terça-feira, junho 07, 2011

Dois pesos, duas medidas... :(




Já nem vale a pena a admiração. O presidente de "TODOS" os portugueses, nunca se esquece que uns Portugueses são mais portugueses que outros e por isso age com rapidez quando se trata de questões que afectam grupos a cujas causas se mostra especialmente sensível. Neste caso, o seu querido ensino particular e cooperativo.



"PRESIDENTE VETA DIPLOMA"(in Jornal da Madeira)



Enquanto que, em relação à suspensão da actual ADD, o PR teve dúvidas e enviou o documento para o Tribunal Constitucional, que da mesma forma parcial e discutível tratou de obedecer à sua dúvida e "suspender a suspensão", desta vez, Cavaco Silva, o famoso homem que "nunca se engana e raramente tem dúvidas"... VETOU, sem mais, o diploma que alterava o decreto-lei que regula o apoio ao Estado às Escolas Particulares e Cooperativas. Temos de perceber a medida... coitadinhas, a maioria delas, além das pesadas propinas que cobra aos pais dos alunos (como particulares que são), ainda recebe um gordo cheque de apoio do Estado porque... são particulares e cooperativas (???)... ou por alguma razão assim... ou porque... apesar de ficarem a passos de escolas públicas de qualidade... hã... parece que os utentes reclamam o seu direito a escolha(???)... e... assim parece que ganham igualdade com os do ensino público pois recebem o mesmo do que estes do Estado ...ou até um pouco menos! por isso custam MENOS(???) ao Estado do que os do público... blá blá... não é? Creio que é esta a argumentação tradicional bradada aos quatro ventos e que tanto afagou os ouvidos da nossa primeira figura do Estado... Mas que a mim, confesso, me baralham um pouco, por terem assim um certo aspecto de pescadinha- de -rabo -na -boca...


Os colégios, portanto, continuarão para já a receber o subsidiozinho, em tempos de crise e de cortes de abonos mil, para sobreviverem à miséria e poderem ter os equipamentos de luxo que ajudam a captar bons alunos à escola Pública e a desmodorrar da ignorância os filhos indolentes e pouco "vivos" dos pais que pagam bem.


Enfim. E ao que parece este diploma até era de origem no PSD, o que soa agora no começar a frigir das contendas latentes entre o cavaquismo e o partido agora afecto ao novo líder, acabadinho de ser convidado a formar governo. Uma espécie de "quem manda aqui sou eu" (apesar de habitualmente ser confundido com uma das estátuas do palácio).


Contas feitas e em resumo, com TC a dar luz verde à continuação da insanidade,por um lado , e veto à regulação da distribuição mais moderada de dinheiros públicos, por outro, mais uma vez... quem perde? quem perde? Os portugueses e a Escola Pública, está claro... Continue assim, que vamos cada vez melhor. Por este andar está a exigir que a sinistra Lurdes, tão "enfladecida", recupere a pasta ministerial!(Lagarto, lagarto! toc toc).
Mas pelo andar da carruagem ronceira e rançosa desta espécie de "Tgv" da Deseducação que desliza agora nos carris do Sistema Educativo, já nem isso me admirava... :(((


"Alergia"

segunda-feira, junho 06, 2011

Jejé e Companhia 8: pontariaz eleitoraiz de campanha!









Continuamos aqui a narração das aventuras de Jejé e dos outros nossos meninos "caturras", interrompidas no "Aventura Sinistra" em Abril. Aqui os pequenos terrores foram à feira de São Troikas (um novo santo agora em voga, de origem nórdica,que entrou na "hagiografia" portuguesa de finais de Primavera, por vias não de qualquer milagre,mas da falta dele...) dar uns tiros a brincar aos cowboys da política. Muito em breve publicaremos aqui o final de mais esta (des)aventura, em fim de Feira. Não percam.
"Alergia"


As lágrimas amargas de Petra von Vilar de Maçada. Até um dia, camarada :-)





Imagem do Kaos


Hoje é um dia histórico para Portugal, não só pelas más como também pelas piores razões. Para nós, que, nestes espaços, ao longo de seis penosos anos, tivémos a difícil tarefa de penélope de destruir, pela noite, a imagem de perfeição que os assessores do "Engenheiro", com o nosso dinheiro, construíam durante o dia, é tão só um dia de trabalho, como tantos outros: mudará o alvo, mas, infelizmente, a tarefa terá de ser a mesma.
O Polvo Paul II, que nunca viu o solzinho a dançar, como a Lúcia, que deus consigo tenha, porque a iluminação do aquário dele é artificial, já avançou com o 18 meses até voltar a haver eleições em Portugal.
Infelizmente, creio que a Bancarrota ou o estado de saúde de Cavaco Silva talvez venham a apressar essa data, mas não vamos começar a ser já pessimistas, porque amanhã ainda é só segunda feira, e vêm aí os feriados de junho, onde esperamos que Passos Coelho ponha já em ação o seu Programa Eleitoral e trabalhe durante o fim de semana que faz ponte, entre os feriados. Por mim, vou tentar fazer ainda menos do que já faço, porque está provado que os povos do Sul trabalham muito mais do que os nojentos do Centro e do Norte, que passam o tempo a comer pepinos para terem dias de baixa. Que vão trabalhar, seus malandros!...

Portanto, o cenário é o seguinte, e só se afasta ligeiramente daquele que eu ambicionava, que era uma maioria de "Direita" que não chegasse a Absoluta, por limiano ou limiano e meio, mas não se pode ter tudo na vida.
Gostei do discurso de despedida de Sócrates, e elogio quem lhe o escreveu, porque aquilo oscilou entre a retórica do Estoicismo, a doçura do Epicurismo e as grande épicas da métrica de "De Bello Gallico", e até me vinham aos olhos lágrimas, a pensar que estava a ouvir César, o homem de todas as mulheres e a mulher de todos os homens, no momento em que o cruel Bruto lhe enfiava a navalha no baixo abdómen; depois, subiu o tom para Suetónio, e, aí, já o Manuel Alegre, o bêbedo das rimas frouxas, soltava lágrimas de elevado teor em álcool, enquanto Maria de Belém se continha, já que a sua altura não permite, com risco de afogamento, que as lacrimais segreguem mais do que um cano descuidadamente roto da autarquia de Lisboa. Chorava Almeida Santos, a pensar que agora se ia poder dedicar aos negócios sujos de Moçambique, e chorava o "alter ego" do "Engenheiro", a quem dou os parabéns, já que lhe deve ter ele polido as palavras e a métrica.

Aquilo não era um hotel, era um vale de lágrimas, e cenas com aquela extensão são muito difíceis, exceto na "Traviata", em que ela espalha horas o Bacilo de Koch, pelo palco, antes de morrer sufocada pelas crateras da pleura, ou em "La Bohème", em que ela ainda tem tempo de reviver os homens todos que despachou em vida, antes de se afundar no acorde da tónica, mas, já que era com Sócrates que estávamos a lidar, a coisa ainda tinha de subir mais, e foi ao tom proconsular de Dion Cassio, em que ele dizia que morria, mas ia ficar vivo, um cidadão, o que fazia lembrar a Roma Republicana, sem a Rocha Tarpeia. Suponho que a Câncio chorasse por cima e por baixo, enquanto Gabriela Canavilhas reconhecia ali o Diretor ideal para o Teatro Nacional, uma espécie de Amélia Gay..., perdão, Rey Colaço, que, amargamente, se desperdiçara pela política, e os adversários da véspera, o nulo Lello, o horrível Assis e o asqueroso Ferro Rodrigues faziam esgares de buldogue. Subiu, então, a prima dona ao final do "Ottelo" e toda ela era Desdémona, a quem o negrão vinha injustamente apertar as goelas, sem antes lhe ter alargado decentemente as trompas de falópio. Adeus, portanto, Zé, que, ao menos, na despedida, tocaste o Steiner, cauda longa, todo, da grandiloquência, e ficamos falados, porque tenho mais que fazer.
A propósito, como sabia que ias perder, e como não quero ter nada a ver com a merda que vem aí, imagina, votei em ti, para provar que também sei ser cavalheiro e puta, e assim ficamos falados...

Do lado oposto, a coisa era mais lúgubre, porque a Portas, calculadeira como sempre, imediatamente começou a fazer contas de cabeça, e, dos dez ministérios do novo governo já sonha com, pelo menos onze, e todos do "full contact", porque, como afirmou, mal soube que estava com o lombinho ajeitado, "ia ter com a família, passando, antes, pela... "ginástica", ou seja, algum "personal treiner" do Estoril, que vai ter de apanhar com a adrenalina toda da tarada.
Passos Coelho é pior, porque é um boneco vazio, de entre Massamá e a Rinchoa, que o Cavaquistão profundo empurrou para a frente, para transformar em filetes, mal comece a patinar. Isso é típico do PSD, que tem um genoma da piranha, e não se desfaz em lirismos, quando perde o pé, mas imediatamente devora as suas cabeças, mal elas deixam de cumprir as ordens dos muitos sovacos que tem.
Como diz o Polvo Paul II, é coisa para ano e meio, se tanto, isto se o FMI não descobrir, antes, as fotos do "Processo do Parque" e as cabeleiras de Catherine Deneuve, que Silva Pereira tão bem trocava com Valente de Oliveira, deixando a fama para a tarada da Sacadura Cabral filha, ou a brasileira do Pedro que pinta o cabelo de caju descubra que ele tem vícios de Strauss-Kahn, e provoque um escândalo à americana, mas da direita baixa.

Os tempos são, pois, promissores, mas não queria deixar este pequeno epitáfio sem uma palavrinha para os desvalidos desta noite: será que não há um pensamento de piedade para Inês de Medeiros, essa nódoa, que agora terá de desembolsar as saudades de Paris diretamente da carteira do Maestro Vitorino de Almeida?:... Será que Isabel Alçada irá ter de dar o cházinho da meia noite ao Rui Vilar, para ele desamparar a Gulbenkian, e ela poder finalmente entrar?... Que será da Carrilha, que não foi eleita Grã Mestra da Maçonaria, e que se arrisca a poder vir ter de dar aulas, e ser avaliada, como docente com curso e doutoramento com média de dez?... Não estais com a dor de Paulo Pedroso, que poderá ver o "Casa Pia" ser reaberto, e ter de reimplantar, à pressa, os sinais que mandou tirar do cu?... E a Câncio, Senhor, que será da Câncio?...

A última palavra ainda é de carinho, e é para Maria Cavaco Silva, que hoje foi votar, com o seu Manequim dos Anos Cinquenta, da Rua dos Fanqueiros, toda enrolada numa peça de tule azul, do tempo das personagens rançosas da medíocre Agustina e do cadáver adiado, Manoel de Oliveira. Ela sorria, mas era a dor quem com ela ia.
Mulher outrora vistosa, aquela Falha de Santo André, que tem entre as ridículas golas da modista e a artrose das vértebras pescoçais, que, com o tempo alargam, e deixam prever "the big one", sofre agora de outro fenómeno geológico nos membros inferiores: há uma elefantíase, acentuada por celulite, que desengonçou as partes ósseas da bacia para baixo. Se Schwarzenegger, nos bons tempos em que comia judeus ricos, para subir na vida, tinha um corpo em V, da cintura para cima, esta tem agora, descambado, uma arco da Rua Augusta, da cintura para baixo. É de supor que anda alargue, durante este ano e meio de Governo contra natura. Corremos o risco de que o Cavaco lá caia, dentro, sem voltar a poder sair, como previu Stephen Hawking, no limiar dos buracos negros. Será isso o "Pügrèsso", ou será tão só a nossa beata forma de encaixar a Bancarrota?...
Que a terra lhes seja leve.

(Quinteto do adeus freeport, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers", que lá vai ter de gramar mais esta pastilha...) 

domingo, junho 05, 2011

Adeus, Isabel!


A ver quem virá ...

Duvido que seja para melhor.
Legislativas 2011
Isabel Alçada, ministra da Educação: «O importante é que se tome em consideração o que se tem feito pelo país. No programa do PSD estão medidas que questionam a escola pública»

BEM-DITO António Garcia Pereira : )

Provocações dessas, que já conheço e enfrento desde antes do 25 de Abril, como eu todos os dias ao pequeno-almoço!” comentou já Garcia Pereira relativamente a esta atitude da CNE.

Fonte: António Garcia Pereira blogger

MAIS UMA DESESPERADA PROVOCAÇÃO CONTRA A CANDIDATURA DO MRPP

sábado, junho 04, 2011

Conselhos de Civilidade, para Meninas de Lisboa, Viciadas em Votar no Bloco Central, d'après Pierre Louÿs





Imagem do Kaos




Manda a norma que a menina honrada vá virgem, do hímen da frente, para o casamento. Quanto aos outros hímens, a norma é omissa, pelo que pode ir toda rota, como geralmente vai, excetuada a nossa querida jornalista Aura Miguel, cobridora libidinosa das visitas pontificais e até dos bispos auxiliares, quando a protuberância do avental litúrgico é assumidamente túrgida.

5 de junho, como sabem, vem aí, e vai ser um dos dias mais divertidos da Democracia Portuguesa, ou deste estado de coisas em que ronceiramos, e que insiste em manter esse nome.

Como sabem, somos zelosos cumpridores das regras, pelo que não faremos mais campanha, a partir das 00.00 deste dia, assim como nos compete fornecer aos estimados leitores o conteúdo de um email, recebido da Comissão Nacional de Eleições, e especificamente destinado aos eleitores de Lisboa, do PS e do PSD, cidade onde tudo se decide, desde a ruína da própria à ruína das restantes.
Como se sabe, e existindo constitucionalmente a figura da "objeção de consciência", passamos a citar: "aos eleitores registados pelo Círculo Eleitoral de Lisboa, e sendo cabeça de lista do Partido Socialista, referenciado em 4ª (quarta) posição, nos boletins de voto devidamente emitidos por esta entidade, de acordo com as normas da República Portuguesa e a Lei Eleitoral em vigor, o cidadão Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues, e em resposta a diversas dúvidas colocadas por eleitores, sobre se poderiam continuar a votar no Partido Socialista, no Círculo Eleitoral de Lisboa, sem a obrigatoriedade de votar na sua cabeça de lista, por questões deontológicas, morais ou de dúvida casuística, por nunca ter sido dado devido trânsito a matéria processual contida em processos públicos, nomeadamente no comummente conhecido "Processo Casa Pia", vem a Comissão Nacional de Eleições esclarecer que tal é possível, desde que, à frente do quadrado reservado ao Partido Socialista, e após imposição da cruz, o eleitor redija o seguinte texto, anexo: "declaro, por minha honra, estar a querer votar no Partido Socialista, e só no Partido Socialista, desvinculando-me, por este meio, de votar no seu número 1 (um), da lista por Lisboa, cidadão Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues, e, passando, por conseguinte, o meu ato de escrutínio para o número 2 (dois) da mesma lista, cidadão Alberto Bernardo Costa (e esposa), pelo que inscrevo neste boletim, como certificação, o meu nome próprio e número de bilhete de identidade, ou documento de identificação afim".
No que respeita ao Partido Social Democrata, "em 7ª (sétima) posição nos mesmo boletins de voto emitidos por esta entidade, e querendo o eleitor votar no referido partido, mas não no nome que encabeça a sua lista, Fernando José de la Vieter Ribeiro Nobre, por considerar já ter sido voluntariamente induzido em erro sobre o caráter suparpartidário do mesmo, no ato eleitoral para a Presidência da República, de janeiro do corrente, e não querendo voltar a ser confundido, achando que o cidadão Fernando José de la Vieter Ribeiro Nobre tem mais perfil para emplastro do Dragão do que para Presidente da Assembleia da República, e receando que possa vir a abandonar as funções parlamentares para as quais fosse eleito, deverá o eleitor de Lisboa, após imposição da cruz no Partido Social Democrata, o seguinte texto: "declaro, por minha honra, estar a querer votar no Partido Social Democrata, e só no Partido Social Democrata, desvinculando-me, por este meio, de votar no seu número 1 (um), da lista por Lisboa, cidadão Fernando José de la Vieter Ribeiro Nobre, e, passando, por conseguinte, o meu ato de escrutínio para o número 2 (dois), da mesma lista, cidadã Paula Teixeira da Cruz (e respetivo esposo), pelo que inscrevo neste boletim, como certificação, o meu nome próprio e número de bilhete de identidade, ou documento de identificação afim.

Crê a Comissão Nacional de Eleições, no cumprimento do exercício pleno das suas funções, simplificar assim situações que poderiam gerar dúvidas, ou qualquer tipo de ambiguidade, durante o decurso do ato cívico de 5 de junho.

Votar é um dever, da maturidade cívica de qualquer Democracia. Vote no dia 5 de junho. Vote Portugal."

(Quinteto do quero que vocês vão todos mas é apanhar no bocal do intestino grosso, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers")

quarta-feira, junho 01, 2011

A sinistra caloteira

"A Câmara Municipal de Vila Verde denunciou ontem que há um ano que o Ministério da Educação não paga as facturas relativas às refeições e transporte escolar dos alunos do concelho que frequentam o primeiro ciclo do ensino básico. O executivo presidido pelo social democrata António Vilela faz saber que a dívida acumulada pelo Ministério de Isabel Alçada já ascende a um milhão de euros e está a colocar em risco o equilíbrio financeiro do Município." (in Ministério da Educação deve um milhão a Vila Verde | Diário do Minho)

terça-feira, maio 31, 2011

Para o dia Mundial da Criança... e 2/5 delas Pobres, em Portugal! :(((



Para o Dia Mundial da Criança cuja "comemoração" se inicia daqui a escassas horas... fica esta de "aperitivo" amargo (notícia abaixo), contrabalançado pela doçura do video acima... :(((((

Portugal cada vez mais desigual e retrocedendo até naquilo que tinha melhorado bastante (caso da mortalidade infantil)...


(enfim... nada que não adivinhássemos já...)

E disto ninguém fala, na campanha eleitoral, mas é a nossa realidade, num país que chegou a cúmulo de ver as suas escolas a terem de abrir as cantinas ao fim de semana para que as crianças tenham uma refeição quente diária. Um país onde o Banco Alimentar Contra a Fome e outras instituições afins, apesar de terem cada vez mais doações, já não têm que chegue para quem lhes bate "à porta"!
Um país onde o que interessa é brincar à política, viver das aparências e correr atrás de delírios consumistas e hedonistas...Um país podre, repleto de tantos seres arrogantes, hipócritas e amnésicos, com tanta gente ao lado a precisar de apoio, por mais simples que seja.

Um nojo... um retrocesso ignóbil... um desfazer em pouco tempo, em atitudes "infantis" (é melhor, tendo em conta a data designar antes como "atitudes burras/estúpidas/acéfalas", pois esse outro termo será um insulto à inteligência das crianças...) do que foi conquistado arduamente por outros!

NÃO É JUSTO! (claro, que, a quem não custou ganhar, fazer ou conquistar, não custa perder, desfazer, desprezar...! Se as pessoas ao menos tivessem essa consideração por quem mais se esforçou...).
Portugal de novo na cauda da Europa e a pedir esmola!

Portugal mais uma vez a desperdiçar os seus talentos, ainda em busca de quimeras enganosas, até à miséria final!
Portugal e os portugueses a quererem comprovar, mais uma vez, que afinal só duraram tantos séculos como nação, por mero engano, ou por se comportarem como ratos de esgoto, eternos oportunistas que depois são os primeiros a abandonar o "barco" sem uma palavra para os que deixam à míngua, ou seja, para aqueles que foram vítimas da "me*da" que mais uma vez fizeram mas a quem só legam pouco mais que a peste bubónica... e a fome... e a pobreza... :(((
Nojo e revolta... é o que sinto... sobretudo revolta... enquanto lá fora continua a luta pela dança das cadeiras, mas todos calando o que vão fazer a situações destas... que ficaram bem de fora das linhas do famoso Acordo "troikado"!
Estamos bem "troikados" como povo, enquanto outros vão alegremente "fladendo" nas esquinas esconsas das cunhas, das benesses, dos tachos e das futilidades mil...
No dizer do poeta do livro Eclesiastes, há um tempo para tudo, para semear e para colher, para rir e para chorar. Este tempo devia ser para meditar, para unir, para as pessoas com "alma" se revoltarem contra tudo o que está a acontecer... mas preferem cada um se refugiar nos seus grupos, nas suas facções, nos seus prazeres maiores ou menores mais ou menos desabridos de sociedade pateta e narcisista.
Sobram uns tantos(muitos!), ora abandonados a lutar pela mera sobrevivência, ora revoltados e fechados no seu casulo de dor... :(((
Não haverá uma onda que varra e desinfecte isto tudo, que traga de novo a Esperança e a confiança?

(tinha prometido a mim mesma que só voltaria a escrever aqui quando conseguisse ser mais "positiva"...mas até o dia da Criança me inspirou estes pensamentos, desculpem! No entanto achei que tinha de fazer um esforço por algo dizer-- e acreditem, que é imenso, no momento que corre-- pois ninguém sabe o dia de amanhã. a vida é estupidamente breve... e de momento só me apetece "abanar" as pessoas e acordá-las para tanta estupidez e cegueira! Mas devem ser palavras caídas por terra, pois a maioria das pessoas até para lerem têm preguiça, dizem que é deformação do uso dos computadores...mas eu ainda valorizo o papel escrito e a reflexão. Muitos estão encerrados no seu egoísmo e "vidinha", mas alguns , se dedicarem um tempo,hão-de ler. Desses,se Minerva os inspirar,alguns hão-de entender e apreciar. Com sorte, talvez haja alguém no Mundo que compreenda e se inspire a agir, ou pelo menos, quem sabe, a guardar e meditar estas palavras no seu coração.)
Nas horas finais de um dia " de revolta "cinza" de fim de Maio,pelas crianças sempre (e pelos que não esqueceram a criança dentro de si...),atentamente,

"Alergia"


Há políticos que se manifestam contra o acordo ortográfico!

O Facebook de Cavaco



Imagem 10% do Kaos, o resto é meu...


Os antigos viviam mergulhados em profecias, augúrios e presságios. em delfos, a pitonisa, completamente drogada, soltava uns disparates do género dos de catroga, ou das sentenças das pontes de entre os rios e do isaltino de morais. em cumas, a sibila, viciada em despachar homens, mantinha debaixo do seu terror os barrigudos romanos e as devassas esposas, e decidia se os abortos iam ser, ou não ser clandestinos, ainda a palavra "referendo" não se aplicava aos úteros alheios. pior do que tudo, todavia, eram os mistérios de elêusis, onde só entravam os bilderbergers da altura, pagando balúrdios, numa cena mal ajeitada, que metia túneis escuros, a velha perséphone a aparecer, de repente, no meio dos lutos, de perna aberta, e a mostrar os grandes lábios. tinha espigas, anões e animais, uma coisa misto velasquéz da silva com goya e sade, e um pouco da beatificação da irmã clara do menino jesus. aparentemente toda a gente saía de lá convencida de que ia ser imortal, mas durava o mesmo do que os outros, ceifada pela gota, por tromboses, envenenamento pelo chumbo, cirroses e bactérias transmitidas por pepinos. o tempo passou, e a primeira igreja associou os oráculos à pior crendice, até que com o desenvolvimento das necessidades de financiamento do "bussiness", voltou a haver atrasadas mentais, geralmente acamadas, com o córtex frontal atrofiado, ou dadas a visões do tipo "oxi", "crack", ou "ecstasy", vendo solzinhos, e outras coisas piores, a dançar.

aparentemente, com o advento da idade tecnológica, no nosso caso, "uma cabeça-um magalhães", essas coisas tinham sido atiradas para um certo limbo da sarjeta, até que, nos dias mais recentes, nós que sempre fomos dados a descobertas extraordinárias, pelo menos, desde o fim da baixa idade média, "inventámos" uma coisa que era a presidência por palpites.
não é de estranhar o tique, num povo atavicamente dado a comentários de bancada, boatos, e anedotas corrosivas, sem qualquer graça, e destruidoras de reputações, como os anormais do eixo do mal ou os gatos fedorentos. nós sempre fomos dados a novidades, como quando o oligofrénico do pacheco pereira inventou o "abrupto" e não havia dia em que não houvesse um telejornal que não começasse com uma flatulência do neo maoista, até se perceber que aquilo não era nada, a não ser uma hipóstase de uma estação de tratamento de resíduos sólidos. cansados disso, e com a blogosfera nauseada de si mesma, depois de perceber que aqueles heróis da sombra, aqueles infatigáveis lutadores da independência, afinal, só estavam à espera de se pendurarem numa boleiazita do partido mais à mão, como a medíocre helena matos e o gordo do "blasfémias", que lá apareceram a fazer de túbaros das listas do psd, ou o remendeiro, a quem chamam... "escritor", francisco josé viegas, que também vai ser pau de cabeleira de um partido qualquer. se a coisa se espalha, também o "kaos" aparecerá como cabeça de lista do cds/pp, por viseu, e eu, como lugar elegível do partido dos animais, ou uma merdunça afim...

a miséria dos comentadores políticos tem sido, aliás, outros dos sintomas do declínio de fim de estação da agonia da III república, porque, para lá da cortina de ferro que proíbe, como um tabu, o emergir de novas caras e de novos discursos, leva a que já conheçamos, e reconheçamos, tudo, de cor e salteado. com o marcello, por exemplo, brilhante na oratória e nalguns raciocínios, eu ponho o cronómetro a contar até ao momento em que ele, dando voltas geniais a premissas inconciliáveis, lá soltará a sua fórmula canónica... "ter de votar no psd".
parece que já houve gente a chatear-se com isso, mas acho que perdem tempo, porque aquilo não é defeito, é feitio, e façam como eu, acompanhem o que é relevante e construtivo na sua retórica, e desliguem, mal suspeitem de que ele vai entrar na frase... "psd".
a constraça cunha e nhanha, outra das "horizontales", levantada pelo álcool e por um vergonhoso casamento com um homem que gosta tanto de mulheres como a senhora de mota amaral, ou o antónio vitorino, incapaz de brilhantes oratórias, e maneirinha como os flashes de coca do miguel sousa tavares, tem de incluir, em qualquer análise que faça, uma conclusão... "psd/cds/pp", e, como ela, há miríades, numa pirâmide decrescente de talento, como aquele luís não sei das quantas, ou, pior do que tudo, aquele roberto que passa horas a vomitar vazio sobre o vazio do futebol.
enfim, é para isso que são pagos, e cumprem, como podem, as suas corveias, mas vem tudo isto para dizer que voltámos às profecias, oráculos e prenúncios, mas de uma forma, como eça escreveria, "modernaça", e na ponta dos dedos de um gajo que nunca deverá ter usado um computador para mais do que para substituir as suas velhas "messa", com que escreveu, na declaração da pide, "perfeitamente integrado no regime", aliás, o seu verdadeiro milagre foi continuar a permanecer imutavelmente integrado num regime, que, historicamente, tinha sido pontapeado por uma revolução, mas, ou não percebeu, ou fingiu que não sabia, como é seu hábito. mais grave, ainda, ou não se pronuncia, porque ainda não é o momento próprio, ou as suas profecias são feitas no posto de primeiro magistrado da nação, onde 25% dos portugueses, entre esclerosados de placas, anquilosados, alzheimerizados, avêcizados, coxos, manetas, pernetas e dedetas, videntes e atrasados o puseram, no início deste anos, para enorme penar do restante do país.

Como já devem estar a perceber, estou a falar do sr. aníbal de boliqueime, que chegou a presidente da fase terminal da república, enchendo depósitos e vendendo frutos secos, e que já devia estar afastado da política, pelo menos, desde 1986, quando permitiu que o país fosse arruinado, ao ponto de chegar ao estado de pré bancarrota em que presentemente se encontra. para os esquecidos, vêm a "petite histoire", que, soubesse eu o que sei hoje, e tivesse a idade e a maturidade para o fazer, deveria ter feito e alertado, naquele bocal de denúncias anónimas, que a CEE tinha, e que passo a relatar: o dia em que o meu amigo CXXXX DXXXX foi demitido pelo cadastrado Mighà Amhâgàl do posto de diretor geral da indústria, com o seguinte argumento, aliás, melhor... com uma estranha escolha, "ou o sr. engenheiro fica, e faz a sua carreira, ou sai, porque, dado o seu perfil, sabemos que não poderá fechar os olhos a todas as coisas que vão acontecer a partir de agora..." obviamente que o cxxxx dxxxx se foi embora, e que as coisas estranhas começaram a acontecer. levei anos até perceber a enormidade e profundidade da coisa, mas suponho que todos o sabem hoje: era o sr. aníbal de boliqueime a dar, pela mão de um dos facínoras seu ministro, ordem plena para a desaparição dos fundos estruturais, desmantelamento da agricultura, mineração, indústria e pescas, transformando portugal nesta penosa coisa, uma nação exclusivamente importadora, e sem dinheiros para pagar agora o que importa para sobreviver.
nesse dia, alguém devia ter abatido, como um cão tinhoso, o sr. cavaco, mais a sua corte de ladrões, provincianos, pedófilos, escroques, ignorantes e retardados, que atiraram com isto tudo para detrás da grécia, que já não era país que, então, se recomendasse.
é, portanto, normal que, de cada vez que fecha uma empresa, para se comprar um novo ferrari, ou colocar o dinheiro safo da "falência", "lá fora", nós percebamos que isso vai contribuir para o crescer das dívidas, dos encargos, e do aperto do estado, porque estes despedidos não vão para as coutadas dos carrapatosos, dos zeinais bavas ou dos jardins gonçalves, mas ficam sempre na mão da caridade dos contribuintes, já que o chamado "privado" é bom, enquanto está na fase do lucro, e mal se torna incontrolável, "bêpêéna-se", e volta a integrar a brutal despesa do estado. é por isso que eu ando encantado com o fmi, quando diz que, até fim de agosto, vão ter de pôr um travão nas célebres "parcerias público-privadas", uma coisa tipicamente lusitana, onde os lucros, quando os há, zeinalbavam-se, e os prejuízos, quando são cada vez maiores, vão para o buraco do estado. portanto, quando se pergunta como, durante o declínio de sócrates, puderam os números passar de cósmicos a astronómicos é muito simples: criar um emprego, um mísero emprego, pode fortalecer uma nação; destruir um emprego, não só destrói o país como aumenta, para números incomportáveis, os mecanismos de almofadamento da situação. toda a máquina do estado é um sistema de burocracia e de governo, de suporte da saúde dos cidadãos, do ensino, da cultura e da previdência. quando nada existe por debaixo, e estamos a falar de máquina produtiva, era como terem cortado a máquina produtiva da alemanha, e deixado só os serviços de bem estar e administração: um belo dia, não haveria alemanha, mas só despesa, tal como aconteceu no portugal mutilado do sr. cavaco, ah, pois, claro que isto tem um dia em que estoura, e estourou agora, com o azar de ter a cara de sócrates, que nem me é simpático, e também sacou a sua parte, mas teve o azar de pagar a fatura histórica de muitos gajos que deveriam estar presos, depois de se terem abarbatado com a verdadeira parte do leão.

tudo isto já vocês sabem, e vai condicionar, draconiamente, as pessoas que vou penalizar, com o meu voto de 5 de junho, um dos melhores votos da minha vida, já que vou forçar os responsáveis pelas coisas a ficarem com o menino ao colo, por mais que isso lhes desagrade, porque a verdade é que, se fossemos um país e não uma história extraordinária, uma miserável fábula, para contar pelos corredores da europa, esse senhor aníbal nunca deveria ter voltado em 2005, e nunca deveria ter sido reeleito em 2011. trata-se de uma criatura nociva, um espetro alheio à modernidade, um gajo para quem a história não passou. cobarde, como em todos os momentos decisivos da nossa aventura, e que mandou, não ele, mas o dias loureiro, disparar sobre o povo que o toureava no garrafão da ponte, e que, depois, foi apeado, à força, cobarde, dizia eu, neste momento grave, em que precisávamos de uma figura forte, que, todas as semanas viesse apresentar sugestões, mediar soluções, fazer valer em todas as frentes do exterior o seu prestígio de primeira figura do estado, prefere ficar a emitir oráculos, no facebook, enquanto joga, farmer e outras merdas afins. nenhum estadista que tal nome merecesse, se esconderia por detrás destas novas máscaras de carnaval veneziano, quando é fundamental que alguém incuta força nas hostes. talvez isso explique a inesperada ressureição de sócrates, perante um povo sem apoio e apavorado. pior do que isso, a "coisa" presidencial nem deve saber o que seja o facebook, que, para ele, é equivalente à viatura blindada em que se fazia transformar, durante os 10 anos em que foi carrasco absoluto da ruína de portugal. alguém lho assoprou, e ele não se opôs, porque, no facebook não se lhe vêem as mãos transpiradas, nem aquela tendência para desmaiar, ter acidentes neurológicos,  ou mijar-se pelas pernas abaixo, coisa grave, que já levou a que tivesse sido aumentado o número de sanitários de corredor, no palácio de belém...
atrás do "seu" facebook, preenchido por aqueles gatos pingados da "servilusa", que custam ao estado mais do que a presidência dos estados unidos, as monarquias inglesa e española, enfim, toda aquela corte de goyas, que nos fazem temer o pior, e que vão preenchendo aquelas penosas linhas de profecias ultrapassadas, de palavrinhas cautelosas, e, sobretudo, de não comprometimento, não vá alguém assacar-lhe responsabilidades por aquele longo percurso, que conduziu ao total descrédito internacional deste país, e à sua próxima bancarrota.
bem pode pôr "gosto", por debaixo dos focinhos de leonor beleza, dias loureiro e duarte lima, que há multidões, em portugal, que, sempre que vêem essas aparições de um passado distante, sentem calafrios, e vontade de virar as costas. essa é, talvez, a pior das maleitas de passos coelho, um gajo que até poderia simpático, não tivesse aquela tendência para mudar de cor de cabelo todas as semanas, do louro ao caju, com odor de cabeleireiro de bairro. infelizmente, passos coelho tornou-se um peão menor do facebook do senhor aníbal, onde almas negras peroram sobre um passado velho de vinte anos, e um regime morto em 75.

não há facebook que torne novas velhas almas de fátima, nem aparições de 1917, e, muito menos, miguelismos, de quem já nem sequer sabe quem foi miguel.

bem pode ser moderno o facebook, que tudo o que medíocres assessores de cavaco lá vertem, em nome da abelha-mestra, só revela a sua atávica cobardia em dar a cara nos momentos cruciais da crise da nação. cavaco não foi, e nunca será, um motorista: cavaco é um inválido do banco de trás, um lastro que, depois de salazar nos ter feito perder meio século da nossa história, lhe vai acrescentar mais 20 anos de retardamento.
70 anos de atraso equivale a fazer penar um país quase um século, e isso é muito grave: acabou com fuzilamentos, na roménia, e matanças, no magreb. por cá, aníbal discute as roupinhas da irmã clara do menino jesus e saber se os seus poderes na ilha do pico poderão vir a afetar os seus fracos picos de poder.
o seu verdadeio facebook é ESTE e ESTE, toneladas de lixo visual, de onde se tirará o futuro álbum de horrores desta vergonhosa contemporaneidade.

gostaríamos de saber, não pelo facebook, mas olhos nos olhos, o que pensa cavaco do bpn, e o que vai fazer, quando não o conseguir privatizar em julho, e como vai explicar aos portugueses, em agosto, que as tais parcerias público-privadas mais não são do que os impostos de quem os paga a serem usados, não na educação, não na saúde, não na cultura nem no progresso nem no bem estar, mas nos prémios do bava, do vara e outros canalhas quejandos, de cujos nomes nem nunca ouvimos falar.
para mim, um radical desapaixonado, e que execro cavaco como nunca execrei ninguém, nem salazar, ler o facebook de cavaco está o nível das mensagens sórdidas de portas de sanitário, uns dias ligeiramente acima, outros, francamente abaixo. para isso, prefiro ir diretamente às fontes, e não acrescentar crédito a um penar tecnológico de uma mente de crendices, neurologicamente afetada e assumidamente pré-lógica.

que o dia 5 de junho lhe traga as piores surpresas, sr. aníbal.

(pentatlo do 5 de junho, no "arrebenta-sol", no "democracia em portugal", no "uma aventura sinistra", no "klandestino" e em "the braganza mothers", em pleno, e assumido, toque a rebate)

sexta-feira, maio 27, 2011

O regresso do Cavaquistão, ou a Portugalia Monumenta Pornographica



Imagem do Kaos, com dedicatória de parabéns, aos 26 anos, feitos hoje, de um dos mais brilhantes criadores desta miserável terra


Hoje, venho para escrever um texto que vai chatear muita gente.
(Domingos)
Paciência, e começo já por uma fábula de La Fontaine dos tempos modernos.

Era uma vez uma festa de aniversário, em que um grupelho de gente, que se achava país, mas mais não era do que um ajuntamento mal afamado de pessoas, combinou ir fazer um jantar de aniversário. Como vocês sabem, os jantares de aniversário têm várias etapas protocolares, umas boas, e outras menos boas, do tipo da do Obama a gaguejar, enquanto tocava "God save the Queen".
Uma delas passa pelo aniversariante chegar sempre atrasado, para permitir que as pessoas incompatíveis, que se vão sentar à mesa, se tratem como a água e o azeite, e se afastem, antes de estragarem a festa. Consequentemente, há quem chegue primeiro, e comece a pedir whiskies e martinis, gins tónicos e essas pequenas coisas, baratíssimas em qualquer restaurante, ou multipliquem as entradas, os carpaccios, as amêijoas à bolhão pato, os presuntos de parma, e há sempre uma ansiosa, que está de três meses e desejos, que quer 1/4 de Dom Pérignon, para ver se é tão bom se diz, ou ouviu dizer. Entretanto, como se sabe, já começam a chegar aqueles que se guardaram da fome o dia inteiro, para se desforrarem à pala do orçamento dos outros, e querem logo começar a pedir pratos.
Há dois tipos de pessoas nestas mesas, as do estado social, que pedem os pratos mais baratos, porque já sabem que aquilo vai sair da carteira de todos, e que nem todos têm a carteira recheada da mesma forma, e as outras, que vão sempre para o prato mais caro, já que aquilo, por norma, irá sair dividido pelos restantes, que devrão alombar com a crise.
Isto é só a primeira metada da fábula, porque, entretanto, ao chegar o aniversariante, já os martinis e os gins se multiplicaram, e os gulosos do primeiro prato já estão a contabilizar, e a enfardar, o segundo.
O álcool, como Manuel Alegre sabe, é como as cerejas, e, a meio do banquete, já toda a gente se adora desde sempre, adorará para sempre, e retoma memórias do tempo em que Saddam Hussein era o Herói do Ocidente. É este o tempo dos retardados, quando começam a abancar os que tiveram atrasos, engarrafamentos, mentiras de última hora, ou vêm só para a sobremesa, para poder manter a linha... da carteira.
Não sei quanto tempo pode durar esta fase, liguem vocês o cronómetro, e façam contas, porque eu sou péssimo delas, e nelas, mas, no final, quando a parábola entra na euforia descendente, e os casais se levantam, porque amanhã é dia de trabalho, ou têm uma goela aos berros em casa, só deus sabe se não tornada já em Maddie, e os solteiros têm uma queca marcada para de ali a meia hora, e começa alguém a dizer que é preciso fazer contas, e os empregados a forçarem com as luzes que se apagam, e, nestes entretantos, toldados pelo etílico, como o Ruben de Carvalho, antes das Assembleias Municipais de Lisboa, enfim, nestes entretantos, descobre-se que muita gente já deu à sola, e só ficou à mesa, sentado sob o olhar feroz do gerente, um grupo de palermas, que acabará por arcar com a conta inteira.
Suponho que não tenha sido exagerado no que narrei, pelo que passamos à analogia, e, depois, ao lado científico da coisa.

O início deste jantar chamou-se Cavaquismo, em que a Europa nos enchia de milhões a fundo perdido, milhões para melhorar habilitações, para melhorar especializações, para erradicar analfabetismos, para melhorar vias de comunicação rodo e ferroviárias, para criar infraestruturas, para abrir o País ao exterior, tornando competitivas as exportações, e dando espaço para que as nossas pequenas maravilhas agrícolas, vinícolas, artesanais, industriais e cerebrais se tornassem visíveis na Comunidade Europeia. Os homens que iam pescar na Terra Nova voltariam mais depressa, e com pescado para colocar, qualidade demarcada, nos novos mercados europeus. Os nossos génios inventivos já não teriam de penar ver as suas brilhantes ideias roubadas e patenteadas por outros, por falta da miserável quantia de as poder registar a nível mundial. O queijo da Serra teria mercados mais vastos e certificação, através de poderosos investimentos seletivos. Os portos de Portugal, assim como os seus estaleiros, iriam passar a praticar taxas altamente competitivas, tornando as primeiras costas da Europa uma atraente zona de passagem para o resto da Europa, acessada por uma teia viária excelente, barata, e acompanhada por uma rede de alta velocidade, que nos ligasse aos consumidores do Centro e Norte da Europa. Que tal colocar os nossos melhores vinhos, em seis horas de viagem, nos seletivos armazéns de Paris, Londres, Milão e Bona?... Magníficas universidades, a lançar nos mercados europeus crâneos poliglotas, doutorados em áreas de ponta, e todas as editoras recauchutadas e aliadas com o mercado brasileiro, para fazer ecoar as nossas melhores vozes da escritas nos escaparates das capitais onde ainda se lê. Um calçado excelente, e parcerias de modelismo e moda, capazes de criarem marcas rivalizadoras com as Lacoste, as Boss e as Armani. Os cristais da Stephens e da Marinha Grande melhorados, e os nossos tecidos a monopolizarem as procuras dos maiores estilistas mundiais. Uma rede informática a ser desenvolvida a alta velocidade, a par com a pesquisa euroamericana, e os nossos excelentes litorais a serem explorados por cadeias portuguesas de turismo de alta qualidade e preço acessível, para turistas de classe média e alta, da cansada Europa, e, ah, sim, a recebermos o melhor do intercâmbio da juventude, tornando Portugal uma referência incontornável nos lazeres dos outros povos trabalhadores. Urânio, Ferro, Volfrâmio, Ouro, Prata, Estanho e Lítio, sim Lítio, com pesquisas internas, para saber onde está o nosso petróleo, e grandiosas centrais de energia eólica e solar, unidas com o geotérmico das ilhas, com forte aposta no biodíesel.

A Europa sonhava alto com o progresso de Portugal, mas estava enganada, porque Portugal, recém saído das mãos do FMI, estava a ser governado pela maioria absoluta de uma das mais estúpidas, retrógradas, atrasada e cega ao rumor da contemporaneidade, criatura, que conhecêramos. Era um Salazar sem virtudes, cuja corte de medíocres nos fazia ressaltar, um passo em frente, e dois atrás, até ao fundo da Cauda da Europa.

Chega de lamúrias históricas, e vamos ao pragmatismo: não tenho acompanhado, senão com náusea, aquilo a que vulgarmente chamam a "Campanha Eleitoral", aliás, a campanha eleitoral é um mero pretexto para vadiar as coisas do costume, com os intervenientes da pura saturação, e vamos começar a provocação:

O Sr. Sócrates destruiu a Agricultura de Portugal?
O Sr. Sócrates destruiu os estaleiros navais de Portugal?
O Sr. Sócrates fechou as minas de Portugal?
O Sr. Sócrates fechou a Indústria Têxtil de Portugal?
O Sr. Sócrates desmantelou a rede ferroviária nacional?
O Sr. Sócrates atrasou 20 anos a ligação dos centros portugueses à alta velocidade europeia?
O Sr. Sócrates abateu a indústria pesqueira dos portugueses?
O Sr. Sócrates criou cursos fantasma, onde os "formadores" se abotoavam com os dinheiros da formação e davam "diplomas" sem saída?
O Sr. Sócrates permitiu que cadastrados, como Cardoso e Cunha, chegassem a Comissários Europeus e Esbanjadores da Expo-98?
O Sr. Sócrates reduziu o Teatro nacional a lixos La Feria?
O Sr. Sócrates deixou que o Vinho do Porto passasse a ter a etiqueta "Made in California"?
O Sr. Sócrates deixou que o país se cobrisse de eucaliptos, após o abate sistemático de oliveiras e sobreiros?
O Sr. Sócrates criou um sistema de escravos clandestinos, que vinham, em forma de pretos, cobrir o país de betão, para depois serem lançados porta fora, ou em guetos cheios de ódio e desintegração social?
Foi o Sr. Sócrates que impediu que Leonor Beleza fosse julgada, como em outros países se foi, por contaminação voluntária, ou involuntária, de doentes, com HIV?
Quem permitiu que uma "reforma fiscal" criasse um monstro financeiro, equivalente à Fraude Madoff, e chamado BPN?
Quem deu imunidade, e impunidade, a gente como Valentim Loureiro, Ferreira do Amaral, Mira do Amaral, Dias Loureiro, Duarte Lima, e aos pedófilos Eurico de Melo e Valente de Oliveira?...
Foi o Sr. Sócrates?...

Não, o Sr. Sócrates só chegou no fim do jantar, sacou a sua parte, e, quando pediu a conta, verificou que o Cavaquismo e arredores tinham sabotado o terreno para lá de tudo o que era possível. Era uma conta astronómica.

Culpem, pois, Sócrates do que é culpado, e assaquem as responsabilidades a quem antes o pôs em tais lençóis.

É bom que o FMI tenha voltado, no tempo da criatura que mais o temia, Aníbal Cavaco Silva.
Quando a organização internacional se sentou e pediu para ver as contas, não deverá ter percebido como se podia ter criado tal abismo salarial entre as bases, trabalhadoras, horas infinitas, de tarefas inúteis, num país sem agricultura, indústria, pescas, minas, nem nada que se pudesse exportar, e as cúpulas, miseráveis, sem habilitações, autocontemplativas, estranguladoras e sufocadoras de qualquer iniciativa, mas banhadas em dinheiro.

Sim, não era possível cortar salários a quem já os tinha os mais baixos da Europa, não era possível atirar com bombas de impostos a quem já tinha uma das mais barrocas cargas fiscais do tecido do Espaço Comum. Que fazer a um povo que não contraiu uma dívida, e está a ser vítima de uma dívida contraída por uma corja que viveu muito acima das suas possibilidades e das possibilidades dos restantes?... Por que é que em Portugal não havia um único culpado deste descalabro preso?... Por que é que identificados os madoffs, aind aestavam todos em Cascais, nas suas fortalezas de luxo?... Onde paravam quase trinta anos de fundos de reformulação de um país atrasado legado por Salazar, que agora estava atrasado, e legado por alguém que não assumia essa responsabilidade?... Como se podia circular num pais onde as estradas violavam todas as regras da segurança, e tinham custado dez vezes mais do que em qualquer lugar do Mundo?... Como era possível ter existido uma suspeita pedófila sob todo o Estado, e haver cinco gatos pingados a pedirem para ser indemnizados, pelo seu nome estar... sujo?... Como é que circulavam, nas estradas de um país que não produzia nada, tantos carros topo de gama?... Como é que havia tantas casas de luxo, num país sem mercado industrial, nem qualquer pretensão a praça financeira de referência?... Por que é que Portugal era, impunemente, a principal porta de entrada de tráfico de droga, de clandestinos para a prostituição, de armas e de combustíveis radioativos?...
Quem é que, afinal, governava Portugal, ou, em Portugal, o Estado estava entregue a si mesmo?...

O Sr. Sócrates, por quem nunca nutri grande admiração, apareceu no fim deste repasto. Quem construiu esta aberração foi um provinciano, chamado Aníbal Cavaco Silva, que traiu o seu País, o seu Partido e a nossa história coletiva. Em qualquer outro país civilizado, teria sido chamado ao banco dos réus da História. Em Portugal, uma vergonha europeia, foi eleito com 25% da população deste "país", à beira da Bancarrota, de que ele foi pai e avô... "Presidente da República"...
É, portanto, a estes estranhos 25% que este texto se dirige, considerando os restantes meros assistentes, e vítimas, de um ato público de agressão, à sombra, e a pretexto de um escrutínio: estas mesmas pessoas, que tanto acreditaram na credibilidade, e "hònestidàdë", do homem que destruiu Portugal, devem, agora, dar-lhe um braço amigo que o apoie, nos tempos difíceis que se avizinham. Estes 25% de Portugueses, as forças vivas do país moribundo, devem, pois, reeleger José Sócrates, para que ele possa apoiar o seu padrinho de Boliqueime, mas eu, aqui, estou a desviar-me da violência do texto, que quero retomar: Passos Coelho, que não representa ninguém, mas à sombra do qual se recomeçaram a perfilar as piores sombras do Passado, que pense no seguinte: de cada vez que forem desenterrar um cadáver mal condenado do Cavaquismo, os Catrogas, as Belezas, os Loureiros, os Cadilhes, o anão discípulo de Eurico de Melo, e lhe o puserem ao lado, estão a desencadear, em certas gerações que foram trituradas pela destruição do PSD, do País e da nossa Esperança, as mais amargas memórias. O Cavaquismo não é alternativa a nada: o Cavaquismo é um período que deveria ter tido direito ao seu Julgamento de Nuremberga, e não teve, e, se há Sócrates, é porque já tinham sido instaladas, pelo Cavaquismo, as mais sólidas raízes para o seu eclodir. o Sr. Passos Coelho tem de decidir, de uma vez por todas, se é o candidato do regresso do Cavaquismo, ou do chamado Partido Social Democrata, porque, as dívidas públicas e os desempregos não se tornam astronómicos em 6 anos; o descrédito mundial, sim, quando os emprestadores se questionam "para quê emprestar a uma gente que, quando recebeu de graça, foi, durante décadas, incapaz de acautelar o seu futuro?..."

Aníbal Cavaco Silva governou, ou governou-se, ou deixou que uns tantos se governassem, sempre convencido de que saltaria do barco no momento do naufrágio: Teve azar: 25% de pessoas que não pensam, ou que estavam tão chocadas com ter Presidenciais onde havia uma sanita e dois bidés, por esta mesma ordem, Cavaco, Alegre e Nobre, atrelaram-no, de novo, à nossa demência histórica. Acho que fizeram bem. Devem, pois, completar o par, e sentar à mesma mesa quem consumiu, e quem ficou, no fim, para pagar, ou seja, o Sr. Aníbal, mais o seu insuportável Zé, de Vilar de Maçada.

Pelo que escrevi, devem perceber que encaro o 5 de junho como uma réplica do horror de 25 de janeiro, com algumas oscilações, mais radiotividade e imprevisíveis tsunamis: José Sócrates é a figura forte e ressuscitada, e tira-lhe o chapéu quem tanto o combateu; Passos Coelho é o joguete de gente que o trucidará caso, mal, perca; Portas representa a tal terceira via, que provocou descalabros nos espetros eleitorais da Europa, e espero que o faça; o PCP ensimesmou-se, e pagará por isso, e o Bloco de Esquerda vai ver algo parecido com outra fábula, a da cigarra e da formiga.

Pelo meu discurso, já perceberam onde não vou votar, mas ficam sem saber onde votarei. Como disse, adoraria ver a cara saloia de Cavaco a ter de dar posse ao Sócrates que traiu, há dois meses. Uma coisa rápida, assim, do estilo do ganha um dia, e no dia seguinte já não ganha, só para ver a cara do outro. Será um cenário penoso, como penoso seria que Sócrates perdesse, e tivéssemos um Governo, uma Maioria, um Incontinente.
Com o meu voto, tentarei ainda tornar este cenário mais penoso, para o espetro de Belém.
Espero que, com o vosso, façam exatamente o mesmo, ou pior, se para isso tiverem imaginação :-)

(Quinteto pr'á desgraça, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

quinta-feira, maio 26, 2011

Momento musical-Nem este Tempo nem este lugar... :-(




Aqui deixo a letra desta canção de Brian Wilson para os seus Beach Boys, do álbum glorioso "Pet Sounds".



"I JUST WASN'T MADE FOR THESE TIMES"


I keep looking for a place to fit

Where I can speak my mind

I've been trying hard to find the people

That I won't leave behind



They say I've got brains

But they ain't doing me no good

I wish they could



Each time things start to happen again

I think I got something good goin'for myself

But what goes wrong?



Sometimes I feel very sad (2x)
(can't find nothing I can put my heart and soul into)
Sometimes I feel very sad (Can't find nothing I can put my heart and soul into)


I guess I wasn´t made for these times...


Every time I got the inspiration

To go change things around
No one wants to help me look for places

where new things can be found



Where can I turn when my fair weather friends cop out

What's it all about



Each time things start to happen again (...)

...

Sometimes I feel very sad

(...)
I guess I just wasn't made for these times...


______________________________________

Em tempo de campanha eleitoral que, mal começada já cansa, só resta ir votar, no dia aprazado, embora se saiba que pouco muda. Mas é o que temos e não se deve dar o gosto a quem não quer sequer votos de protesto. Portanto, reflictam até lá... e vão votar... e votem no que quiserem. Mas tenha boa memória! Votem, mas não em desvairados e cabrõ*s!
Pois neste país e mundo cada vez mais parecidos com um poço incómodo, fundo, desolador e GELADO... Já temos cabrõ*es e cabr*nas de mais a mandar em tudo, em plena prepotência. Ao menos que no dia 6 se possa respirar melhor.Mas a "coisa" não está boa nem para nós nem para o cidadão europeu ou da Terra (incluo os animais, que há mais tempo que nós não têm votos na matéria).

De resto, num país onde quase não se tem voz, ou espaço, ou mera consideração humana... vai continuar tudo mais ou menos na mesma. É que a maior mudança deve ser a de cada pessoa, em si...e nas pequenas coisas que pode fazer à sua volta... e isso raramente acontece. As pessoas têm as vontades anquilosadas, o coração condicionado a egoísmos e modas, o orgulho hipertrofiado, o desânimo instalado. Cada um gosta que os outros, no colectivo ou individualmente, façam algo a seu favor, mas é incapaz de dar esse exemplo...de ter gestos de bondade, de iniciativa positiva.
Não se desviem com a desculpa do sol ou da chuva. Vão votar, amigos leitores. Depois, se algo muda ou não, vai depender também de cada um, em cada dia.
Por meu lado , continuarei a fazer o mesmo esforço, enquanto tiver alguma saúde ( e me sobrar algo do coração amarrotado) embora, como diz a canção, não creio ter nascido para estes Tempos! Ou seja para esta forma fria e calculista de funcionamento do mundo, para uma época em que se usam as pessoas como se fossem coisas (às vezes como ídolos passageiros, mas sempre como coisas!) e se admiram coisas e abstracções como se fossem pessoas. Onde a solidariedade não surge quando dela se precisa e de nada serve ter-se um cérebro para pensar (pois já há ideias "pronto a vestir" que nos proporcionam fazer boa figura...). :(((

Até qualquer dia,
"Alergia"

"O Outro País" - José Gil

No meio deste frenesim de campanha eleitoral, no meio de toda a gritaria populista,dos comícios recheados de imigrantes a troco de sandes e das arruadas distribuidoras de papelinhos, é bom ler palavras de um filósofo com alma de Poeta, como é José Gil. No inquérito diário a personalidades portuguesas, o "Público" do passado dia 22 de Maio revela a opinião deste pensador, palavras que traduzem muito do que sinto também neste momento.
A Palavra a José Gil, portanto. (os destaques gráficos/de letra são meus)
A Pergunta era:
Que país espera depois das eleições de 5 de Junho?
"Porque me parece perigoso traçar a imagem de um Portugal ideal preconcebido segundo princípios ideológicos, políticos ou mesmo éticos, referir-me-ei a um país que possa inventar-se a si mesmo, imprevisível e livre.

1. Um país capaz de criar mecanismos que desbloqueiem as energias dos portugueses, logo que elas sejam ameaçadas de paralisia ou destruição.

2. Um país em movimento, em que um dos traços mais característicos dos portugueses, a capacidade de se transformar, de devir outro, se volte para o jogo, a leveza e a criação e dissipe o nosso peso, a nossa falsa profundidade, a nossa tendência para o sombrio e o taciturno; para a gravidade factícia e também para a esperteza provinciana.

3. Um país intenso no que pensa e no que faz, na expressão dos afectos e na espontaneidade dos desejos.

4. Um país que goste de si porque as pessoas gostariam mais de gostar do que de desconfiar umas das outras. Que goste mais da alegria do que da tristeza. Que goste mais de admirar do que de invejar.

5. Um país de gente ávida de conhecer, de descobrir e de criar. Voltado para fora, mas sabendo recolher-se-ia em si.

6. Um país capaz da velocidade maior na imobilidade maior. E da maior concentração na mais rápida mutação.

7. Um país sem culpabilidades arrasadoras, sem complexos de inferioridade abissais, sem temores seculares interiorizados. Em que cada um possa trabalhar e gostar do seu trabalho.

8. Um país que nunca perca a virgindade das emoções, mesmo (ou sobretudo) na morte.

9. Um país capaz de se maravilhar por existir e pertencer à Terra.

10.Um país em que cada um dos seus habitantes viva nele todos os países do planeta."
José Gil, Filósofo


Que este país desejado se realize em geral e também dentro de cada pessoa, é o voto que eu gostaria de juntar a estes...

"Alergia"

terça-feira, maio 24, 2011

DEclarações | Dia D | Dia D'combinado?

"FENPROF: Cortes na Educação podem levar ao colapso da escola pública
O secretário-geral da FENPROF alertou ontem que o Orçamento de Estado e o acordo com a 'troika' que negociou a ajuda externa poderão levar ao colapso da escola pública e pediu que, sem novos investimentos, não haja mais cortes.  (2011-05-24)

FNE: Mudanças têm que se feitas com negociação e consenso
O presidente da Federação Nacional de Educação disse ontem que os intervenientes na jornada de reflexão sobre o futuro do sistema educativo reconheceram a necessidade de que as mudanças se façam com base na "concertação, negociação e consenso" alargado.  (2011-05-24)"

FONTE: EDUCARE.PT

Por João Ruivo | "A Escola pública e o Estado democrático"

A democracia parlamentar e a escola de massas, que convergiu na escola pública, constituíram-se como dois dos grandes mitos ideológicos forjados no seio das mais avançadas sociedades industriais do século passado.
À primeira era conferida a missão de criar uma sociedade fraterna, totalmente baseada na igualdade dos cidadãos. Á segunda foi pedido que também ela se democratizasse, abrindo as suas portas a todas as crianças e jovens que a quisessem frequentar. 
São, ainda hoje, dois projectos de uma generosidade indiscutível e que, apesar das fragilidades com que muitas vezes se defrontam, não encontraram ainda melhor alternativa, no respeito pela liberdade de escolha e no pleno exercício da cidadania. 
Porém, temos que admitir que a democracia parlamentar não impediu que a riqueza se concentrasse em cada vez menos mãos e que o fosso entre os mais ricos e os pobres fosse cada vez maior. Como não conseguiu erradicar a maior das chagas sociais que nos envergonha: a da exclusão social, que engrossa a fileira dos que têm fome, dos que não têm abrigo, dos que não têm direito à saúde e dos que viram negado o direito a um trabalho. 
E também temos que reconhecer que a escola de massas, a verdadeira escola pública, ainda não conseguiu que a igualdade do acesso se transformasse numa igualdade de sucesso; assim como tarda a que a escolaridade seja por todos vista como um valor de promoção social e de meritocracia. 
O professor, que é simultaneamente cidadão e educador, vê-se confrontado, nesta segunda década do século XXI, com esse duplo dilema: o de ajudar a construir uma sociedade mais justa e o de erguer uma escola gratificante para quantos nela trabalham e nela se revêem: alunos, docentes, funcionários, pais e membros da comunidade local. 
Confrontados entre o desejo de realizar cada vez mais e a míngua dos resultados alcançados, sentem frustrados e menorizados na sua profissionalidade. Sentem-se assim, não por incúria, mas porque são profissionais responsáveis e de dedicação para lá dos limites do imaginável. 
Mas sentem-se assim também porque tardam em perceber que o seu desencanto é a medida resultante de uma indirecta e subjectiva avaliação das políticas educativas e dos responsáveis da educação que as protagonizaram. 
Os professores são intelectuais livres. É certo. Mas num aparelho de Estado centralizador, como o é o nosso, também são chamados a serem dóceis funcionários executores de medidas de política educativa, das quais por vezes discordam e para as quais só episodicamente são chamados a opinar. 
Daí resulta um estranho equívoco: muitos docentes assumem como derrota profissional a falência desta ou daquela medida de governo. Entendem que foram o problema, quando, de facto, os normativos burocrático-administrativos não os deixaram ir em busca da solução. 
Se querem que os professores assumam, em plenitude, toda a responsabilidade do que ocorre na escola, então revela-se indispensável que eles a si chamem a gestão integral dos destinos das instituições educativas. Não há responsabilidade total sem completa autonomia. Não deve ser exigida a prestação de contas a quem não foi autor dos objectivos a contratualizar e da missão a cumprir. 
Por isso, antes de se julgar e avaliar os professores, antes de julgar e divulgar o ranking das escolas, urge avaliar e classificar as medidas educativas que estes e aquelas foram obrigados a protagonizar, muita das vezes contra natura. 
O Estado e as famílias demitem-se todos os dias de objectivos educativos que só a eles deviam ser remetidos e dos quais contratual e socialmente se responsabilizaram. 
Alguns jovens são levados a acreditar que a escola é terra de ninguém. Onde a ética e a deontologia fica à porta da sala de aula e onde todo o individualismo exacerbado pode substituir o trabalho honesto e colaborativo. 
Muitos professores são apanhados em curvas mais apertadas da sua profissão porque são induzidos a julgar que foram formados para serem exclusivamente gestores de conflitos numa arena que, em algumas escolas, resvala o limite do bom senso e da decência. 
O Estado e as famílias pedem à Escola que os substituam. E apontam o dedo acusador quando a máquina falha por excesso de carga profissional, emocional ou administrativa. 
Assim não! É que mais cedo do que a razão aconselharia talvez haja muitos professores que já tenham percebido que mais vale pronto recusar que falso prometer.
João Ruivo
jruivo@almada.ipiaget.org
www.rvj.pt/ruivo

segunda-feira, maio 23, 2011

N.O.3- o Ridículo: Mais Estudos daqueles "muita fixes" e "pense positivo,pá!"

E como a a farsa tem de continuar, até à desgraça final , isto é, até o dinheiro acabar de vez e não haver mais Novas Oortunidades para ninguém, eis que chegam fantásticos "Estudos", mais uma vez vindos não se sabe como nem de onde, feitos por uma almas bondosas (de quem não duvido a ciência, mas que até admiro como atingem tais conclusões num tempo tão escasso e prematuro), que gostam de salientar o Pensamento Positivo, a famosa auto -Estima, etc.
Como a "avaliação" dos Cursos de N.O., --há cerca de um ano orientada pela equipa de Roberto Carneiro e UCP, --apenas pode deduzir por única conclusão segura que estes cursos garantiam o elevar da Auto-estima dos formandos, julgo que este novo estudo será para estender a auto-estima a toda a família dos formandos, nomeadamente aos seus "rebentos" em idade escolar.(será porque a família está menos horas com eles? Porque agora têm messenger à borla para ligar do Curso para casa? Bem...está certo... agora vêm a fraca apresentação dos trabalhos dos filhos e ralham com eles e ajudam nas pesquisas, na certa...)
Mal não vem ao mundo em suceder isto, mas é curioso que tais estudos tão profundos (?) cheguem sempre em alturas tão certeiras... :P


Leiam então e concluam algo, pois eu nem tenho mais fôlego para comentar tanta ...hã.... tanta.




(a notícia já é do dia 10 de Maio, do "i-online", e o título termina mesmo assim, com a palavra "especialista"...não é a família que é especialista, mas uma tal de "especialista"... em Novas O.? Em Educação em geral? Em relações familiares???)