segunda-feira, janeiro 31, 2011

Eufemismos da Crise...

Cartoon de Margarida Alegria (c) 31-Janeiro-2011

Toca a publicar isto, antes que a(s) patroa(s) me despeça(m)... :-/
O Ano está a começar assim.
Sem mais comentários.
Alergia

HOJE | Prova dos 'quê'??? | Prós e Prós com Isabel Alçada ....

A PROVA DOS NOVE dizem eles : /

Programa de 31 de janeiro 2011.

Um debate onde vão ser analisadas algumas questões importantes do setor da Educação, nomeadamente a do ensino particular e cooperativo.

Como convidados deste programa, entre outros: 
ISABEL ALÇADA, ministra da Educação 
ISABEL SOARES, diretora Colégio Moderno 
PEDRO DUARTE, vice-presidente grupo parlamentar PSD 
NUNO CRATO, prof. universitário 
MÁRIO NOGUEIRA, secretário-geral Fenprof 
JOÃO ALVARENGA, pres. Associação Estabelecimentos Ensino Particular e Cooperativo


por: Equipa Prós e Contras

sexta-feira, janeiro 28, 2011

"Provavelmente 30% dos professores vão ficar sem horário, logo ... "

Recebi por e-mail e repasso.
 Mexe-te Prof.
Provavelmente 30% dos professores vão ficar sem horário, logo sem trabalho, logo postos no desemprego a curto prazo. Tens a certeza que não és um deles?
Os professores da Escola 2.3 Luísa Todi em Setúbal, já se começaram a mexer. Hoje, dia 27 de Janeiro de 2011, mais de 70% dos professores da escola reuniram-se e chegaram à conclusão óbvia: temos que lutar juntos, todos sem excepção, professores do Minho aos Açores, independentemente de serem contratados, qzp, ou quadros de escola ou agrupamento, independentemente da sua posição no grupo ou departamento.
A luta terá que ser não apenas nossa mas também de todos aqueles que trabalham ou estão desempregados, seja do sector público, seja do privado.
Na luta terão que ser envolvidas as famílias dos nossos alunos, pois serão eles também prejudicados e de que maneira.
O nosso primeiro passo será o de fazermos um plenário dos professores do concelho de Setúbal, para além de irmos à luta através da net (blogues, facebook e outras redes sociais, emails), através dos média, através dos SMS, dos grupos parlamentares e mais do que se lembrem.
Voltaram os tempos da luta, não te acomodes. LUTA 
Passa a palavra, arranja soluções criativas e por favor ...  Mexe-te Prof.
--
Álvaro dos Santos

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Não posso deixar passar ... É um amigo e é a minha cidade. É um lugar de passagem ... Raio de mundo!

Imagem daqui
Transcrevo o que o Manuel Rocha escreveu e espero que ele mo perdoe.

Estou vivo e não quero ter medo de ir a Coimbra-B
por Manuel Rocha a quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011 às 2:44

Queridos amigos! Boletim clínico: fractura do perónio e lesão na articulação da perna direita; escoriações muito ligeiras; sem mais lesões físicas ou morais; sono profundo e descansado. Descrição da ocorrência: abordagem por marginal à entrada da estação de Coimbra-B; impedimento, pelo dito, de fecho da porta do automóvel; reacção enérgica, minha, à prepotência do marginal; agressão primeira sob a forma de pontapé; reacção enérgica, minha, saindo do carro para desimpedir a via pública (revelando excesso de visionamento de séries norte-americanas nas quais o "bom" ganha sempre); confronto físico de exagerada proximidade; intervenção do resto da alcateia colocando-me em inferioridade numérica e física seguida de manobra de elemento feminino (demonstrativo de elevado profissionalismo) de inutilização do membro acima referido; pausa para retirar os feridos do campo de batalha (eu). Análise de conteúdo: não se tratou de violência étnica - os bandidos são bandidos seja qual for a característica dos indivíduos. A atitude demissionária e de assobiar para o ar de quem presenciou a ocorrência, não pode ser justificada pelo medo (característica, como é sabido, de quem tem cú), ou não faria sentido evocar esse pilar da civilização ocidental que é o amor ao próximo. Moral da história: há que lutar pela criação de condições que reduzam os caldos de cultura da marginalidade; há que reprimir sem contemplações e com máxima contundência os assomos de marginalidade; há que denunciar a atitude que produz "Solidariedade sim, mas só se for a do Banco Alimentar contra a fome". Tenho a perna partida, é certo. Mas desta vão tratar os profissionais do Serviço Nacional de Saúde. Quem vai tratar da violência criminosa dos marginais e da criminosa (por omissão) passividade dos cidadãos cumpridores? Grande abraço de gratidão pela vossa amizade.

Texto publicado em Nota, no Facebook.

MAIS REFERÊNCIAS:

Haja Memória!!! | "Professores - 15 de Novembro de 2008"


Legenda: 15 de Novembro, 2008, manifestação, professores, portugueses, Portugal, Lisboa, marcha dos espíritos livres, independentes, fotografias de Margarida Azevedo. Direitos reservados.

terça-feira, janeiro 25, 2011

O País das "marquises"





Imagem do Kaos


Pronto, como dizia o outro, depois de pendurado três dias numa feia de uma cruz, sem tomar banho, nem pôr desodorisante, "está consumado": os culpados foram colocados no lugar das respetivas culpas, e esta porcaria pode retomar a sua longa caminhada em direção ao "Pügrèsso", iniciada em 1985.

Nos escassos anos de democracia, já me tinha acontecido, e saudavelmente, ir às urnas votar contra alguém, e fi-lo muitas vezes, talvez a mais saborosa, contra a Carrilha, quando "ela" se andava a abalançar à Câmara de Lisboa, e ainda não a sonhar com ser o próximo manuel alegre de 2016, se lá chegarmos, mas nunca me tinha sucedido ir ter de votar contra quase todos os candidatos.

Os grandes vencedores da noite são, suponho que por consenso, o coelho da madeira, que vai fazer a vida negra ao alberto joão, nos próximos tempos, e isso é fantástico, porque me faz sempre lembrar aquelas lutas das mulheres na lama, e eu adoro chiqueiradas, senão, não tinha nascido português; o do PCP, que tem sempre uma "vitória moral", nunca se percebe por quê, por que arrecada sempre menos votos do que o pleno do partido, 50 000 enfermeiras a masturbarem-se, em direto, para fernando nobre, o alegre que se segue, e os comprimidos do professor lobo antunes, que já deram a volta ao mundo e ao tempo.
Pensando no caso de manoel de oliveira, acho que esses miraculosos comprimidos, ou "pastilhas", como se diz no sotaque de boliqueime, nos poderão assegurar um feliz sexto, sétimo e oitavos mandatos presidenciais, de qualquer múmia que lá se ponha. Quando crescem as exportações no "off-shore" da madeira, através da Wainfleet, a maior exportadora portuguesa, de papéis fantasma, da mafia russa, grande parte dessas exportações reais são, suponho, para manter vivo fidel castro, e, creio, ratzinger, o mais velho ayatollah ainda em exercício no hemisfério ocidental, Corre por aí, que, quando deixar de os pagar, como deixou de pagar os sapatinhos prada, o senhor, ou o espírito santo, ricardo salgado, o levarão para junto de si. Sempre diminuíam as emissões de co2, entre outras benesses.

Parece que o dia mais deprimente do ano é o dia 24 de janeiro: nós, como sempre fomos mais avançados nas coisas más, preferimos, para antecipar, o dia 23.

Ontem, dia 23, e regressando aquele epifenómeno a que chamaram "presidenciais", conseguimos uma coisa miraculosa, que já não se via desde a cova da iria e a cura milagrosa dos hemofílicos de leonor beleza, que foi juntar as causas naturais aos milagres da fé, e vamos já às causas naturais.

As causas naturais, de 23 de janeiro de 2011 resumem-se a que portugal, nação anexa das españas, e na eminência de entrar na tutela do fmi, conseguiu organizar um evento de cariz eleitoral, com o elenco da liga do últimos, uma superprodução de lix..., perdão, de luxo, que foi desde os candidatos aos eleitores, passando pelos engasganços dos meios de votação. A coisa foi bonita, cívica, "glamourosa", como diria aquele sacarolhas chamado zezé castelbranco, e acabou à altura dos intervenientes, com o milagre da fé de se ver uma criatura, em estado lastimável de saúde física e mental, conseguir reunir contra si 75% (!) da população do retângulo, e ainda aparecer ao lado de uma aparição de azul petróleo, embevecida, com o marido poder ir voltar a ocupar os jardins das tangerineiras de belém. Eu próprio, que só consigo chorar quando a traviata está a fingir que morre, comovi-me, e, enquanto andava pelo "facebook" a provocar as amigas, e deitava o rabinho do olho para a deprimência do que se passava nas televisões, abençoado por ratzinger, por ter sido ali que carlos castro conheceu o mandatário para a juventude de cavaco silva, chorei, porque maria de boliqueime fez o último grande papel da sua vida, a ver se os comprimidos do professor lobo antunes não se iam abaixo, antes do marido voltar a sair da marquise de belém , para a marquise do possollo, mas vou deixar as marquises para depois, porque ainda tenho de prolongar um bocadinho mais esta introdução.

Como comecei por dizer, o vergonhoso número de teatro de revista de 23 de janeiro colocou todos os culpados perante as respetivas culpas, e escreveu-lhes importantes linhas biográficas. A primeira, talvez a mais lapidar de todas, foi ter associado o nome do senhor alegre, de águeda, à eleição de um morto político, cavaco silva, por duas vezes, uma, em 2005, a segunda, em 2011, e para um cargo que conseguirá, assim o esperamos, levar ao extremo do desprestígio, no prazo máximo de cinco anos. Compete ao senhor alegre, portanto, desaparecer agora de cena para sempre, ou ir para túnis, montar uma rádio própria, de onde poderá acompanhar como uma revolução de jasmim corre o risco de nos pôr um irão a hora e meia de voo de lisboa, e me impedir, grossa chatice, de ir lá comprar tapetes dos anos 40, à medina de Sousse. Já agora, pode levar com ele o bloco de vampiros de esquerda, que é melhor continuarem a sonhar com coligações ao nível dos zés que fazem falta do que com ministérios da cultura, do turismo,  e varandas afins.

O segundo carinho vai para o sr. aníbal, um homem honesto, que tentou rebobinar a história, mas se vai sair muito mal, porque, em redor de homens honestos não podem existir dias loureiros, oliveiras e costas nem leonores belezas, como salazar muito bem sabia. Há, em contrapartida, um povo, ou melhor, uma sombra com o peso de 75% da população, que lhe disse, expressamente, que, mais tarde ou mais cedo, vai ter de explicar por que é que nós, país pobre e de população degradada, temos de estar a pagar milhares de milhares de milhões, por causa de uma banca de lavagem de dinheiro, que suponho que nem ao sr. madoff, condenado a meio milénio de prisão, terá lembrado na américa.
Não quis explicar durante a campanha, pois que mande agora num papelinho escrito, como aquele que carlos cruz mandou ao "bibi", a lembrar-lhe que não se conheciam.
A maria até pode lê-lo em público, e dizer que dias loureiro nunca foi vizinho de cavaco, nem ministro, nem guardião das ações e das poupanças do saloio da coelha e da saloia da patrícia, nem sequer conselheiro de estado, e ainda menos exilado de cabo verde, paraíso da pedofilia.

O sr. aníbal pensa que, dia 23, recuperou aqueles 10 anitos do antigo regime, que uns gajos com cravos e tanques obrigaram a interromper, quando ele tinha uma prateleirita tão bem assegurada no seguimento do "antigamente", como outros que tais, que depois até deram dignamente a volta ao filme, como freitas do amaral, sá carneiro, ou marcelo rebelo de sousa, de entre alguns que agora me vieram ao correr do teclado. Ao contrário dos anteriores, o mendicante de boliqueime insiste em ignorar que existiram, para o bem ou para o mal, 11 anos, entre 1974 e 1985, que mudaram, para sempre o decurso da história de portugal, tornando obsoletas coisas que se lhe escapam, nos intervalos dos perdigotos e das semividas dos comprimidos do professor lobo antunes, como as assembleias "nacionais" (?), os dias da "pátria" (?) e as pensões do "pides".

Matematicamente falando, e isso é bom, porque a matemática é canónica, nós, portugueses, os tais da zona que consideram o sr. aníbal um cancro da democracia, ficámos, agora, com um dos maiores trunfos da nossa vida, porque assim como alegre vai desaparecer em duas semanas, uma coisa passámos a ter como certa: o prazo máximo para aguentar aquela assombração de boliqueime, vergonha do nosso rosto internacional, são 5 anos, sim, só 5 anos, com fortes probabilidades de que a doença -- e não se deseja mal a ninguém, mas também se aceita, se vier de boa vontade... -- até nos antecipe esse dia em dois ou três anos. É justo, até por que, com o aumento da esperança de vida, ainda temos muito tempo para restaurar a fachada da democracia, arejar-lhe os cantos, e deixar que venha algo de novo. Obviamente que não a Carrilha, por mais esperançada que esteja nisso.

A seu modo, e por mais extraordinário que isto possa parecer, o sr. sócrates, que tanto nos aldrabou, mas tem revelado, nos últimos tempos uma brilhante capacidade de patriotismo e malabarismo, ao tentar fazer com que portugal mantenha a cabeça de fora, pelo menos no setor terciário, depois de, durante 20 anos de persistência, o sr. aníbal e o seu gang de criminosos, nos ter destruído e vendido os setores primário e secundário, acaba por receber um inesperado balão de oxigénio. Pode ser que esta ansiedade de legislativas antecipadas lhe traga uma surpresa, daquela franja de 75% que VETOU cavaco silva. Vai ser o maravilhoso espetáculo dos próximos tempos, embora creio que o sr. aníbal e a sua ridícula maria só demasiado tarde venham a perceber o que lhes está a acontecer.

Queria terminar, como prometido, com as "marquises". Quando há crises, no reino unido, vêem-se baterias de câmaras paradas defronte de um prédio simpático, eduardiano -- não posso assegurar, mas isso é irrelevante para o discurso... -- à espera de fumo branco; os franceses preferem apontar as objetivas para Matignon ou o Eliseu, nós, dia 23, assistimos ao episódio mais deprimente das nossas existências, que foi ver as câmaras das televisões apontada para uma "marquise" de classe média baixa, cheia de manchas de umidade, onde o poder daquele casal, chegado ao topo da base, estava a encenar um "frisson" político, ao nível as expectativas do defunto "fontória", quando a mão da stripper sexagenária fazia tremer a cortina vermelha, a anunciar que ia entrar em cena. Os jornalistas, cujo sentido crítico se tem vindo a degradar, como o restante do país, entraram nas minúcias de analisar as oscilações quânticas do "estore", outra das categorias aristotélicas, muito ao gosto desta nossa brandoa generalizada, e a tentar perceber como é que o futuro da bancarrota, do fmi, e dos custos dos calotes do bpn, se resumiam, ali, em flashs de máquinas da patrícia, do bruno e da perpétua, ao som de grande amadora.

Suponho que este patamar das "marquises" seja tudo o que o patético casal de boliqueime tenha para propor, como programa existencial, a um país, como o nosso, no extremo limiar da angústia.
Só lhes fica bem, a eles e a nós, que neles não votámos.

Corações ao alto :-)


(afinal o quinteto era de "marquises", no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino" e no infatigável, e insubstituível, "The Braganza Mothers")

segunda-feira, janeiro 24, 2011

"Brasileiro universal" nas escolas portuguesas?

click na imagem para ampliar


Isto é a digitalização de um "teste" distribuído a alunos do 5º Ano de uma escola do concelho de Paredes. Foi-nos enviado por um "pai indignado" que se identificou e que se comprometeu a enviar também o original em papel por correio normal.

Trata-se de uma colagem de algo que já existia num blog brasileiro, como se pode ver aqui (e como se pode obter directamente aqui), a que apenas foi acrescentado o cabeçalho com a chancela "oficial".

Bem sabemos que o "acordo ortográfico" entrou oficialmente em vigor no nosso país. Bem sabemos também que as diferenças entre o Português-padrão (ou "europeu") e o Português do Brasil não se restringem apenas à ortografia, isto é, que as duas variantes da Língua possuem estruturas morfossintácticas distintas e distintivas, além de que existem também diferenças a nível semântico e do próprio léxico.

Já sabíamos tudo isto, e sabíamos ainda que nenhum acordo ou tratado poderá jamais "uniformizar a Língua", ao contrário do que pretendem os hiper-imaginativos (chamemos-lhes assim) autores do "acordo ortográfico" de 1990.

Mas o que não sabíamos, de todo, é que - a julgar pela amostra junta - às nossas crianças, em Portugal, no sistema de Ensino português, já vão sendo fornecidos testes e/ou materiais pedagógicos elaborados no Brasil, por professores brasileiros e destinados exclusivamente aos estudantes daquele país.

Isto é grave, é gravíssimo, é uma barbaridade intolerável, e por conseguinte carece absolutamente de confirmação. Pode bem ser que este seja apenas um caso esporádico, algo que sucedeu por uma vez sem exemplo e, sobretudo, que semelhante estupidez não voltará a suceder em nenhuma escola portuguesa. E é por isto mesmo, porque temos o dever de estar vigilantes, que aqui deixamos o apelo: se conhece algum outro caso igual ou semelhante, envie-nos uma cópia por email para o endereço ilcao@cedilha.net ou em papel, por correio normal, para o Apartado 53, 2776-901 Carcavelos.

A Língua Portuguesa agradece.

Este assunto foi inicialmente referido no site da ILC contra o AO90.

sábado, janeiro 22, 2011

'CONFISSÃO DE UM PROFESSOR. A POBREZA ENVERGONHADA!'

CONFISSÃO DE UM PROFESSOR. A POBREZA ENVERGONHADA!

O Diário do Professor Arnaldo - A fome nas escolas

Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola
Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos. Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar. De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila - oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude. Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche. O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas...Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta.
Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».

Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?

É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.

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sexta-feira, janeiro 21, 2011

Enquanto estamos entretidos com a campanha eleitoral...

40.000 professores vão para a rua, 7.000 são de EVT e os outros?
Os directores das escolas já têm conhecimento deste documento!! É bom que partilhem a informação e esclareçam, os colegas, do que se está a passar!!

Novos, velhos, mais antigos, do quadro, contratados!!! Toca a todos!! O critério é, e só, económico!!

No encontro realizado ontem da APEVT (Associação de Professores de Educação Visual e Tecnológica), onde estive presente,sala cheia do Centro de Congressos de Aveiro, verificou-se a nossa união e constatou-se os verdadeiros problemas que se avizinham. Portanto, o momento mais uma vez, é de luta e de acção, vai tocar a todos nos próximos tempos, temos de mostrar união e força que "pouco" nos caracteriza, fica aqui o vídeo para que todos se apercebam do que nos estão a tentar fazer, e para onde caminha a NOSSA escola pública.