um mero pretexto para vadiar as coisas do costume, com os intervenientes da pura saturação, e vamos começar a provocação:

O Sr. Sócrates destruiu a Agricultura de Portugal?
O Sr. Sócrates destruiu os estaleiros navais de Portugal?
O Sr. Sócrates fechou as minas de Portugal?
O Sr. Sócrates fechou a Indústria Têxtil de Portugal?
O Sr. Sócrates desmantelou a rede ferroviária nacional?
O Sr. Sócrates atrasou 20 anos a ligação dos centros portugueses à alta velocidade europeia?
O Sr. Sócrates abateu a indústria pesqueira dos portugueses?
O Sr. Sócrates criou cursos fantasma, onde os "formadores" se abotoavam com os dinheiros da formação e davam "diplomas" sem saída?
O Sr. Sócrates permitiu que cadastrados, como Cardoso e Cunha, chegassem a Comissários Europeus e Esbanjadores da Expo-98?
O Sr. Sócrates reduziu o Teatro nacional a lixos La Feria?
O Sr. Sócrates deixou que o Vinho do Porto passasse a ter a etiqueta "Made in California"?
O Sr. Sócrates deixou que o país se cobrisse de eucaliptos, após o abate sistemático de oliveiras e sobreiros?
O Sr. Sócrates criou um sistema de escravos clandestinos, que vinham, em forma de pretos, cobrir o país de betão, para depois serem lançados porta fora, ou em guetos cheios de ódio e desintegração social?
Foi o Sr. Sócrates que impediu que Leonor Beleza fosse julgada, como em outros países se foi, por contaminação voluntária, ou involuntária, de doentes, com HIV?
Quem permitiu que uma "reforma fiscal" criasse um monstro financeiro, equivalente à Fraude Madoff, e chamado BPN?
Quem deu imunidade, e impunidade, a gente como Valentim Loureiro, Ferreira do Amaral, Mira do Amaral, Dias Loureiro, Duarte Lima, e aos pedófilos Eurico de Melo e Valente de Oliveira?...
Foi o Sr. Sócrates?...

Não, o Sr. Sócrates só chegou no fim do jantar, sacou a sua parte, e, quando pediu a conta, verificou que o Cavaquismo e arredores tinham sabotado o terreno para lá de tudo o que era possível. Era uma conta astronómica.

Culpem, pois, Sócrates do que é culpado, e assaquem as responsabilidades a quem antes o pôs em tais lençóis.

É bom que o FMI tenha voltado, no tempo da criatura que mais o temia, Aníbal Cavaco Silva.
Quando a organização internacional se sentou e pediu para ver as contas, não deverá ter percebido como se podia ter criado tal abismo salarial entre as bases, trabalhadoras, horas infinitas, de tarefas inúteis, num país sem agricultura, indústria, pescas, minas, nem nada que se pudesse exportar, e as cúpulas, miseráveis, sem habilitações, autocontemplativas, estranguladoras e sufocadoras de qualquer iniciativa, mas banhadas em dinheiro.

Sim, não era possível cortar salários a quem já os tinha os mais baixos da Europa, não era possível atirar com bombas de impostos a quem já tinha uma das mais barrocas cargas fiscais do tecido do Espaço Comum. Que fazer a um povo que não contraiu uma dívida, e está a ser vítima de uma dívida contraída por uma corja que viveu muito acima das suas possibilidades e das possibilidades dos restantes?... Por que é que em Portugal não havia um único culpado deste descalabro preso?... Por que é que identificados os madoffs, aind aestavam todos em Cascais, nas suas fortalezas de luxo?... Onde paravam quase trinta anos de fundos de reformulação de um país atrasado legado por Salazar, que agora estava atrasado, e legado por alguém que não assumia essa responsabilidade?... Como se podia circular num pais onde as estradas violavam todas as regras da segurança, e tinham custado dez vezes mais do que em qualquer lugar do Mundo?... Como era possível ter existido uma suspeita pedófila sob todo o Estado, e haver cinco gatos pingados a pedirem para ser indemnizados, pelo seu nome estar... sujo?... Como é que circulavam, nas estradas de um país que não produzia nada, tantos carros topo de gama?... Como é que havia tantas casas de luxo, num país sem mercado industrial, nem qualquer pretensão a praça financeira de referência?... Por que é que Portugal era, impunemente, a principal porta de entrada de tráfico de droga, de clandestinos para a prostituição, de armas e de combustíveis radioativos?...
Quem é que, afinal, governava Portugal, ou, em Portugal, o Estado estava entregue a si mesmo?...

O Sr. Sócrates, por quem nunca nutri grande admiração, apareceu no fim deste repasto. Quem construiu esta aberração foi um provinciano, chamado Aníbal Cavaco Silva, que traiu o seu País, o seu Partido e a nossa história coletiva. Em qualquer outro país civilizado, teria sido chamado ao banco dos réus da História. Em Portugal, uma vergonha europeia, foi eleito com 25% da população deste "país", à beira da Bancarrota, de que ele foi pai e avô... "Presidente da República"...
É, portanto, a estes estranhos 25% que este texto se dirige, considerando os restantes meros assistentes, e vítimas, de um ato público de agressão, à sombra, e a pretexto de um escrutínio: estas mesmas pessoas, que tanto acreditaram na credibilidade, e "hònestidàdë", do homem que destruiu Portugal, devem, agora, dar-lhe um braço amigo que o apoie, nos tempos difíceis que se avizinham. Estes 25% de Portugueses, as forças vivas do país moribundo, devem, pois, reeleger José Sócrates, para que ele possa apoiar o seu padrinho de Boliqueime, mas eu, aqui, estou a desviar-me da violência do texto, que quero retomar: Passos Coelho, que não representa ninguém, mas à sombra do qual se recomeçaram a perfilar as piores sombras do Passado, que pense no seguinte: de cada vez que forem desenterrar um cadáver mal condenado do Cavaquismo, os Catrogas, as Belezas, os Loureiros, os Cadilhes, o anão discípulo de Eurico de Melo, e lhe o puserem ao lado, estão a desencadear, em certas gerações que foram trituradas pela destruição do PSD, do País e da nossa Esperança, as mais amargas memórias. O Cavaquismo não é alternativa a nada: o Cavaquismo é um período que deveria ter tido direito ao seu Julgamento de Nuremberga, e não teve, e, se há Sócrates, é porque já tinham sido instaladas, pelo Cavaquismo, as mais sólidas raízes para o seu eclodir. o Sr. Passos Coelho tem de decidir, de uma vez por todas, se é o candidato do regresso do Cavaquismo, ou do chamado Partido Social Democrata, porque, as dívidas públicas e os desempregos não se tornam astronómicos em 6 anos; o descrédito mundial, sim, quando os emprestadores se questionam "para quê emprestar a uma gente que, quando recebeu de graça, foi, durante décadas, incapaz de acautelar o seu futuro?..."

Aníbal Cavaco Silva governou, ou governou-se, ou deixou que uns tantos se governassem, sempre convencido de que saltaria do barco no momento do naufrágio: Teve azar: 25% de pessoas que não pensam, ou que estavam tão chocadas com ter Presidenciais onde havia uma sanita e dois bidés, por esta mesma ordem, Cavaco, Alegre e Nobre, atrelaram-no, de novo, à nossa demência histórica. Acho que fizeram bem. Devem, pois, completar o par, e sentar à mesma mesa quem consumiu, e quem ficou, no fim, para pagar, ou seja, o Sr. Aníbal, mais o seu insuportável Zé, de Vilar de Maçada.

Pelo que escrevi, devem perceber que encaro o 5 de junho como uma réplica do horror de 25 de janeiro, com algumas oscilações, mais radiotividade e imprevisíveis tsunamis: José Sócrates é a figura forte e ressuscitada, e tira-lhe o chapéu quem tanto o combateu; Passos Coelho é o joguete de gente que o trucidará caso, mal, perca; Portas representa a tal terceira via, que provocou descalabros nos espetros eleitorais da Europa, e espero que o faça; o PCP ensimesmou-se, e pagará por isso, e o Bloco de Esquerda vai ver algo parecido com outra fábula, a da cigarra e da formiga.

Pelo meu discurso, já perceberam onde não vou votar, mas ficam sem saber onde votarei. Como disse, adoraria ver a cara saloia de Cavaco a ter de dar posse ao Sócrates que traiu, há dois meses. Uma coisa rápida, assim, do estilo do ganha um dia, e no dia seguinte já não ganha, só para ver a cara do outro. Será um cenário penoso, como penoso seria que Sócrates perdesse, e tivéssemos um Governo, uma Maioria, um Incontinente.
Com o meu voto, tentarei ainda tornar este cenário mais penoso, para o espetro de Belém.
Espero que, com o vosso, façam exatamente o mesmo, ou pior, se para isso tiverem imaginação :-)

(Quinteto pr'á desgraça, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

quinta-feira, abril 14, 2011

A metamorfose de Kafk..., perdão, de Sócrates, seguido de Je Vous Salue, FMI



Imagem do Kaos


Aconselho-vos a manterem olhos e e ouvidos bem abertos, porquanto estamos a viver um momento histórico único, ou, mais simplificadamente, em Portugal, o solzinho está agora a dançar todos os dias.
No fim de semana, dançou em Matosinhos, com uma apoteose como não se via, desde a captura do Gungunhana, episódio que antecedeu a queda, de podre, da Monarquia. Subitamente, e numa metamorfose a que tive de bater palmas, muito semelhante àqueles casos de morgue, em que a viúva já chora a herança que vai ter, e, suddenly last congress, o lençol mexe-se, há um dedinho que se move, e o defunto regressa à vida!...
Sendo honesto, e num tempo em que a Política deu lugar aos espetáculos reles de Berlusconi, Obama e Sarkozi, senti que Sócrates era um Bórgia, ou seja, não tinha só um currículo de crimes, mas igualmente o savoir faire, que Maquiavel tão bem contou, de envergar as vestes do interesse de Estado, com as mãos ainda sujas do sangue da véspera. Se gostasse de mulheres, certamente teria uma Lucrécia a seu lado, mas como não gosta, contentou-se com colocar Ferro Rodrigues como primeiro voto em que alguém terá de votar, já que Lisboa é a capital, e tudo o resto é betão, ou paisagem ardida, e, quando, forem pôr a cruzinha no "Engenheiro", lembrem-se de que também estão a pregar o caixão do "Casa Pia".
Acontece que, dos muitos comentários que tenho ouvido, o Sr. Sócrates regressou, triunfante, brutal, esmagador, e preparado para o seu terceiro exercício do cargo de Primeiro Ministro de Portugal. O desânimo notava-se, no fácies criminoso de Miguel Relvas -- esta é uma história para desenvolver outro dia, porque tenho de perguntar o nome da empresa, que se encarrega de ir comprando empresas falidas, que são baratas, porque estão falidas, com a particularidade de nunca as pagar, o que dá sempre jeito. Miguel Relvas, um caso típico de Lombroso, costuma estar nos jantares dessa... coisa. Depois, falaremos... -- no súbito silêncio de Portas, a Miss "Fardas", Marylin vai às tropas, que, por um instante, pensou ir ser a Carlota Joaquina da nova AD, por falta de brilho de Passos Coelho, um gajo que está a caminho da trituradora implacável do PSD, as excitações do Bloco de "Esquerda" e o avanço, imutável, do PC.
Há um leitor destes blogues que diz que a estimativa eleitoral são 33% para o PS, 33% para o PSD e 33% para os restantes. Há 1% que sobra, mas ficará para o FMI, em títulos do Tesouro (?), ou seja, o País ficará como o campo de batalha das camorras do Sporting, podendo acontecer que, dia 5 de junho, apareça uma urna, com 60 votos, que, de repente, interrompa o discurso triunfante de Passos Coelho, para dizer que o Primeiro Ministro do Portugal possa voltar a ser o Vigarista de Vilar de Maçada. Há gente sem conta que sente que houve uma espécie de segundo golpe de estado constitucional, equivalente ao dado por Jorge Sampaio, para liquidar Santana Lopes, afastar momentaneamente o pedófilo Ferro Rodrigues da chefia do Governo, e entregar o Estado ao Polvo Sócrates. Desta vez, foi a Múmia de Boliqueime, completamente gagá, que deixou o País sem Governo e sem face, entregue a uma intervenção externa, que, qualquer bom observador sabia já estar delineada na sombra, mas maquilhada de autonomia interna. A autonomia interna foi-se, e ficou claro aquilo que sempre disse: somos mandados por fora, e a realidade é uma sucessão de acontecimentos forjados, que uma comunicação social e uma máquina de propaganda habilmente treinadas, para um público médio e meão, confunde com irremediável encadear das coisas.

Caído Sócrates, com o homem que diz "não" a dizer mais uma vez "sim", e alguns palhaços a anunciarem que ainda podia ser pior, ou seja, o protonazismo do PS a colar-se à Geração à Rasca, e com a clarificação de que a "independência", em Portugal, é sempre o nome que os consolos das enfermeirinhas, os Nobres, dão, e tornam, sempre, sinónimos de ânsia de cenouras, ou, mesmo, cenourinhas, e a levantar-se na semana seguinte, o argumento mais extraordinário para ir votar nele -- e, mesmo assim, não irei, mas estimo que haja quem vá... -- é o do Kaos: se os Portugueses elegerem o homem que o anormal de Boliqueime deixou cair, seria de esperar que Cavaco fosse corrido de Belém, onde nunca deveria ter posto os pés, visto tratar-se de um dos dez criminosos que conduziram Portugal à ruína.

Suponho, pelo contrário, que isto se resolverá na rua, quando a Geração à Rasca estiver ainda mais à rasca, e todo o País perceber o que foram trinta anos de (de)sintegração europeia, conduzidos pela pior camorra que este país, este Estado-Nação mais antigo do Continente, conheceu. Haverá vária gente com as terríveis palavras de Otelo na cabeça, na boca e no coração, e, como se sabe, nada resiste a uma multidão que clama por justiça, ou, como diria Adriano Moreira, de uma velhíssima escola de valores,  "O direito à fome não está inscrito na Constituição".

O Doente de Belém, que já devia ter saído com Sócrates e sido substituído por alguém, com perfil à altura do dramatismo da situação, continua a sonhar com o Dia da Raça, a Assembleia Nacional e os vestidos da Maria, quer dizer, oficialmente, porque esta categoria de escroques, quando tenta passar despercebida, está sempre a cuidar da sola das próprias botas. Quando compra 250 000 ações, por 1 €, ou lá quanto foi, por debaixo do tapete dos mercados, caso estivéssemos num país civilizado, isto já seria motivo suficiente para que fosse imediatamente atirado para a gaveta da História, mas não foi, embora vá depois, brevemente, e de uma forma que lhe vai particularmente desagradar, porque lhe vai recordar aquele mau momento em que a sua carreira, e o seu estatuto de "integrado no Regime" foram interrompidos por umas agitações militares de umas gentes mal educadas.

Em Portugal, a má moeda cai sempre na rua, quando se conjugam duas coisas, o Povo e os Militares. Para quem perceba um pouco de Astronomia, a efeméride está iminente, e até eu, que não sou especialista em Finanças Públicas, como esse anormal que destruiu, entre 1985 e 1995, os Setores Primário e Secundário do tecido produtivo nacional, posso fazer-lhe umas contas de Finança Privada: para que o Aníbal e a Perpétua, ou a Patrícia, ou lá qual das cadelas de Boliqueime se trate, comprassem 250 000 ações do Banco Madoff, também conhecido por BPN, seriam necessários 20 anos de salário de Maria Cavaca, 900 €, todo poupadinho, à justa e bem enrascadinho. Coincide, por acaso, com os 20 anos em que esteve -- estiveram -- a destruir e envergonhar Portugal, pelo que o Sr. Aníbal, o tal Presidente que o PS se recusou a apoiar na segunda volta, quebrando uma tradição pós 25 abrilista, até tem as continhas de casa bem feitas, cagando-se zenitalmente para a situação dos restantes Portugueses.

Os srs. do FMI que chegaram, A PÉ, ao Ministério das Finanças, para se lhes deparar o que é o horror de uma teia montada durante décadas, anunciaram que vão começar pelas Autarquias e pelas parcerias público-privadas, um estado de alma que se resume assim: quando dá prejuízo, é o Estado que entra com os dinheiros; quando dá lucro, vai para os Bavas, os Carrapatosos e os Varas. Nas Câmaras, toda a gente tem o mesmo apelido, e há milhões de vascos francos.
Achamos brilhante, e que é chegada a altura de essa situação ser feita explodir, com granadas de mão, que até pode ser o FMI, ou a ETA, a lançar. Os Portugueses agradecem.

Há apenas um pequeno problema: chamaram um FMI para tratar da Economia visível, que é muito pouca coisa, se tirarmos os célebres moldes de plástico de Philipe Boutton (de Rose) e o tráfico de criancinhas, a partir da Casa Pia.
Do meu ponto de vista, deviam ter sido chamados DOIS FMIs, sendo o segundo para a Economia paralela, a dos "off-shores", dos negócios líbios de Duarte Lima e Dias Loureiro, das fundações Vara, da Feira da Ladra, dos cafézinhos e bifanas sem fatura, e de todas quelas coisas sinistras que realmente dão lucro em Portugal.
Esperemos que os técnicos do FMI tenham capacidade para abarcar a enormidade deste terreno sem rei nem roque, e o taxem.
Bastava 10% da economia paralela entrar nos cofres do Estado, e tornávamo-nos logo superavitários. O problema é a dimensão da coisa: não há nenhum técnico do FMI que tenha tempo de vida suficiente para analisar 900 anos de História, de prática, de uso, de gosto, de vício... disto.

(Quinteto do aperta as ligas da Fernanda Câncio mais as ceroulas do Cavaco, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma aventura sinistra", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers")

quinta-feira, abril 07, 2011

A queda do Império de Boliqueime, seguido de três matrioskas em forma de Sócrates





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O Império de Boliqueime foi fundado no dia 6 de Novembro de 1985, e terminou, oficialmente, no dia 6 de Abril de 2011, tendo durado, de facto, 26 anos, ou, mais corretamente, 9000 trezentos e tal dias e algumas noites de pesadelo. Comparado com o Salazarismo, podemos dizer que se manteve de pé, grosso modo, meio Estado Novo, mas com um aspeto de ainda mais velho, indigno de qualquer país dos séc. XX e XXI.
No início era o Cavaco, ainda só bimbo, e no, fim, também lá estava, mas já bimbo, e senil.

No seu período máximo de expansão, as suas fronteiras chegaram ao Rio de Janeiro, com a execução de Dona Rosalina, às Ilhas Caimão, onde estavam os "off-shores" de toda a canalha, à Líbia, onde Duarte Lima tinha negócios, à Costa Rica, de Dias Loureiro, à Venezuela, dos amigos de Sócrates, e a Cabo Verde e Angola, onde todas as pessoas decentes iam fazer o que já não podiam fazer na Europa. Era o Império onde a Corrupção nunca se punha. A sua moeda oficial era a Má Moeda, tendo o Banco Central abdicado da designação de Banco de Portugal, para se chamar Banco Português de Negócios, e os seus habitantes, de acordo com a Historiografia, eram designados por Valentes Filhos da Puta. O Regime oficial era a Plutocracia Saloia, fundada por Aníbal de Boliqueime (primeiro reinado, 1985-1985), mantido pelas regências de António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, Sócrates, e o regresso de Aníbal de Boliqueime (segundo reinado, "os cem dias", janeiro de 2011-abril de 2011)

O Sr. Aníbal entrará para a História como o cobarde que passou uma rasteira a Portugal, depois de o FMI cá ter estado, e como o cobarde que estava na sua marquise, quando o FMI voltou a ter de ser chamado. Como, em 1640, o traidor Miguel de Vasconcelos, precisava, não de ser defenestrado, mas... "desmarquisado".

As riquezas do Império de Boliqueime foram adquiridas com a destruição da Agricultura, da Indústria, das Pescas e a forte aposta nas importações, que tornaram o Império de Boliqueime o espaço mais liberal de importação de todos os subprodutos do Espaço Europeu, incluindo produtos de classe VIP, como a Coca, o Plutónio, e as moças que trabalham para as casas de perna aberta do Sr. Pinto da Costa.
O contributo do Império de Boliqueime para as grandes figuras da História foi muito vasto: La Feria, o nosso Shakespeare; Diogo Infante, a nossa Sarah Bernardt; Dias Loureiro, o Madoff lusitano; Zeinal Bava, o nosso Ghandi; Leonor Beleza, a Condessa Drácula; Armando Vara, o afonso henriques das fundações;  Tomás Taveira, o Le Corbusier português; Renato Seabra, o "ripper" da Lusitânia; Jaime Gama, a nossa Catarina, a Grande; Carlos Cruz, o Gilles de Rais, da RTP; a família Horta e Costa, todinha; Jardim Gonçalves e arredores e uma autêntica lista telefónica que não me apetece descrever aqui.

Quando o FEEF, ou que merda é essa, cá vier para resolver os problemas financeiros, e descobrir que o Império de Boliqueime não assentava em ECONOMIA NENHUMA, e vivia de fluxos virtuais entre "off-shores", vai ser complicado, porque vai ter de escavar tudo, desde Alves dos Reis, aos vestígios do Ultramar, aos Ouros e Diamantes do Brasil, às especiarias da Renascença, à pilhagem dos Mouros, da Idade Média, e ao dote da Dona Urraca, e vai ser fantástico, porque alguém vai ter de explicar a alguém como é que se pode viver 900 anos, sem fabricar nada, e permanentemente a parasitar os outros.
Não sei se os sustos têm juros, mas o susto deles vai ser aterrador.

A Carrilha, essa pederasta rebarbada, anda em bicos dos pés, a pedir que lhe dêem qualquer coisinha, e pode ser que os "skinheads" a usem, para afinar as armas de tiro de precisão, que, cheira-me, vão começar a campear por aí. Eu, intelectual, estou à margem, mas adoro estar em balcões de espetáculos, onde os facínoras são esquartejados na arena. São as minhas touradas privadas. Para a geração à rasca, que tanto queria ideias, aqui vai mais uma: fazer a listagem completa dos gajos que arruinaram Portugal. Os que ainda estão vivos transitariam para mortos, e os que já estão mortos, seriam desenterrados, para serem ardidos no pelourinho dos Távoras.

Vou terminar com Sócrates, que teve o azar de ser o último grão-vizir do Império de Boliqueime: tirando o período pré socrático, em que ele tinha a oficina de automóveis, a Sovenco, com o Vara e a Fátima Felgueiras, e a Dona Adelaide lavava escadas, conheci três Sócrates, o primeiro, o mentiroso absoluto; o segundo, o mentiroso relativo, e este, de agora, o resistente demitido, que durou uma semana. Talvez tenha sido o único momento em que senti alguma ternura por ele, pela teimosia se ter confundido com patriotismo. Ele, como o cabrão de Boliqueime, sabem que quando vier a auditoria externa, os alemães, quando puxarem os cordelinhos todos, vão dizer, como Hitler, "ich bin vom himmel gefallen", e não vão acreditar que, num retângulo tão escasso, se tenha montado tal densidade de teia de corrupção e interesses. É evidente que isto é cozinhado de fora, que a América nunca suportaria uma moeda mundial que competisse com o dólar, e, sobretudo a Grande Israel, habitando os apartamentos palacianos de East Upper Side, que decidiu que a Europa poderia colapsar, dando-nos cenouras tão grandes como um escarumba deslumbrado com a cor da própria pele, e que vai agora dar lugar ao Trump e à Sarah Palin, para mostrar em que estado de desgraça está a outrora nação mais próspera do Mundo. Até com a guerra na Líbia, os queridos, nos presentearam.
Por cá, espera-se um consenso alargado e uma unidade nacional: Dona Adelaide voltará a lavar escadas, Maria Cavaca a levantar bainhas de calças, uma cerzideira, como dizia a minha avó; a Câncio bordará bandeiras multicolores de desfiles "gay" e a Bocarra Guimarães seguirá as pegadas da mãe, que tantos desmanchos fez, a gente séria, enquanto enfermeira do Santa Maria, para que, de aqui a 100 anos, nós possamos, de cabeça erguida, retomar o pelotão da frente do "pügrèsso".


(Quinteto da queda de Boliqueime, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma aventura sinistra", e em "The Braganza Mothers")

domingo, abril 03, 2011

Entre o ouro de Salazar e um país tornado... lixo



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Hoje, passaram todos, ou quase todos os gajos que a Geração do País à Rasca deveria, por precaução, pendurar pelos pés. Há muito tempo que não se via tanta aventesma a desfilar pelas televisões. Mário Soares ultrapassou aquela derradeira fronteira da senilidade que só se vence tornando-se num alzheimerado, tratado pelo Prof. Lobo Antunes, com assento no Conselho de Estado, "et pour cause". Freitas do Amaral estava com aquele jeito de coluna com que ficou, desde que foi misturado no "Casa Pia", e depois vieram os Borges, os Marcelos, os Penas, a "adelaide" Jorge de Miranda, os Santos Silvas, o Jardim Gonçalves -- ainda não o abateram?... -- e mais uns quantos. Só faltou ouvir Dias Loureiro, com voz grave, apresentar algumas soluções para a saída da crise. Depois, subindo de patamar, apareceu a... "Coisa" de Boliqueime, a quem insistem em chamar Presidente da República, sem suspeitarem de que, de cada vez que dizem "Presidente da República" estão a fazer um diagnóstico reservado, e um prognóstico reservadíssimo da dita cuja república e do povo que nela está forçado a estar confinado.

Pois, a Múmia de Boliqueime, em pleno desastre nacional, foi cortar uma fita (!) à Batalha, acompanhado do seu emplastro, que oscila entre A+ e A-. Hoje, por acaso, numa combinação de roupa da Rua dos Fanqueiros, que criava uma ilusão de ótica de cintura Império, estava completamente A---, mas o pior estava para vir, porque os jornalistas ainda insistem em entrevistar o marido dela, que acha que nunca se deve pronunciar sobre nada -- como se de ali saísse algum oráculo superior a uma licitação de feira de cobertores de Alcoutim --, e até saiu, saiu uma pérola barroca, e maravilhosa, em que o moribundo pedia um esforço a todos os os Portugueses para que se unissem.
Eu, por acaso, já estou unido com uma multidão de Portugueses, mas CONTRA ele, e os do género, que nos colocaram nesta situação.
O milagre da coisa é que ele tinha uma receita, de solzinho a dançar, para sairmos do buraco, e cito, "por exemplo, comprometermo-nos todos a criar, todos os dias, 2 postos de trabalho (!)".
Pela minha parte, pensei logo em dois postos de trabalho, dois daqueles brasucas fugidos da defunta Carandirú, e que andam a monte por cá, no Monte da Caparica, e contratá-los para um... despacho, tipo Dona Rosalina, para a Mais Vil Figura do Estado. Eram dois postos de trabalho, temporário, mas, enquanto durasse o... trabalho, sempre iam para as estatísticas...

Isto foi a minha primeira reação de ira.

A segunda veio quando me pus a fazer contas, e, incluindo sábados, domingos e feriados, já que estamos em crise, criar dois empregos por dia daria 730 empregos por ano, o que, atendendo aos níveis de Desemprego atingidos nesta vergonhosa choldra pelo Sr. Cavaco e todos os que se lhe seguiram, daria... ora, deixa cá ver, 500 000 a dividir por 730, com uma folgazita para os anos bissextos, mais coisa, menos coisa, cerca de 680 ANOS, para refazer o que esta canalha desfez.

Nesta altura, se a televisão não fosse cara, tinha apanhado com o meu vaso, de 100 anos, dos berberes de Tamegrout nos cornos, em efígie, à falta de ser pelo natural, e deu comigo a perguntar, como pergunto todos os dias, em que estado se deixou ficar um país com uma história tão gloriosa, como a nossa, para ser representado por aquele calhambeque?...

Os últimos dias têm sido importantes: libertámo-nos do primeiro ministro que vivia num "off-shore", mas continuamos a manter uma múmia numa marquise. Evidentemente, não me compete a mim apeá-lo, a não ser através do que de mais demolidor consiga escrever, e estou a tentar escrevê-lo: porque há gente realmente à rasca, e muitos "desperados", que, quando isto galgar a berma da estrada e for pela ravina abaixo, farão o trabalho pelo bem do país. É, pois, uma questão de tempo.

Com o tempo, entretanto, joga Sócrates, que conseguiu a mais prodigiosa das coisas que foi, depois de ter destruído o seu partido, ter destruído os partidos dos outros. Como diz o camarada Bagão Féliz, intacto, neste momento, bem feitas as contas, só deve estar o Partido Comunista e a minha adorada Odete Santos, com as suas pensões e talento avultados, embora me pareça que quem está mesmo a aquecer os reatores, com consequências imprevisíveis é a extrema direita, e, já que falámos de Direita, como já várias vezes aqui referi, para mal dos meus pecados, conheço alguns dos familiares do "Engenheiro", e sei que que são capazes do "après-moi le déluge".

Fica aqui um pouco de humor: é claro que o Sr. Sócrates vai resistir a tudo, e até talvez tenha razão. Se me perguntarem como, e posta à parte essa inveterada frequentadora de macumbas e candomblés, Dilma Roussef, Sócrates tem à mão a mais antiga das receitas, depois da barriga de freira, da Áurea Miguel: vender parte do ouro do Vacão de Santa Dão, para pagar o que devemos, e mandar o FMI para o caralho.

Eu sei que isso seria elementar, mas vamos lá ver se a sua mente mentecapta de Vilar de Maçada lá chega, antes de começarem a abater a tiro a corja, porque a coisa está-se mesmo a degradar, em todas as frentes. Na sua forma habilidosa, e enquanto -- eu bem avisei de que ESTE texto era importante... -- se descobriu que havia um administrador dos CTT (quantos mais, meu deus, quantos mais...) que tinha falsificado as habilitações, e que não passava de mais um Vasco Franco de lamber selos, ou um Manuel Alegre, de vomitar rimas coxas, e, claro, o Governo não o pode demitir, porque o Primeiro Ministro está exatamente nas mesmas condições; quando se descobre que há maquinistas que ganham 50 000 €, e que o banco do Dias Loureiro, do Oliveira e Costa, do Duarte Lima, do Figo, da Catarina Furtado, e do lixo todo que anda por aí, através da Sociedade Lusa de Negócios, onde a Patrícia Cavaca, e o macavenco da Perpétua tinha milhares de ações, movimentou DEZ MIL MILHÕES DE EUROS em balcões virtuais, dos quais não vimos nada, os quais nunca foram taxados, e sobre os quais se continua a fazer silêncio, mas que estamos a pagar, através desta situação de colapso, eu pergunto: onde estão os braços fortes de Portugal, que construíram as nossas fronteiras, que nos levaram aos confins do Mundo, e nos tornaram, num tempo, ímpares, e deveriam agora vir fazer a limpeza?...

Sim, eu sei que estou a falar muito alto, e já são duas da manhã.
É claro que eles estão por aí, mas completamente anestesiados, à espera do euromilhões, ou do ópio do Povo, o clássico Benfica-Porto, por exemplo.
Que bom, que alegria, que esperança.

Felizmente há balizas... :-)

(Quinteto do zé das botas vai salvar-nos, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma aventura sinistra", e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, março 11, 2011

O mais curto mandato de Cavaco Silva





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Como dizem os provérbios, há sempre um tempo para as vinganças, que, quando vêm, melhor se servem em pratos frios.
Entre os tumultos e as inseguranças internacionais, nada se assemelha hoje mais a uma tempestade do que o mês de Março, em Portugal.
É bem feito: custou, mas foi. É o tempo justo, com os protagonistas certos nas posições corretas. Para os atiradores furtivos e para os atiradores diretos é o tempo do alvo e da mudança.

Dia 9 de Março, um dia funesto para a Nação Portuguesa, assistimos a um fenómeno que nos é particularmente próprio, o do lixo, em vez de cair para baixo, cair para cima, neste caso, para a mais alta magistratura do Estado, a Presidência da República.
Investido na sua segunda (in)dignidade, dizem que o discurso do Sr. Aníbal, de Boliqueime, foi uma vergonha. Não o vi, nem ouvi, pelo que estou perfeitamente à vontade para o comentar.

Concluído o Ciclo do Império, em que a Múmia de Santa Comba Dão deixou as colónias por explorar, e em que éramos senhores de algumas das maiores riquezas à face da Terra, deixadas escapar, para depois serem devastadas por caciques locais e predadores mundiais, ficámos perante o ciclo da última esperança, que era a de um retorno ao destino europeu.
A coisa era, então, elementar: havia um núcleo de países ricos, e desenvolvidos, que reunidos pelos critérios da manutenção da paz e da cooperação económica, iam adotando, um a um, os seus irmãos mais pobres. Portugal, recém saído da sua bruma de autoritarismo, a mais longa do Velho Continente, viu-lhe estendida a mão do Continente, nos idos de 1985. As condições não eram desagradáveis, e até tinham a melancolia da simpatia e a esperança da juventude: anualmente, em projetos conjuntos, reorganizava-se e modernizavam-se a Agricultura, as Pescas e a Economia, apostava-se fortemente na Educação e na afinação da classificação profissional, erradicava-se o analfabetismo, as batrracas e as manchas de pobreza, desapareciam as fronteiras, e passávamos todos a ser cidadãos de um espaço comum, de direitos, deveres, qualidades e distinções.

O que Portugal, ou, mais precisamente, quem governava Portugal, fez foi desbaratar esta derradeira oportunidade de modernidade e abundância. A Agricultura foi substituída por papéis fraudulentos, onde se inventavam tratores e sementeiras que nunca aconteceram, as árvores endógenas deitadas abaixo, para plantar eucaliptos, que forneciam, em monocultura, fonte de celulose para os ávidos importadores, e, se é certo que não chegámos aos extremos italianos de pôr árvores de plástico, que enganavam as fiscalizações apressadas das entidades europeias, multiplicámos esquemas cuja história, a ser um dia feita, revelaria o país infame, em toda a sua pequenez.

A rede ferroviária, espinha dorsal, desde a revolução industrial, de qualquer estado, foi desmantelada, e as suas alternativas transformadas em estradas e autoestradas desenhadas por amadores, que poupavam na camada de desgaste do pavimento, e faziam os percursos em ziguezague, de modo a coincidirem com os terrenos onde mais se pudesse sacar nas expropriações, ditadas por supremos juízes jubilados, ou mumificados, do regime deposto. O resultado foram pistas da morte, rios de dinheiro esbanjados, e anomalias viárias, que tornaram Portugal um potencial emissor do CO2 da gasolina e do petróleo, que não produzia, mas cada vez mais importava.

Os dinheiros da formação profissional, que incluíam pagamentos a formadores e formandos foram ficando pelas mãos das escolas fantasmas, ligadas aos tubarões da nova situação e a sindicalistas de caráter dúbio, que depois se casaram com badalhocas de Cascais, e desapareceram do mapa. O resultado foi mais uma multidão de analfabetos funcionais, rodeados de novas contas na Suíça, e por onde calhava.

Fundos para a edição de livros desapareceram em raízes de eucaliptos, muito deles mandados plantar por ministros sinistros, que tutelavam o Ambiente (!), ou faziam anedotas sobre hemodialisados, quando não poupavam em lotes de sangue infetados com HIV.

Os bancos, petrificados pelos excessos da Revolução, foram sendo vendidos a velhos donos, que, após indemnizações, imediatamente os vendiam a España, recebendo duas e três vezes pelo mesmo, ao colocá-los nas mãos do exterior.

O pato bravismo, que era uma receita do sou ignorante, mas quero, posso e mando, assaltou o poder, e os poucos lugares deixados vagos por um regime decapitado na rua foram ocupados por gente duvidosa, de baixa formação académica, baixa moral, péssimo civismo e desmesurada ambição, enfim, pura avidez no campo do desviar capitais.

O dinheiro abundava, podendo governar-se com três orçamentos, o do Estado, o das privatizações e o dos Fundos Estruturais.

Esta brincadeira durou dez anos, com gente a especular na Bolsa, através da posse de envelopes com informação cifrada, que anunciavam que ações iriam subir, ou cair, no dia seguinte. Fizeram-se fortunas miraculosas, ao ponto de a Bolsa ter de ser fechada, e o sistema desacreditado.

Havia gestores encarregados de fazer falir empresas, e colocar na rua operárias que se prostituíssem. Nas esquinas das pastelarias, abria um novo banco, sentava-se um novo drogado, e dormia um novo pedinte, e os industriais do Norte vinham buscar ruis pedros, para a sodomia, e a coprofilia.

O circuito da droga instalou-se, e o "jet-set" deste "bas-fonds" gastava, numa noite, o salário de multidões imensas, com o desprezo que a gentalha que subia pelas escadas fáceis nutria pelos menos espertos, que não sabiam como a coisa se fazia.

Multiplicaram-se cargos e assessores, de joelhos e na horizontal. As 100 famílias que governavam Portugal foram substituídas por 300, mais próximas das famílias da Mafia do que da Genealogia e do Apelido.

Era o "Pugrèsso", e estávamos no pelotão da frente da Europa, mano a mano com a Grécia, uma gente horrível, sem história, que se atrevia a desafiar-nos.

Quando a coisa começou a ser suspeita, resolvemos acelerar o processo, e desmantelar a frota pesqueira, cobrir os terrenos agrícolas de urbanizações de "luxo", onde se branqueavam os capitais da coca e da heroína, vender os têxteis, fechar os estaleiros, e passar, com esse dinheiro, a importar, de gente que dava comissões a alguns, à custa da destruição do trabalho de muitos, e da ruína de todos.

Dez anos passados, estávamos num pântano, e instalou-se a cultura do salve-se quem puder.

O "pügrèsso" de Portugal tinha sido falhar todas as metas para as quais a Europa tinha andado a injetar dinheiro.

Ah, esqueci-me de dizer o nome do homem que presidia a isto tudo: chamava-se Aníbal Cavaco Silva, e era sósia do cadáver que, dia 9 de Março, fez descer o cargo de Presidente da República à indignidade de o ver reeleito.

Este senhor Cavaco era casado com uma mulher de horizontes limitados, que dava o ano zero, na Católica, e que, mal o marido foi eleito primeiro ministro, passou a ir, no mini em que sempre seguia para as aulas, com motorista. O motorista do mini era o próprio pai, enquanto não arranjou dinheiro para pagar a um profissional (!)

Eu sei que tudo isto, contado assim, parece fruto de um cérebro doente, e é, mas não do meu, que sou só mero narrador: é o cérebro doente de um país inteiro, que se faz representar por esta gentalha.

Santana Lopes, que presidiu à Cultura, pagava fortunas por uma noite passada com uma puta brasileira, que fazia "cultura" como se faz hoje, mas a verdadeira epígrafe e epitáfio do regime foi o Arquiteto Taveira, um ogre, que copiava, como o Miguel Sousa Tavares, hoje, umas coisas que se faziam lá fora, e pareciam "modernas", cá por dentro, onde o gosto nunca foi famoso.

A grande prática do Cavaquismo foi o sexo anal, tal como o senhor Taveira evangelizou.

e foi esse senhor Aníbal que também deixou que proliferasse tudo o que era falso, de universidades privadas, de cursos de papelão, a escritores de escaparate de hipermercado e famílias de serviçais, que faziam, a metro, o que a baixeza e a mediania consumiam.

Eram tempos difíceis, como dizia o escroque do Senhor Júdice, ligado à Pedofilia e ao tráfico de armas e influências, quando aconselhava a miúda, da Geração à Rasca, que queria ser atriz, a servir, de dia, à mesa (!), e a a representar, à noite. Supomos que seja assim que o cavalheiro tenho posto o paneleiro do filho à frente da Quinta das Lágrimas, nas urbanizações de Coimbra, em mata protegida, e a pagar 150 € de renda por um restaurante de luxo, quando a atriz decerto estará a penar 600 €, para toda a vida, por um cubículo frio na Margem Sul.

Esta escumalha, que se instalou em todos os lugares decisórios, não os quer abandonar, a bem, nem permite que se exerça o direito de sucessão. Como todos os medíocres, necessita de se rodear de ainda mais medíocres, para que possa, por relação, brilhar, de preferência, para sempre.

Todas estas coisas somadas destruíram um país, e tornaram a coisa de tal modo imobilizada que já não será pelas forças da Razão que se resolve: são décadas de compadrio, de vícios, de coisas feitas por debaixo da mesa, de sociedades secretas que violam o princípio da paridade e da transparência, que violam o direito de isenção da Lei, que fundem os poderes político e judicial.

Elas são os princípios do Cavaquismo, a serem levados ao seu último apuro e estertor.

Quando, a tremer, o homem que passa por Presidente da República de 15% de Portugueses pronunciou o seu ridículo discurso, pronunciou-o demasiado tarde. Devia ter apelado à insurreição social, quando entrava, em cascata, o dinheiro que podia ter desenvolvido Portugal, e ele o fazia desaparecer imediatamente.

Em 1994, toureando-o na Ponte 25 de Abril, com o criminoso Dias Loureiro a disparar sobre a multidão, o Povo fê-lo cair o chão.
Não teve vergonha, e voltou, dez anos depois, esquecido de ter patrocinado todos os horrores atrás descritos. Não se lhe ouviu, nesse discurso, uma palavra sobre os 9 000 000 000 € (!) que estamos a pagar, por causa das brincadeiras dos seus amigos cadastrados do BPN, nem da incredulidade que gera a manutenção dessa obscenidade, nos mercados financeiros internacionais.

Cavaco Silva deixou sucessores, que terão levado a esta geração à rasca, mas a grande obra dessa criatura, cobarde e reptilínea, não foi uma, mas várias gerações, um país inteiro, à rasca. Quando agora apela a sublevações sociais, não é a razão que o está a fazer falar: são o medo e a cobardia, o mesmo medo ressuscitado daquelas multidões da Ponte, que o poderiam ter apeado, como qualquer múmia do Magreb.
Não era um Presidente da República que discursava: era um gajo acagaçado, um tal Aníbal de Boliqueime, filho de um poço e de uma marquise, a tentar pôr-se de lado, como se ele não fosse o alvo primordial do protesto desta geração do pântano.

Em 1985, este homem gangrenou a Democracia, a Cultura, a Economia e viabilidade do mais velho estado nação da Europa. Ele é o inimigo público nº 1, de Portugal, foi o ovo da serpente, permitiu que a serpente se tornasse fértil, e procriasse, multiplicou-a, transformou-a em sucedâneos, e deixou-a espalhar-se em prole. Hoje, senil, mal se move, senão pelos discursos farseados dos canalhas que dele precisam, na retaguarda, para sobreviver.
Todavia, é uma serpente mumificada, que, já nem no chão, agora, se consegue contorcer: vão ser preciso fortes patadas, para que volte a apresentar sinuosas curvas, na sua pele mumificada de remorsos.


(Quinteto da indignação, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma Aventura Sinistra", e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

O Dia da Ira





Imagem do Kaos


Fazia parte das minhas pequenas fantasias ver o Sr. Aníbal, de Boliqueime, atascado na merda que fez em Portugal, desde 1985, mas, desta vez, a fazer de Grande Timoneiro num país sem capitais.
Começou por nos atraiçoar, depois de termos sido espremidos pelo FMI de Soares, e deve, por critérios de justiça, penar agora, às mãos desse mesmo FMI.
Quero ver o tal Cavaco, que nos arruinou com tsunamis de dinheiro, a tirar-nos do buraco da penúria, sem um cêntimo no bolso.
É a minha "revanche" contra essa figura irrelevante do panorama mundial, que durante décadas no vexou no exterior.

Eu sei que isto nos vai custar a todos, mas é um pouco a vingança do ceguinho. A Europa, a mesma, da qual ele desviou, e permitiu que fossem desviados, os fundos fundamentais, para que Portugal tivesse dado o salto da sua pequena mundividência de Santa Comba Dão para coisas mais elevadas, como Milão, Londres ou Paris.
Sei que há um tempo para a ingenuidade, e outro para a verdade.
No tempo da ingenuidade, havia quem acreditasse que o Sr. Aníbal raramente tinha dúvidas e nunca se enganava. Eu era dos poucos que não tinha dúvidas nenhumas, e sabia que, mais tarde ou mais cedo, haveria uma multidão que iria ver o preço de estar a ser completamente enganada. Aparentemente, esse dia está próximo, como indicam os sites de apostas, onde diariamente se especula sobre o que virá primeiro: o encarceramento de João Paulo II, em Rikers Island, a canonização de Renato Seabra, ou a Bancarrota.
Por mim, virão as três em conjunto, mas isto é só uma opinião.

O Governo, previdente, na reta final de mais de vinte anos de Cavaquistão, do qual herdou todos os vícios e manhas da segunda geração, está em agonia, o que quer dizer que se encontra relativamente de boa saúde, quando comparado com o país, que já está morto.
Há uns sectores do comentarismo hilariante, como o eterno Professor Marcelo, que acredita, qual Maria Cavaca, que, com a exportação de presépios, vamos ter retoma ainda em Março, logo que a Múmia de Boliqueime, dada a Constituição que temos, tome posse do par de sapatos de cimento com que logo a seguir vai ser empurrada para o Tejo.

Defronte do Palácio, parece, já está a ser convocada uma manifestação, por sms, para repetir a cena da Praça Tahrir, em que o grunho ainda haverá de estar a perdigotar "juro, por minha honra...", etc, no meio dos babas do costume, e, já cá fora, os 11% de desempregados, os 30% que vivem abaixo do limiar da pobreza, os hemofilizados com HIV, os diplomados sem utilidade, os reciboesverdeados, os funcionários públicos que estão a pagar o BPN, o BPP, os submarinos, os assessores de levar na peida do cartão do Partido, os endividados e os sobreendividados, os que já não têm pão para os filhos, os que odeiam a simples ideia de ter Aníbal de Deus Thomaz em Belém, e enquanto o grunho diz "juro, por minha honra... etc", toda a gente tirará o sapato, e começará a mostrar-lho, e a ulular, para o outro se borrar pelas pernas abaixo, mais o traste da sua Maria, que sofre de elefantíase da cintura para baixo e de microcefalia da corcunda para cima.

Desta vez, não teremos Dias Loureiro para mandar disparar sobre a multidão, mas talvez a multidão decida disparar sobre Dias Loureiro.

Eu não quero este Portugal, e não sou o único.
É chegado o dia da ira, e eu não sou daqueles que gostam de profetizar a desgraça: prefiro que a desgraça recaia agora sobre a cabeça dos que nos desgraçaram, e que, em vez de pessimismo, lhes suceda toda a multidão de coisas péssimas que nos possam desagravar.

Mal cá entre o FMI, vai perguntar o que é isso do BPN, que está completamente falido, e consome um milhão de euros de prejuízo por minuto, e quem está, esteve e estaria ligado a ele; quanto ganham os cabrões que administram empresas sistematicamente ruinosas, e que abismo justifica os lucros de monopólios de escravidão, numa sociedade pretendida de concorrência e mercado.

Parece que a coisa é já para Abril, mas é indiferente Abril, Setembro, Outubro ou Novembro: o importante é que regressem os pavões à base, e o Sr. Constâncio e o Sr. Barroso, por exemplo, sejam julgados em praça pública, e interrogados sobre como foi possível deixar o Estado chegar ao momento de ruína em que se encontra. Se estivéssemos em 1793, não chegariam as guilhotinas para essa corja toda, mas as guilhotinas são hoje outras, e a coisa vai acabar mal: somos demasiado magrebinos, pela miséria, e temos antecedentes históricos, lusitanos, de balear gente que não presta. Não por acaso, as operações de brigadas stop multiplicam-se, mas aquilo que elas procuram, garanto-vos, já está suficientemente resguardado para impedir o que aí vem, e vem forte, como os ventos deste Inverno.

Como se costuma dizer, cá se fazem, cá se pagam. Não tirámos lição nenhuma do apodrecimento da Monarquia, nada aprendemos com o fedor da I República, nem com as conversas em família do período de Alzheimer da Velha Senhora.
A III República vai apanhar com uma lição doutoral: o seu professor será gigante, e dará aulas em ruas repletas de gente insurreta.

(Cinco quinas, a relembrar Portugal renascido, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma Aventura Sinistra" e em "The Braganza Mothers" )