sábado, outubro 30, 2010

E siga a "vidinha"? Abram os olhos!


Como diz o povo, "à primeira todos caem, à segunda cai quem quer." E muitos professores, pelo que posso observar com amargura, insistem em "cair", em resignar-se, como se uma "Avaliação Docente" /ADD-- imposta à traição e com hipnose aparente dos representantes da classe, em "negociações" no mínimo estranhas-- fosse realmente legítima e promotora da melhoria do Ensino em Portugal.
Durante o Consulado de má memória de Maria de Lurdes Rodrigues, foi imposta, como se lembram, a divisão artificial dos Professores, colando a etiqueta pirosa de "Professor Titular" a uma parte do Corpo Docente", tentando criar ,assim, um grupo de "inspectores" substitutos, baratinhos e locais e, ainda por cima, através de critérios duvidosos e arbitrários.
Na altura, quase todos os professores que se viram de repente "transformados" em Titulares acederam por obediência a normas burocráticas e também por conselho dos sindicatos, na altura igualmente apanhados de boa-fé na rede ultra-legalista que a todos apertava. Boa parte assumiu esse "título" a contragosto,continuando o seu relacionamento normal e cordial com os colegas, não sabendo então o autêntico presente envenenado que lhes fora concedido. Outros houve, no entanto, que estrebucharam por não chegarem a titulares, ou que entraram em guerra pelos "pontos", ou que se envaideceram, subindo-lhes rapidamente a tóxica e triste "titularidade" aos neurónios.
E eis que nova Era, Era Alçada, chegou, por entre sorrisos encerados onde até os mais duros negociadores sindicais deslizaram, até ao trambolhão de mais um Acordo dúbio, a entregar os pescoços dos "Professorezecos" (na designação de um ex-secretário de Estado) à guilhotina de uma nova técnica de os impedir de progredir na carreira, sob o disfarce de rigorosa avaliação.
Acabaram os titulares, mas logo foram criados novos algozes, outra vez quase à força,de nome "Relatores" ("Delatores", em trocadilho para alguns), para observar e classificar colegas, numa estrutura piramidal e tentacular tão ao gosto das medidas "Tayloristas" até aí tricotadas pelas duas damas da tutela e seu séquito. Ou seja, mudaram apenas as moscas, ou o nome das moscas, para o processo continuar arbitrário, burocraticamente insano e impraticável em termos de justiça. Podemos imaginar também, no topo da pirâmide, os ministros da Educação que andam a destruir os seus sistemas de Ensino mundo fora, em untuoso beija-mão a um qualquer velho "Corleone", mentor de todo este labirinto legislativo.
Agora, com mais um congelamento de carreiras e de salário, sem prazo marcado, é com espanto que vejo colegas a debater mais ou menos ansiosos todas estas tarefas de objectivos individuais, de relatores e de aulas assistidas! Agora, tal como aquando da primeira entrega dos objectivos à traição da classe, observo tantos colegas subjugando-se ao que outrora contestavam, mais uma vez por sua própria e individual opção. Quando afinal seria de aproveitar o momento de, docentes de novo unidos, podermos dizer "BASTA!" a toda esta absurda ADD, que, como se pode ver (inclusivé através dos rankings das escolas...), em nada beneficiou o Sistema Educativo do País.
Deve ser, como se diz por aí, a tal capitulação medrosa em nome da "vidinha"...
Só que , desta vez, não tenham ilusões: nestes dias de fel, com a crise a levar-nos, portugueses e boa parte dos europeus, para o buraco da miséria, nem essa "vidinha" restará, se não formos unidos!
Alergia
(ilustrações mais uma vez gentilmente cedidas por uma amiga -(c)Outubro/2010, melhor dizendo, criadas mesmo para acompanhar este texto!)

10 comentários:

Lelé Batita disse...

Subscrevo: à primeira todos podem cair, mas à segunda, realmente, só cai quem quiser.
Ou gostar de apostar no cavalo errado...!

Anónimo disse...

Coisas interessantes acontecem. São hoje Relatores por imposição,indivíduos que se opuseram a esta avaliação, correndo todos os riscos, nomeadamente não tendo entregue, os objectivos individuais no início deste Circo-desculpem, processo de avaliação.
Como ultrapassar o problema? Se o souberem...divulguem-no.

Alergia disse...

É algo pode acontecer a todos, Lelé, as hesitações, os medos, as más apostas.
No entanto, sabendo que estamos em estado pior que a "tanga" colectiva e sabendo que não nos vão descongelar tão cedo, nem tão pouco devolver o que roubaram, só será para masoquistas andar ainda a alinhar nesta palhaçada, quando a profissão já dá trabalho que chegue sem ela!

Alergia disse...

Tentarei saber, anónimo,se há resposta a essa questão. Mas penso que ninguém deveria ser obrigado a ser Relator contra a sua vontade.
O drama é que esses relatores são forçados a isso porque aparecem os ex-futuros-titulares-que -lamentam-não-o-ter-sido e ainda os "se-não-podes-vencê-los junta-te a eles"... a apresentar objectivos e a pedir aulas assistidas.
Um grande imbróglio, uma grande trapalhada, uma versão escolar e mais sofrida da Novela das portagens das scuts!
Tudo muito legislado, camada a camada, com uma multiplicidade de excepções à regra, de remendos...

Anónimo disse...

Eu sou contratada. Não vejo o que me reste senão habilitar-me ao MB pois.. os asteriscos podem ser a diferença entre ter trabalho e não tger trabalho.
Não vejo o que me reste se não pactuar com isto.
Nós, contratados, precisavamos que vcs, "instalados" se erguessem de novo.
Estamos entregues aos leões.

Jake

Anónimo disse...

Olá,
Muitos acham que, se uma parte dos colegas não se opõe activamente a este rumo desastroso para a educação, NADA FEITO
Não é uma questão de tudo ou nada: de todos se oporem ou nada feito. Isso é auto-derrotista. A opinião dos colegas tem de mudar. Têm de compreender que as verdadeiras motivações do poder - nisto de ADD - são diferentes das pelas quais os/as colegas acham legítimo serem avaliados/serem avaliadores.
Eu receio que este processo seja degradativo, não apenas do relacionamento entre colegas, como mesmo de uma qualidade global do ensino em Portugal.

Os factos estão aí, apesar da enorme carga de propaganda governamental. Os resultados em ciências continuam medíocres, sobretudo quando avaliados por uma bitola verdadeiramente independente como o «PISA» (um processo criado e mantido ao nível dos países todos da OCDE)

A melhoria do nível de aprendizagem é favorecida pela diminuição do número de alunos por turma. O contrário tem sido levado a cabo no ensino público. Sempre que o rácio professor aluno é da ordem de 20 alunos por turma a qualidade global aumenta. Mesmo sem essa diminuição do rácio, que implica despesa acrescida com ordenados (mas sem partir ovos não se fazem omeletes!), há inúmeras coisas que são desprezadas e que deveriam ser feitas. Os professores sabem muito bem que medidas concretas é sensato tomar no contexto das suas aulas e dos seus estabelecimentos. Basta eles terem a autonomia pedagógica necessária, coisa que tem vindo a ser-lhes negada, com delírios de «normalização/formatação» em que as pessoas são condicionadas a fazer isto ou aquilo EM FUNÇÃO da avaliação...

As pessoas que têm uma vasta expência e não aceitam este processo violento de «formatação» da profissão docente têm carradas de razão. Não vejo com bons olhos que as pessoas se submetam perante medidas tão gravosas, absurdas, contra-producentes... Se dúvidas houvesse, agora está claro, os resultados destes dois anos de ADD bastam:

Todos sabemos que este processo nasceu torto, manteve-se por obstinação POLÍTICA do poder, mas com consequências muito negativas.

... só com a mudança de atitude das pessoas é que o ensino pode melhorar, não com transigirem no essencial, por outras palavras: se acomodarem ou se acobardarem!

Sejamos responsáveis; dizer não à ADD e a todo o cortejo de disparates feitos pelos políticos de turno é uma exigência ética.
MB

Alergia disse...

Anónimo do dia 1 de Novembro, concordo e subscrevo. Infelizmente, podemos todos constatar que a teia foi de tal forma "tecida", que dificilmente se pode sair dela, mesmo com toda a união. Essa deveria ser colectiva e a nível de escolas, concordo, não se tivessem os anteriormente eleitos democraticamente directores da escola se transformado, pouco a pouco, nas mãos que estrangulam dos longos braços do ME.Se as escolas em peso (incluindo as suas direcções) se recusassem a levar por diante esta ADD, por mais uma vez ser impraticável e artificial,a ADD morreria já nos próximos meses. Com essa atitude, os professores que estão nas escolas estariam a rejeitar assim desta forma, também, o titubeante "Acordo" ME/sindicato, que anulou a bela hipótese de termos acabado de uma vez com esta pseudo-avaliação mariadelurdesca.
Mas muito passa pela consciência de cada um: alinhar numa farsa, indo na onda, ou dizer Não e dar coragem a outros para que o façam, obrigando cada escola no seu todo a emitir uma tomada de posição colectiva, como tantas fizeram em tempos ao rejeitar os objectivos individuais.

Alergia disse...

Anónimo do dia 30 de Outubro(após algumas averiguações): infelizmente parece que o processo está mesmo inquinado. Os Relatores estão de facto a ser indigitados à força, independentemente de no passado terem recusado todo este processo da ADD e/ou de se terem recusado a ascender a Professores Titulares. E a "bondade" da obrigação reside no facto de...haver pessoas que estão a pedir aulas assistidas, ou porque sim, ou porque "quem sabe..." no caso de quererem concorrer ou progredir, etc e...e...não se lhes pode negar esse direito...
Acho que nesse caso os relatores podem ter a própria consciência tranquila em relação às questões de coerência com o seu combate no passado. Muitos deles vão tomar a atitude de "fantochada por fantochada"...vamos brincar às aulas assistidas, para não prejudicar ninguém. Outros irão certamente aproveitar, o que é de lamentar mas que acontecerá( como já aconteceu com os tais "titulares intoxicados" no passado), aproveitar, dizia, para retaliações pessoais, protegendo os queridinhos e prejudicando outros.
Como esta pirâmide precisa de relatores suficientes para não ruir pela base, o sistema não poderá dar-se ao luxo de perseguir ou rejeitar relatores pelo seu passado mais "rebelde"...
Portanto, mais uma questão pertinente se põe: o sistema idiota vai dar aos seus próprios "inimigos contestatários" as armas para tomar conta da ADD "in loco"???
Um processo surreal e perverso, seja por que lado seja olhado, de facto!
Mas com um governo não maioritário, como é que alguém de bom senso foi aceitar esta ADD no pacote do "acordo", apenas a troco da abolição dos Titulares?! :((

Alergia disse...

Anónima "Jake" de 31 de Outubro:
gostaria de evitar aqui debater dores passadas, sobre um dos motivos que desagregou a união dos professores há dois anos.
Enquanto grande parte dos tais "vocês os instalados" estavam na rua e nas escolas, tomando posições corajosas para combater as políticas criminosas da tutela, muitos dos "nós os contratados" escondiam-se: ou para tratar da vidinha (não aderindo , por exemplo às greves ou nen sequer às manifestações... ao sábado!), ou aproveitando para criticar um tanto invejosamente a suposta "instalação" dos mais antigos, entregando objectivos individuais quando chegou a Hora H, etc, etc.
Admito que a posição dos contratados é particularmente delicada, pela sua eterna precariedade, e daí o Estado continuar a dar o mau exemplo de manter tanta gente como contratada,décadas fora.Acho também que esses contratados não se mobilizam muito social e sindicalmente e talvez porque ,por outro lado, os sindicatos também não lhes dão quaisquer apoios, nos tempos que correm e EM PORTUGAL, para se sustentarem durante uma eventual greve prolongada...
Mas também houve muitos contratados que corajosamente e com risco disseram "Não". E não perderam o emprego por isso.
Portanto a cara Anónima-Jake começa mal , logo à partida tomando os professores por eles "instalados" e nós coitadinhos os contratados, quando todas estas leis foram criadas para vergar Todos os professores--- TODOS -presente e futuro! Estamos todos no mesmo barco! E o ME (e seus mandantes), criando os medos e instigando as cisões, consegue criar a ilusão que não estamos TODOS a ser esmagados, apelando a uma certa vaidade dos mais jovens com argumentos quase neo-nazis e eugenistas como os "mais capazes mais jovens", "excelentes manipuladores das ferramentas informáticas", "e bláblá arautos da modernidade" (por mais oca que esta última palavra se revele, com o degradar visível do regime).
Ao ver que não conseguia aliciar a maioria dos professores veteranos, com o logro bacoco da Titularidade, instigou ao medo e/ou à vaidade e/ou inveja dos mais novos e precários, como sendo o "Futuro radioso da docência", enquanto os continua a utilizar alegremente como mão-de-obra barata. E muitos caíram.
Não estou a argumentar isto para termos guerras entre professores, mas para tão só frisar de novo: estamos todos no mesmo barco e se não formos unidos vamos ao fundo uns e outros, porque o sistema educativo delapidado nos leva de arrasto.
A verdade é que, tal como aconteceu em tantos países que anteriormente começaram a tratar mal os seus professores(e creio que nenhum tão mal como cá!), o país, neste momento, começa já a ter falta de muitos docentes, a ritmo galopante, depois de ter afugentado os "antigos" para a reforma antecipada e os mais novos para outras profissões( e sem atrair os jovens).
O sistema não passa aqui sem todos nós "Professoreszecos", quer sejamos mais ou menos "instalados"! Ou a colega está por acaso a ver a importação de professores(para um país a cair na miséria), quando nem na área da saúde isso resultou bem? Ou está por acaso a ver os professores que seguiram para a carreira política, deputados por exemplo, a regressar ás escolas para leccionar e suprir as lacunas?
Temos de ser NÓS a acabar com as divisões e depois,sim, irmos todos á luta, uns mais experientes a puxar a mobilização, mas todos, repito, a manter a coerência e o uníssono!

Alergia disse...
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