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terça-feira, maio 10, 2011

Vídeos caseiros, com Pinóquios, Catrogas, Osamas e Obamas, Kates e James Middleton, ao som dos "Homens da Luta"





Imagem do Kaos


Há um lugar comum da História que diz que aquilo a que chamamos "História" não passa de uma enorme colagem de narrativas, em redor de factos, mais, ou menos, emblemáticos, que nos é depois vendida como realidade passada.
Podia começar aqui a perorar sobre o caráter vetorial de cada uma dessas perspetivas, a narrativa tépida, a empolgante, a pseudolúcida, a heróica, a épica, a lírica, a fantasiosa, a realista e a hiperalista, com todas as suas tonalidades que a levam à banalidade, mas não quero. Façam vocês.

O nosso tempo, medíocre como raras épocas da História Humana, prefere o banal, versão "soft" & "light", para não chatear muito, porque o nosso sonho é transformar tudo numa espécie de "Morangos com Açúcar" retroativo , incluindo a Renascença e o Período Medieval, como já deixa anunciar aquele miserável vídeo do "What the Finns need to know abot Portugal", que depois reatualizámos aqui, com os cortes do autor.
Esses solavancos nacionalistas são muito típicos daquelas épocas em que estamos realmente de gatas, e começamos a cantar "Contra os Bretões, marchar, marchar", e depois lá arranjamos um desgraçado de um Gungunhana, para vir exposto, em forma de leitão assado, nas vielas de uma das cidades mais porcas da Europa Ocidental.
Claro que o que estava mal não era o exterior, e o regime caiu de podre, para ressuscitar, três dias depois, ainda bem mais podre.

Esta introdução serve para o seguinte: estando nós a cavalgar o séc. XXI, de uma forma completamente desgovernada, alguém resolveu agarrar naquilo que estava escrito nos manuais, já desde os anos 50, nos Barthes, nos Foucaults, nos Baudrillards e nos etc. parecidos, já para não falar de Marx, Freud e Nietzsche, que são mais remotos, e aplicar ao Presente a mesma metodologia ficcional, adotada pela História.
A coisa é dramática, porque, tal como os meus textos espelham, em qualquer ficção, o intervalo hermenêutico entre a verdade e a mentira é nulo, o que quer quiser que a quantidade de movimento das palavras é infinitamente mais importante do que veracidade, autenticidade, ou sequer, existência, dos factos nela relevados.
Usando uma palavra bem portuguesa, isto é uma porcaria, e nós andamos alegremente a chavascar nela.
No passado fim de semana, por exemplo, assistimos a três fraudes de enfiada, e engolimos e calámos, e saturámos os motores de busca, à procura de coisas sórdidas, como a Kate Middleton, uma processadora de texto banalíssima que as comentadores, estúpidas como as casas, comparavam com a Princesa Grace, sem saberem quem era Grace, uma atriz lindíssima, que um Princípe de uma coisa com o tamanho de um quintal e com ar de ruela mal afamada, foi um dia buscar a Hollywood, para que ela lhe transformasse a enxovia numa coisa com brilho, e esplendor. Dir-se-á que conseguiu, até que as filhas devolvessem ao lugar o aspeto de um lupanar de gajas drogadas e grosseiras, mas isso é outra história, mais Middleton.
A seguir veio aquela cena de necrofilia, que mostra que Ratzinger, uma das figuras mais indecentes da História, tem uma vaidade do tamanho do Mundo, ao ponto de ir desenterrar uns ossos velhos, para confundir o cheiro da podridão com o o odor da santidade. Mais um beato disforme, e o Mundo imerso em estupidez.
Finalmente, como se já não chegasse, Obama, uma das figuras menores da História Humana, ao descarrilar ferozmente nas sondagens, resolveu fazer como nas bandas desenhadas do superhomem, e, depois de morto o vilão, ressuscitou-o, para o matar outra vez, e fazer de caçador de vilões, tal como o Ratzinger deu em fabricante de santos.

Se o antes era fedorento, aqui, já estamos no domínio do piolhoso, porque, sendo a narrativa atual, e o intervalo hermenêutico, entre a realidade e a falsidade, como disse, nulo, é indiferente se Bin Laden foi morto ali, se já estava morto, se continua vivo, se alguma vez existiu, ou se a freira que tinha Parkinson e agora toma Viagra feminino, para aguentar com a grossura de tanta beatitude, ou, mesmo, se a Kate Middleton se casou, para esconder a paneleirice do irmão, ou se foi o vice versa. Pelo sim, pelo não, o William já voltou às brigadas de salvamento, que é disso que ele gosta, porque é lá que tem as amizades viris e a cachaça, e ela finalmente conseguiu ir para os supermercados, passar cheques, até mais ver, com cobertura, em nome da Duquesa de Cambridge. Suponho que isto incarne o sonho supremo de qualquer mulher a dias, e, agora, já só falta a narrativa dos cornos e do divórcio, mas deve vir para breve, quando a Inglaterra ficar sem a Escócia, ou patinar na Bancarrota. Quanto ao Obama e ao Osama, a diferença está mesmo no "S": o Osama conseguiu ter um dia de celebridade, no inenarrável 11 de Setembro, que tanto lamento, enquanto o seu quase homónimo bem se esforça, mas nunca conseguirá nenhum dia para além do morno. Paciência: brevemente irá para a gaveta da História, com rótulo secundário.

Por cá, a coisa está horrorosa, com um país endividado até aos cabelos, e que ainda se deu ao luxo de passar pela vergonha de chamar gente para emprestar dinheiro, e depois dizer, "mas eu não quero assim, quero assado, e aquele ali é que é culpado, porque eu não fiz nada, portanto, para nós é assim, mas com algumas diferenças, senão não queremos, etc..."

Nunca fui do FMI, nem quero ser, mas, se fosse, fazia uma pausa, e dizia, "olha, pessoal, vamos parar um bocadinho, vocês chamam um limpa chaminés e um desentupidor de esgotos, e, depois, continuamos, ou... não".
Por mim, não continuava, e fazia como os Alemães, que mandaram os Gregos vender as Ilhas, e fossem pedir dinheiro a quem o sacou, as ações do Cavaco, os "off-shores" da Família Kusturica de Vilar de Maçada, o Dias Loureiro, o Zeinal Bava, o Catroga, o Carrapatoso, o Sarnoso, o Piolhoso, e pusessem o Cristiano Ronaldo em hasta pública. O Mourinho é mais difícil, porque já foi comprado muuuuuuuitas vezes, e está à beira de ser abandonado pela Mafia Russa.

Politicamente, as eleições de 5 de junho têm apenas uma coisa certa, que é a presença de Paulo Portas no Governo, dependendo o cangalho que se lhe vai pendurar no braço, direiro, ou esquerdo, de umas minudências, na casa das centésimas, ou, mesmo, das milésimas. O PCP fez uma triste figura, e recuou aos idos de 75, e o Bloco de Esquerda, brevemente, vai ter os seus brilhantes oradores completamente roídos pelo carunho que lhe serve de alicerce.

Quanto as eleitores de Lisboa, o meu caso, e onde tudo se decide, têm duas maravilhosas coisas para engolir: os do PS, o de votarem em Ferro Rodrigues, que, por acaso, até tem um sósia de paneleirice, que ataca no Cais do Sodré, ao fim da tarde. Aqui fica o convite aos interessados, para irem verificar o fenómeno, mas não invalida que o cabeça de lista, por Lisboa, esteja na lista negra das coisas da Ética, mas, como a Ética não existe em Portugal, isso até é indiferente; os do PSD, por sua vez, apanharam com petisco idêntico, um carreirista, chamado Fernando Nobre, podre como todas as coisas podres que este país consegue produzir, e até podem ir votar nele. Os de Oeiras também não votam no Isaltino?..., Portanto, estejam à vontade, que é tudo vosso, amiguinhos.

As pessoas inteligentes, desapaixonadas, desiludidas, céticas, boquiabertas, nas quais presentemente me incluo, como muitos dos meus leitores, estão naquela franja do voto errático, apostado em provocar o máximo de estragos possíveis, e -- vou falar agora de mim -- capazes de molestarem a figura politica que mais detesto em Portugal, Aníbal Cavaco Silva, o Vovô Bancarrota. Não vou voltar a despejar aqui todos os horrores que essa  criatura ignominiosa fez a Portugal, sempre com o mesmo ar saloio, imbecil e mediano, mas juro que me daria um enormíssimo prazer vê-lo a empossar um governo totalmente hostil à sua sombra degenerada, sobretudo, com o Sr. Sócrates, sobre o qual eu já escrevi os piores horrores que alguém já escreveu em Portugal, mas que eu adoraria ver a tomar posse como Primeiro Ministro, para ver se o "homem honesto", que só admite concorrência de gente que tenha nascido duas vezes, fosse mesmo honesto e coerente, e se demitisse, depois de empossar o mesmo homem a quem tirou o tapete, na pior altura.

Eu sei que estão a detestar, mas eu também já detesto muita coisa há muito, e hoje apetece-me desabafar, e vou ser cruel: se, dia 5 de junho, José Sócrates ganhar as eleições, nós vamos engolir sapos, cobras e lagartos, mas vai-me saber tão bem ver as fuças do Aníbal e da sua enfermeira, Maria... ai, sim... e... ah, aviso já que, com a massa crítica negativa que o Passos Coelho, que até nem acho mau gajo, ao contrário do Zé de Maçada, leva, também vamos assistir a um estanpanço, a 200 à hora, contra um muro de granito. Será outro cenário delicioso, pelo que, como podem imaginar, os dois eventos pelos quais estou ansiosamente à espera são, hoje, o Festival Eurovisão, e o 5 de junho.

A Geração à Rasca, um fenómeno que começa nas favelas do Rio, passa por Ciudad Juàrez, pelo Norte de África, e acaba nos meninos que pagaram 400 € de propinas, na Católica, na Lusófona e afins, e ficaram a viver na casa dos pais, não é um começo, nem um axioma, é, antes, um corolário de um estado de coisas, no caso específico de Portugal, de uma geração que se aproveitou de uma Revolução, para ocupar os lugares de topo deixados pela elite, e substitui a elite, por mais duvidosa que fosse, pela ralé presente, com a agravante de que ocupou e NUNCA MAIS DE LÁ SAIU, e podíamos despejar aqui os nomes todos, a badalhoca Clara Ferreira Alves, que, camaleonicamente, tenta andar sempre a fingir que não teve nada com a coisa, o Medina Carreira, que gosta é de festas, e faz de conta que está no contra, toda a Geração Soares, a Geração asquerosa do Cavaco, os sobrinhos, em forma de "Cherne", de "Festa do Avante" e opusdeidados do Guterres, os belmiros, os amorins, os dias loureiros, o eterno Pinto da Costa, os aventalados, os Carrilhos, os Constâncios, pai e filho, a corja toda dos CTT, da PT, da Galp, da TAP, da ANA, da EDP, da REN, da CP, o "lobby" do ISCTE, que precisa de ser severamente castigo, sobretudo, na pessoa daquele António Barreto, umas das bocetas de pandora deste curral, e por aí fora, por aí fora, que não me apetece gastar mais teclado. Como Aristóteles ensinava, duas coisas não podem, simultaneamente, ocupar o mesmo espaço, pelo que, quais as esperanças de um nova geração vir a ocupar o nichos onde estão grudadas lapas velhas e bafientas?... Deixo aqui uma sugestão, para os que estão mesmo enrascados, que é a de fazerem render os atributos. Até eu pensei pôr a cabeleira da Lola Chupa, e pôr-me a ganhar dinheiro aqui... :-)

(Nota: já lá apanhei ontem um Juiz do Tribunal Constitucional. Vão ver e pode ser que o encontrem...)

Volto sempre àquele célebre tirada do Lincoln, que diz que se pode enganar toda a gente, durante um certo tempo; que se pode enganar, todo o tempo, alguma gente, mas não se pode enganar, o tempo inteiro, toda a gente.
O Sr. Obama, num nível de estupidez inferior ao do Sócrates, continua a pensar que pode enganar toda a gente, todo o tempo e que ainda há quem aplauda.
Não pode, mas nós vamos pagá-lo caro, porque ele tem, sempre teve, um mandato para destruir, depois da América, a Europa e o Euro. Está a trabalhar afanosamente para isso, ofereceu-nos uma guerra, na Líbia, que poderá acabar com armas químicas e uma bomba suja, numa metrópole europeia, e arranjou agora o episódio de ficção Bin Laden, para que nós, que ainda não tivémos a... "coisa", saibamos o que é um 11 de setembro europeu. Como o caneco se vai embora em 2012, temos um ano para ver a profecia cumprida: ou é a Torre Eiffel, ou o Túnel da Mancha, ou S. Pedro ou... sei lá, os sanitários de Santa Apolónia.
A esperança é que os "Homens da Luta", incarnando todo o mal estar geracional que mina o Hemisfério Ocidental ganhem a Eurovisão. Como isto é uma ficção, seria interessante. O contrário será apenas adiar um pouco mais o holocausto fundamentalista a que vamos assistir, ainda este ano.

(Quinteto das deolindas, 40 anos depois, já com ar de cavacas velhas, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers")

quinta-feira, abril 14, 2011

A metamorfose de Kafk..., perdão, de Sócrates, seguido de Je Vous Salue, FMI



Imagem do Kaos


Aconselho-vos a manterem olhos e e ouvidos bem abertos, porquanto estamos a viver um momento histórico único, ou, mais simplificadamente, em Portugal, o solzinho está agora a dançar todos os dias.
No fim de semana, dançou em Matosinhos, com uma apoteose como não se via, desde a captura do Gungunhana, episódio que antecedeu a queda, de podre, da Monarquia. Subitamente, e numa metamorfose a que tive de bater palmas, muito semelhante àqueles casos de morgue, em que a viúva já chora a herança que vai ter, e, suddenly last congress, o lençol mexe-se, há um dedinho que se move, e o defunto regressa à vida!...
Sendo honesto, e num tempo em que a Política deu lugar aos espetáculos reles de Berlusconi, Obama e Sarkozi, senti que Sócrates era um Bórgia, ou seja, não tinha só um currículo de crimes, mas igualmente o savoir faire, que Maquiavel tão bem contou, de envergar as vestes do interesse de Estado, com as mãos ainda sujas do sangue da véspera. Se gostasse de mulheres, certamente teria uma Lucrécia a seu lado, mas como não gosta, contentou-se com colocar Ferro Rodrigues como primeiro voto em que alguém terá de votar, já que Lisboa é a capital, e tudo o resto é betão, ou paisagem ardida, e, quando, forem pôr a cruzinha no "Engenheiro", lembrem-se de que também estão a pregar o caixão do "Casa Pia".
Acontece que, dos muitos comentários que tenho ouvido, o Sr. Sócrates regressou, triunfante, brutal, esmagador, e preparado para o seu terceiro exercício do cargo de Primeiro Ministro de Portugal. O desânimo notava-se, no fácies criminoso de Miguel Relvas -- esta é uma história para desenvolver outro dia, porque tenho de perguntar o nome da empresa, que se encarrega de ir comprando empresas falidas, que são baratas, porque estão falidas, com a particularidade de nunca as pagar, o que dá sempre jeito. Miguel Relvas, um caso típico de Lombroso, costuma estar nos jantares dessa... coisa. Depois, falaremos... -- no súbito silêncio de Portas, a Miss "Fardas", Marylin vai às tropas, que, por um instante, pensou ir ser a Carlota Joaquina da nova AD, por falta de brilho de Passos Coelho, um gajo que está a caminho da trituradora implacável do PSD, as excitações do Bloco de "Esquerda" e o avanço, imutável, do PC.
Há um leitor destes blogues que diz que a estimativa eleitoral são 33% para o PS, 33% para o PSD e 33% para os restantes. Há 1% que sobra, mas ficará para o FMI, em títulos do Tesouro (?), ou seja, o País ficará como o campo de batalha das camorras do Sporting, podendo acontecer que, dia 5 de junho, apareça uma urna, com 60 votos, que, de repente, interrompa o discurso triunfante de Passos Coelho, para dizer que o Primeiro Ministro do Portugal possa voltar a ser o Vigarista de Vilar de Maçada. Há gente sem conta que sente que houve uma espécie de segundo golpe de estado constitucional, equivalente ao dado por Jorge Sampaio, para liquidar Santana Lopes, afastar momentaneamente o pedófilo Ferro Rodrigues da chefia do Governo, e entregar o Estado ao Polvo Sócrates. Desta vez, foi a Múmia de Boliqueime, completamente gagá, que deixou o País sem Governo e sem face, entregue a uma intervenção externa, que, qualquer bom observador sabia já estar delineada na sombra, mas maquilhada de autonomia interna. A autonomia interna foi-se, e ficou claro aquilo que sempre disse: somos mandados por fora, e a realidade é uma sucessão de acontecimentos forjados, que uma comunicação social e uma máquina de propaganda habilmente treinadas, para um público médio e meão, confunde com irremediável encadear das coisas.

Caído Sócrates, com o homem que diz "não" a dizer mais uma vez "sim", e alguns palhaços a anunciarem que ainda podia ser pior, ou seja, o protonazismo do PS a colar-se à Geração à Rasca, e com a clarificação de que a "independência", em Portugal, é sempre o nome que os consolos das enfermeirinhas, os Nobres, dão, e tornam, sempre, sinónimos de ânsia de cenouras, ou, mesmo, cenourinhas, e a levantar-se na semana seguinte, o argumento mais extraordinário para ir votar nele -- e, mesmo assim, não irei, mas estimo que haja quem vá... -- é o do Kaos: se os Portugueses elegerem o homem que o anormal de Boliqueime deixou cair, seria de esperar que Cavaco fosse corrido de Belém, onde nunca deveria ter posto os pés, visto tratar-se de um dos dez criminosos que conduziram Portugal à ruína.

Suponho, pelo contrário, que isto se resolverá na rua, quando a Geração à Rasca estiver ainda mais à rasca, e todo o País perceber o que foram trinta anos de (de)sintegração europeia, conduzidos pela pior camorra que este país, este Estado-Nação mais antigo do Continente, conheceu. Haverá vária gente com as terríveis palavras de Otelo na cabeça, na boca e no coração, e, como se sabe, nada resiste a uma multidão que clama por justiça, ou, como diria Adriano Moreira, de uma velhíssima escola de valores,  "O direito à fome não está inscrito na Constituição".

O Doente de Belém, que já devia ter saído com Sócrates e sido substituído por alguém, com perfil à altura do dramatismo da situação, continua a sonhar com o Dia da Raça, a Assembleia Nacional e os vestidos da Maria, quer dizer, oficialmente, porque esta categoria de escroques, quando tenta passar despercebida, está sempre a cuidar da sola das próprias botas. Quando compra 250 000 ações, por 1 €, ou lá quanto foi, por debaixo do tapete dos mercados, caso estivéssemos num país civilizado, isto já seria motivo suficiente para que fosse imediatamente atirado para a gaveta da História, mas não foi, embora vá depois, brevemente, e de uma forma que lhe vai particularmente desagradar, porque lhe vai recordar aquele mau momento em que a sua carreira, e o seu estatuto de "integrado no Regime" foram interrompidos por umas agitações militares de umas gentes mal educadas.

Em Portugal, a má moeda cai sempre na rua, quando se conjugam duas coisas, o Povo e os Militares. Para quem perceba um pouco de Astronomia, a efeméride está iminente, e até eu, que não sou especialista em Finanças Públicas, como esse anormal que destruiu, entre 1985 e 1995, os Setores Primário e Secundário do tecido produtivo nacional, posso fazer-lhe umas contas de Finança Privada: para que o Aníbal e a Perpétua, ou a Patrícia, ou lá qual das cadelas de Boliqueime se trate, comprassem 250 000 ações do Banco Madoff, também conhecido por BPN, seriam necessários 20 anos de salário de Maria Cavaca, 900 €, todo poupadinho, à justa e bem enrascadinho. Coincide, por acaso, com os 20 anos em que esteve -- estiveram -- a destruir e envergonhar Portugal, pelo que o Sr. Aníbal, o tal Presidente que o PS se recusou a apoiar na segunda volta, quebrando uma tradição pós 25 abrilista, até tem as continhas de casa bem feitas, cagando-se zenitalmente para a situação dos restantes Portugueses.

Os srs. do FMI que chegaram, A PÉ, ao Ministério das Finanças, para se lhes deparar o que é o horror de uma teia montada durante décadas, anunciaram que vão começar pelas Autarquias e pelas parcerias público-privadas, um estado de alma que se resume assim: quando dá prejuízo, é o Estado que entra com os dinheiros; quando dá lucro, vai para os Bavas, os Carrapatosos e os Varas. Nas Câmaras, toda a gente tem o mesmo apelido, e há milhões de vascos francos.
Achamos brilhante, e que é chegada a altura de essa situação ser feita explodir, com granadas de mão, que até pode ser o FMI, ou a ETA, a lançar. Os Portugueses agradecem.

Há apenas um pequeno problema: chamaram um FMI para tratar da Economia visível, que é muito pouca coisa, se tirarmos os célebres moldes de plástico de Philipe Boutton (de Rose) e o tráfico de criancinhas, a partir da Casa Pia.
Do meu ponto de vista, deviam ter sido chamados DOIS FMIs, sendo o segundo para a Economia paralela, a dos "off-shores", dos negócios líbios de Duarte Lima e Dias Loureiro, das fundações Vara, da Feira da Ladra, dos cafézinhos e bifanas sem fatura, e de todas quelas coisas sinistras que realmente dão lucro em Portugal.
Esperemos que os técnicos do FMI tenham capacidade para abarcar a enormidade deste terreno sem rei nem roque, e o taxem.
Bastava 10% da economia paralela entrar nos cofres do Estado, e tornávamo-nos logo superavitários. O problema é a dimensão da coisa: não há nenhum técnico do FMI que tenha tempo de vida suficiente para analisar 900 anos de História, de prática, de uso, de gosto, de vício... disto.

(Quinteto do aperta as ligas da Fernanda Câncio mais as ceroulas do Cavaco, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma aventura sinistra", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, março 29, 2011

Sócrates e o seu "Dia da Dignidade"



Imagem do Kaos e dedicado ao xatoo, em homenagem ao criador de um dos lugares mais bem informados da blogosfera 





É sabido que o sr. sócrates nunca foi bem visto por estes blogues, e que, se isto fosse um país normal, já não deveria ser primeiro ministro, pelo menos, desde o fatídico ano de 2007, em que a porcaria toda associada ao seu "diploma" foi posta a nu. acontece que nada temos de normal, e a coisa seguiu para bingo, com episódios cada vez mais rançosos, mulheres a dias na pasta da educação, seguida de cadelas sorridentes do conto do vigário, de armandos varas, de apitos, de freeports, de bpns, de faces ocultas e de uma série de coisas que, sinceramente, já esqueci.
nessa altura, ainda éramos ingénuos, e acreditávamos que o fenómeno sócrates se esgotava na pessoa física do sr. sócrates e nos arredores da sua vaidade. tudo o resto eram anedotas, relacionadas com um nariz de batata que vestia armanis, pegava de empurrão, com o diogo infante a segurar-lhe pela correção da língua e a câncio a assistir, de perna aberta, e esfregona na mão.

entretanto, tudo piorou, como sabem, e esta coisa, a que alguns ainda insistem em chamar país, mas que só é uma bandeira de conveniência de todas as mafias, com a turca, agora, parece, a chefiar, aproximou-se perigosamente do seu colapso existencial.

o sr. sócrates nunca foi aquilo que, propriamente, se poderia chamar um patriota, já que era nativo de um, ou vários, "off-shores", o que, mestiçado com adn jeová, meios irmãos, meios tios, meios primos e uma meia de leite, quando o venezuelano já se tinha vindo na boca de um cliente anterior, nos levou a este estado.

de sócrates, poderemos, um dia, dizer que foi mau o dia em que lá o pusémos e ainda pior o dia em que de lá o tirámos, porque o dia em que saiu, ao contrário do dia em que entrou, foi um vexame internacional, em que um país, destruído pelo cavaco, e que importa tudo o que consome, se pôs nas pontas dos pés e disse ao bando de facínoras que gere a dinâmica europeia, merckels, sarkozys, camerons e outras porcarias do género, incluindo o cherne, o "presidente" da europa (um gajo que tem cara de belga frequentador da casa dos érres), e a ministra, ou lá o que é aquilo, dos negócios estrangeiros da federação europeia, uma retrognata com ar de engomadeira de vale de cavalos, disse que não queria pagar, e fez uma birrinha, e mandaram, para bruxelas, o representante de portugal, vergonhosamente descalço.
do meu ponto de vista, que venho de outros valores, foi feio, desinteressante, e colocou o país na capa de tudo o que era a imprensa abutre, à espera do dia em que a carcaça, ferida de morte, caísse no chão. o penteadinho do psd, a quem alguma bruxa deve ter vaticinado um brilhante futuro, voltou para o passado, com a cloaca enfiada entre as pernas, depois de o patronato lhe ter dito que o achava muito jeitoso, e que se fosse "doce" até dava uma voltinha com ele, mas acontecia que não era doce, e que a coisa estava mesmo amarga, a modos que era melhor que começasse a alinhar com aqueles que mandavam nele, e em todos nós, ou ia fora da carroça, num par de dias.
amochou, e prometeu iva a 25, 26, 30, 80, tudo o que eles quiserem.

suponho, para bom entendedor, que os últimos dias mostraram que quem manda em portugal já não são primeiros ministros portugueses, ativos, ou demissionários, mas uma teia infinitamente mais implacável, externa, que talvez não seja bom, nem conveniente, contrariar.

defendi, em tempos, que portugal estava a ser usado como palco para uma experiência global, dos senhores do mundo: um povo que nunca teve muito, de maneira que até se podia acomodar a viver com um pouco menos, que sempre conheceu desníveis brutais entre o topo e a base; inculto, ou simples leitor das ficções do "expresso", o que vem dar ao mesmo; crente em causas naturais e milagres da fé; capaz de ver o solzinho a dançar, enquanto a europa se desfazia em guerras, etc., ou seja, para esses cavalheiros, que queriam, e querem, transformar a europa numa china ocidental, de baixos salários e jorna de sol a sol, éramos ideais, porque sempre tínhamos sido assim, e por aqui vieram, e instalaram o... laboratório.
veio a "assembleia nacional" e decidiu que o processo podia parar, e, quando enviaram, descalço, o sr. sócrates, para bruxelas, acompanhado pelo cãozinho de estimação, para ver qual dos dois pegava, tivémos a desagradável surpresa de saber que vieram ambos, pela posta restante, devolvidos, com a recomendação de que, ou cumpriam a receita, ou a cozinha fechava.
a isto, suponho, chama-se fim da soberania nacional, também conhecida por "porreiro, pá".
acho que já perceberam onde é que queria chegar, mas volto a ressalvar que foi dos poucos dias dignos de sócrates, aquele em que foi, de trouxa à cabeça, representar um povo falso, de traidores e capaz de tudo, até de fingir que quem ia a bruxelas não era o representante de portugal, mas um tal de sr. sócrates, que as pessoas até nem conheciam de lado nenhum, e ele que se desenrascasse, o malandro.
enganaram-se, a acaba aqui o meu elogio ao único dia digno de sócrates, que nada me espantará, se voltar já em junho e em força.

toda a gente está a adorar o filme, mas eu vou contar-vos o filme de uma maneira que vão deixar de o adorar.
a história é muito simples, e segue mais ou menos o enredo da primeira, mais do que da segunda guerra do golfo: na segunda, havia armas de destruição maciça, que, depois... não havia; na primeira, pelo contrário, houve a ficção de um país grande, e mauzão, que invadia um país pequenino, e bonzinho, e, à sombra disso, o sr. bush pai, talvez o último grande estadista do séc. xx, inverteu toda a ordem mundial imposta pela guerra fria. houve um ataque como não se via desde os camaradas hitler e estaline, nunca se percebeu quantos mortos morreram, e pouca gente sabe, mas está aqui, que a ordem de invasão do koweit foi um ato consentido dos usa, e o totó caiu na ratoeira, como depois voltou a cair, quando acreditou que os países que lhe forneciam obsoletas armas de destruição maciça nunca o atacariam, nem enforcariam.
enganou-se.

o filme da líbia é muito parecido: uns coitadinhos, aparentemente, os mesmos que chacinavam europeus, em ataques terroristas, e tiravam fotos, depois de mortos, com marines sádicos, com perfis e idades de renatos seabras, foram sendo encurralados, encurralados, encurralados, por um dos grandes porcos da história, o travesti she-male kadafi, que só bebe leite de camela -- e por isso deitou um olhar tão apaixonado à maria cavaca, quando nos visitou... -- e, de repente, quando tudo parecia perdido, o homem branco, ocidental, "interviu" e começou a varrer aquela porcaria toda, com a plateia de cá a bater palmas.
por mim, é indiferente, porque cheguei a um nível de cinismo duplo dos sorrisos de dromedário da isabel alçada: sou titular do nojo que ela me mete, e espectador abrupto destes filmes de ficção barata: de cada vez que os heróis europeus destroem um avião do "coronel", é mais um avião que os futuros "coronéis" sucessores da traveca líbia irão comprar aos grandes fabricantes de armas mundiais, nomeadamente usa, uk e frança, ou seja, vão comprar duas vezes aviões, a primeira, em que já tinham comprado, e a segunda, em que o vendedor bombardeou o que tinha acabado de vender. acho maravilhoso, e suponho que o programa se vai chamar, brevemente, "petróleo por aviões", com o engenheiro guterres, pelo meio, a entreter umas gajas de burka, que fazem gluglu com a boca, e sofreram excisão feminina, como o zezé castel' branco.
nós aplaudimos, e até gostamos.

eu podia acabar o enredo por aqui, mas vou só acrescentar uma coisa, aliás, duas: a primeira é que, quando cair o verdadeiro alvo disto tudo, a casa de saud, uma nojeira inventada para ocupar a epiderme dos poços de petróleo da arábia saudita, vai ser substituída por um cavalheiro muito gentil, o emir do qatar, dono da al-jazeera, que, como quem não quer a coisa, nós agora nos habituámos a ver, com o mesmo prazer das manhãs do goucha, os dias difíceis da Carrilha, e as ressacas da "branca", do miguel sousa tavares. o sr. kissinger, um dos mais antigos patrões do mundo, lá se vingará finalmente do seu kadafi, esquecendo-se de que kadafi, como nixon, que ele serviu, é um paranóico, esquizofrénico, psico e sociopata, com um perfil tirado polo natural de adolph hitler; a segunda é que, quando kadafi perceber que estão mesmo a querer livrar-se dele, pode transformar tripoli numa grande fukushima, ou enviar alguns presentes de plutónio, ou afim, para a decadente europa, onde reinam as du barry de sarkozy e berlusconi, e os efebos do demissionário sócrates, e as futuras assessoras "doce", do madeixado de caju, do psd.

querem perguntar-me onde está a graça disto tudo?...

em lugar nenhum, exceto se a geração à rasca começar a sair, cada dia, cada vez mais, e cada vez mais forte, por cá, e pela europa, e pelo mundo todo, e os homens da luta, com uma canção medonha, pela primeira vez, ganhem aquela abjeção, que é o festival da eurovisão, e façam a europa levantar armas.
nós estaremos na linha da frente, com a autoridade que nos dá termos a mais antiga múmia do magreb ainda a ocupar o palácio de belém, e a discutir, como quando caiu constantinopla, se é a mafia turca ou a russa que vão dominar o sporting.
questões tomistas, meu caro watson.

(quinteto do fmi já vem aí?..., no "arrebenta-sol", no "democracia em portugal", no "uma aventura sinistra", no "klandestino" e em "the braganza mothers")

sábado, fevereiro 26, 2011

2000 Anos de "Expresso"





Imagem do Kaos

Há uma corrente da Historiografia, muito próxima do senso comum, que diz que toda a História não é mais do uma série de tentativas falhadas  de narrativa. Hoje, não estou muito para filosofias, pelo que vou já pelas autópsias.

O "Expresso" completa hoje 2000 anos, e não é todos os dias que se alcança tal longevidade. Na realidade, como em todas as estações da vida, falar do "Expresso", em abstrato, é uma coisa tão lata como querer ver a Brigitte Bardot, curva e boazona, de outrora, naquele grande canyon neofascista de rugas, que, na contemporaneidade, se revolve entre línguas eróticas de gato e olho de vidro do Le Pen.

O "Expresso", para quem não se lembre, vem do tempo da Outra Senhora, em que só havia uma Verdade, a do "Diário da República", e a voz do Ministro da Propaganda. Se quiserem uma diferença entre os órgãos do Regime e o "Expresso" era a diferença que vai do café curto à meia de leite: com um pouco de sorte, sentavam-se à mesma mesa, e partilhariam longas conversas em família, se não tivesse havido um rotura de paradigma político que fez o "Expresso" passar a sofrer da Síndroma de Cavaco, ou das carreiras interrompidas. A seu modo, se houvesse um aligeiramento da Velha Senhora, as vozes sucessores da Propaganda já lá estariam todas a estagiar, como depois ficaram.

Como na Historiografia, o sonho do "Expresso" foi sempre substituir a Realidade por um narrativa contemporânea. Não precisava de ser muito convincente, mas só... à justinha. Num povo com grau de literacia baixíssimo, tudo o que aparecia na primeira página do "Expresso" era mais forte do que a Realidade, e ai de quem se atravesse a contrapor a Realidade à narrativa jornalística do "Expresso", e assim nasceram os monstros que nos conduziram ao presente impasse, sempre com um verniz de elitismo, só possível neste país de pés de chinelo.
O "Expresso" é, sempre foi, e arrisco que continuará, por mais cosméticas de revelações que prometa, o oposto das "Wikileaks": por detrás dessas "audácias", haverá sempre um frete político.
A maior virtude do "Expresso" era, é, sempre foi, a sua tenacidade, quer no louvor, quer na anatemização, talvez devido ao ninho de lacraus que é, e ai de quem lhes cair em desgraça, porque o espírito inquisitório tem o braço longo, e pode durar... milénios, éons, todo o tempo de Bilderberg :-)

A história do semanário não me interessa, talvez por que só o tenha comprado meia dúzia de vezes, mas recordo que, com o tempo, passou a sofrer dos vícios das matronas, muita base, muito baton, muito rimel, e roupas vistosas e quinquilharia para encher o olho. Na "période vache" já tinha sacos de plástico suficientemente grandes para a pessoa o poder comprar, despejar o conteúdo no primeiro caixote de lixo à mão, e poupar num saco do LIDL, trazendo o do "Expresso" no bolso, para o encher depois, com bens de primeira necessidade.

Do "Expresso", podemos dizer que tudo o que foi mau por lá passou, e sofreu dos problemas das rotundas, soluções urbanísticas que, como toda a gente que tem formação na área, como eu, sabe que são a maior asneira, no planeamento de tráfego: se, de quatro vias, que nela confluem, houver uma de escoamento rápido, uma média e uma lenta, ganha, passado dez minutos, sempre a lenta, tornando a rotunda num inferno. Como se sabe, isto é irrelevante para os autarcas corruptos, já que lhes permite pagar o mamarracho escultórico do centro, ao amigo do cinzel mais próximo.

Com o "Expresso", sucedeu o mesmo: era, foi, é uma rotunda do pensamento, onde se cruzaram mentes brilhantes, monos e puros medíocres. Pelo processo entrópico, as mentes brilhantes foram fugindo e brilharam os monos medíocres. Eu sei que toda a gente espera que eu torne a coisa nominal, e eu torno: do bom, relembro Luísa Schmidt, e os seus textos, inimitáveis, na qualidade da forma e da informação cívica: dos maus, só me estão a vir à cabeça duas criaturas que provocaram o maior desastre cultural dos anos 80 e 90 de Portugal, chamavam-se, e chamam-se, Alexandre Melo e Clara Ferreira Alves. Do primeiro, dizia-se que promovia os artistas que o comiam, e os que lhe ofereciam obras, quando não gostavam de o comer. Entregou a criação portuguesa aos subúrbios da Fundação Luso-Americana, a soldo da qual arruinou a especificidade cultural nacional por subprodutos que uns quantos pobres diabos repetiam por cá, depois de saídos de moda em Nova Iorque. Lixo, com o nome de Pedro Cabrita Reis, entre outros. De Clara Ferreira Alves, ignara e vingativa, corria que lançava os escritores que a cobriam. O meu editor fez-me claramente a proposta, mas eu preferi a obscuridade à indignidade, sabendo que o Tempo tudo depois reporia.

O tempo mais triste do "Expresso" veio com o surgimento do glorioso "Independente", que inaugurava uma maneira impoliticamente correta de falar dos acontecimentos, sem o tom de Diário da República, tão ao gosto do Sr. Balsemão.
Como se sabe, nada do que é bom dura sempre, e o mau pode eternizar-se. O "Independente" desapareceu, a Blosgosfera abalou, para sempre, o "Expresso" e todos os jornais, e, por lá, ainda peroram, hoje, nulidades do calibre de Sousa Tavares, ou Inês Pedrosa.
Amanhã, garanto, será pior.

Como este é, apesar de tudo, um texto laudatório e de parabéns, vamos a ele, já que o "Expresso" foi pioneiro nas edições "on-line", e manteve, durante um período glorioso, algumas caixas de comentários às quais devo, de facto, estar a escrever aqui, enquanto heterónimo, especificamente criado para por lá metralhar. O primeiro "Arrebenta", nome que execro, divertiu e divertiu-me, ao divertir muita gente. Acabou, como era de prever, quando o enorme luto, chamado Cavaco Silva, voltou a ensombrar Portugal.

Este é um texto de rotina, apenas comemorador da efeméride, já que o que hoje realmente me preocupa é aquela Jugoslávia do Magreb, chamada Líbia, que vai manchar a segunda década do séc. XXI com as suas atrocidades e estilhaçamento. Isso fica para amanhã. Hoje é dia de dar os parabéns aos bons profissionais do "Expresso" e de dizer aos outros, que sempre consideraram o autor do "Arrebenta"... duvidoso, e lhe tentaram apagar o rasto, que o autor do "Arrebenta" aqui continua, todo este tempo passado, vivo, ativo, e a considerá-los, igualmente... duvidosos, e a apontar-lhes todos os vícios dos rastos, de que nunca se conseguirão libertar.

Continuem, que a gente, no fundo, até gosta :-)

(Quinteto pífio, à la Balsemão, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers")


sábado, fevereiro 12, 2011

As Múmias de Boliqueime: do alto deste palácio, quarenta anos de atraso vos contemplam

N


magem do Kaos

Há revoluções que são como os rios: começam por um simples fio de água e espraiam-se, depois, em infindáveis oceanos.
Creio que esse seja o espírito do Nilo, e, hoje, o Deus Serápis voltou a levantar os braços no Cairo e Alexandria. Para um cético, como eu, prefiro fixar-me nas imagens, e pelas massas que ondulam, em vez de me embrenhar pelos abismos da futurologia. De aqui a muitos anos, aconteça o que acontecer, serão essas imagens que guardarei comigo, como no dia em que o Muro de Berlim se desfez, e em muitos outros, raros, dias, da nossa memória finita.
O futuro das revoluções só é julgado muito tempo depois, pelos vindouros, para quem elas foram eventos de um distante passado.
Hoje é tão só o dia das marés de gente, das cores das bandeiras e dos civismos de multidões pelas quais passaram alguns dos mais altos momentos da História.

Hoje, no Cairo, dança nas ruas a memória do Unificador das Duas Terras, Ptah e Imoteph, a triologia de Gizeh, a impenetrável Abidos, a grande Hatschepsut e Tutmés, o Grande, o hermético Akhenaton, Nefertiti, o trono infantil de Tutankhamon, os Ramséssidas e os tesouros núbios de Tânis, a voz de Necao, que mandou os fenícios fazer o primeiro périplo de África, Nectnanebo II, que compunha cartas astrológicas para Olympia, a mãe de Alexandre, os Lágidas, César, António e Cleópatra VII, Cesárion e Ísis, Selene, o Farol, o Museu e a Biblioteca, Euclides, os tradutores gregos do Biblion, Hipatia, Justiniano e os homens do deserto, Heráclio, Saladino, os Mamelucos, os sultões escravos, Kavafis e um rio enorme e eterno, que desenha no Céu e na Terra, a monstruosa barragem de Assuão.

Hoje é hoje, e o hoje não é amanhã. O amanhã logo se verá, e vivamos, como as bacantes, as noites dos ardentes dias de hoje. Quando, pelas cinco da manhã, o sol escaldante do deserto voltar a recortar o eterno sorriso de Kéfren, grafado na Esfinge, deveremos questionar o futuro, porque o futuro será feito de coisas que aí vêm, muito breves, mas hoje não me interessam.

É bom saber que o Mundo, cansado da sua impenetrável idade, voltou a respirar uns quantos raros momentos de juventude, e que, mesmo eu, inveterado pagão, avesso aos credos do Livro e da chacina, estou agora a olhar, mudo e quedo, para o Nilo das gentes que ainda acreditam nas mudanças.

Nenhumas destas coisas são passíveis de comparação, mas, enquanto o Norte de África se liberta do seu bolor, sem saber o que lhe reservarão os dias próximos, nós, Portugueses, povo sem solução, mais uma vez deixámos que se arrastassem para o topo do Estado cadáveres adiados sem futuro, carregados do pior bafio.
O Tribunal Constitucional desta coisa agonizante, chamada "República Portuguesa", parece que relembrou que o cidadão Aníbal Cavaco Silva iria, a partir de Março, exercer uma lenta agonia no Palácio de Belém.

Confesso que, depois daquele dia aziago de janeiro, em que uma maioria absolutíssima de portugueses disse a esse homenzinho que o tempo dele tinha acabado, pensei, enquanto escritor, que estivéssemos a assistir a um mero roteiro e virar de página de jornal descartável do metro. Votavam no homenzinho, só para que ele pudesse escrever no currículo que tinha sido duas vezes presidente da vergonhosa coisa portuguesa, mas não foi assim: de facto, o disparate desse dia iria corresponder a uma longa indução em coma, com previsibilidade de duração de 5 anos. Quer isto dizer que, quando o Magreb do Sul, hoje, se começou a livrar das suas múmias, nós, Magreb do Norte, alçámos ao nosso pequeno teatro de revista mais um miserável número de "vaudeville", presépios e visitas a lares de mongolóides.
A preceito, esta enorme paralisia cerebral coletiva precisava da sua Praça Tahrir, aliás, precisava de várias, de marés de gente cheia de espontaneidade, que tirasse os sapatos e os mostrasse a esta corja, agora incarnada por uma mumificação algarvia.

Nada disto, aliás, não cheira nem bem, nem mal, porque já perdemos o olfato e nos deixámos anestesiar por uma ignominiosa rotina de passividade. Perdemos a História e o Tempo, e, enquanto os nossos vizinhos vêm para a rua cantar agora o rumor das massas esperançosas, nós veneramos o pão bolorento, endividados, até à Eternidade, por uma multidão de crimes sem castigo.

Essa... "coisa"... que o Magreb do Norte vai colocar no palácio presidencial português é a sombra de um dos maiores desfalques dos dinheiros públicos a que este país já assistiu, o BPN. Eu sei que não têm verdadeira ideia da dimensão disso, esse... BPN, mas eu vou traduzi-lo por palavras: o BPN é uma espécie de casa pia do freeport de entre os rios dos fundos sociais europeus, onde o apito dourado soava como a fundação hemofílica de um furacão da noite branca, a cobrir de modernas, independentes e lusófonas, a cortiçosa mancha do processo do parque de portucale, no meio de um som de ensurdecedoras sucatas de submarinos.
A fatura será um buraco sem fundo, até à morte dos nossos netos.

Se isto fosse um país, e não um ajuntamento de pessoas, quando as caricaturas de Boliqueime se dirigissem, em Março, a Belém, para nos envergonhar mais cinco anos, deveria haver umas milícias da renovação, que os agarrassem pelos braços, e os obrigassem a uma reclusão, para sempre, nas suas aberrações arquitetónicas do Quinta da Coelha, para tratar dos netos, lembrando que o povo que outrora dominou as Rotas da Pimenta não pode agora estar condenado a respirar pó de múmia para todo o resto da sua História.

(Quinteto de Alexandria, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma Aventura Sinistra" e em "The Braganza Mothers")

quarta-feira, dezembro 01, 2010

O Dia da Dependência, servido com Bacalhau à Wikileaks





Imagem do Kaos


Dia 1 de Dezembro é um dia importante: foi o dia em que deixámos de estar na dependência de España para nos entregarmos à dependência de povos diferentes, e mais distantes. Desde então, Conhecemos vários beija cus, desde a França, à Inglaterra, e, mais recentemente, à Alemanha, da Bruxa Merkel, e a países de elevado nível de civilização e liberdade, como a Venezuela, Angola ou a China. A esmola timorense foi um ato de ternura, e espero que vos faça soltar uma lágrima, como a mim, na altura, fez.

O desastre português, inaugurado com D. João III, prolongado em Alcácer-Quibir e gerido por uma das famílias reais mais inaptas da nossa História, os Braganças, nunca mais parou, descendo a rés do chão indescritíveis, como Afonso Costa, Salazar, Aníbal de Boliqueime e esta penosa figura de agora, chamada José Sócrates.

A única coisa positiva, neste início do séc. XXI, é que a História vingou-se, e a União Ibérica faz-se todos os dias, nos balcões da Zara, nos voos com escala obrigatória em Madrid, e naquele nosso esticar de mão, para os produtos mais baratuchos do "El Corte Ingles".

Adiante, que para trás mija a burra e a Maria Cavaca.

O facto mais importante, por mais que nos ponham 20 minutos de Mourinho nos telejornais, e da última bostada do Mia Couto, é o evento "Wikileaks". Assumo que senti o evento de dupla forma, uma, enquanto cidadão do Mundo, a segunda, quando se provou que, afinal, a linguagem diplomática não andava muita distante da utilizada no nosso "Wikileaks" nacional, a rede de blogues onde este texto está a ser publicado, aliás, como não andava distante do modo como a corja que nos destrói os destinos se expressava, quer nas "Escutas do Casa Pia", quer no "Apito Dourado", ou no "Face Oculta". Sendo mais direto, a personagem "Arrebenta", a escrever, parece a Branca de Neve, quando os Senhores do Mundo abrem a cloaca.

Para quem aspirava a uma libertação, ela fez-se sem qualquer violência: bastou pôr tudo, ou quase tudo, a nu, como, em tempos, as televisões faziam, quando prestavam serviço sério, e não passavam o tempo em programas idiotas, como os "Big Brothers" dos oligofrénicos, ou os oligofrénicos da Clara Ferreira Alves e quejandas.

O Mundo futuro, já que nos querem retirar a ilusão da abundância, e substituí-la por uma servidão à chinesa, obriga a uma transparência dos bastidores: não queremos acólitos engravatados, e muitas vezes cheios de coca, que, mal viram as costas, falam como carroceiros e badalhocas de esquina da média luz. Toda a gente sabe que é assim, e que analfabetos que dizem "há dem", como o Jorge Coelho, ou que nem "há dem" sabem dizer, como o Armando Vara, o Fernando Gomes, a Cardona, o Mourinho, o "Major", a Câncio, enfim, essa infinita parafrenália de fantoches com que nos tentam impingir uma realidade politicamente correta, são uma encenação visual, para impedir que acedamos aos verdadeiros circuitos decisórios.

O Diretor do "Sol", se bem estão lembrados, foi vexado, num interrogatório, à antiga salazarenta, por ter deixado subentender que havia umas escutas, proíbidas (!), onde o Vara e o " Chefe", Sócrates, se tratavam de filho da puta para baixo, a Ferreira Leite era a "Bruxa", e aqueles mimos de taberna, e da liga dos últimos que nos querem fazer crer alheios à Classe Política, Acontece que não são, e, enquanto nós praticamos aqui o vernáculo de uma maneira erudita, eles praticam o reles de uma forma continuada, querendo lançar o anátema sobre quem os desmascara.

Esta explosão de realidade só espanta quem não frequenta certos meios os ou meios de quem os frequenta. Somos governados por uma corja reles, sem princípios, com uma mentalidade ao nível da linguagem que pratica, e capaz de tudo, por todos os meios, de qualquer forma, enquanto nos entretêm com palhaços regiamente pagos para nos manterem distraídos, Mourinhos, Obamas, Brunis e gorgulhos afins.

A mim, a quem já nada surpreende, exceto encontrar alguém que, de facto, exercesse uma rotura com este estado de coisas, cada vez mais me limito ao posto do espectador. Cansa-me escrever num Mundo assim, porque é estar a lutar contra uma ribeira dos milagres, permanentemente poluída por descargas de dejetos de suínos. Acontece que estes suínos determinam, diariamente, a degradação dos nossos índices de conforto humano e social. Os Wikileaks, como um Segundo Renascimento, deixam entrever um espaço de transparência global, mas isto já sou eu a sonhar: amanhã, já estaremos, de novo, a acreditar que a Senhora de Mota Amaral é uma virgem consagrada, que o BPN é um banco sério, porque até o Sr. Aníbal lá tinha aplicações, e que o Agente Técnico de Engenharia ter um diploma passado num domingo é uma mera invenção de blogonautas alucinados