sexta-feira, dezembro 03, 2010

O Cabrão de Boliqueime VI, como doloroso epitáfio de Ernâni Lopes








O país é o que é, e nós somos o que somos, e a mais não aspiramos do que ter o que merecemos. Cansa-me remexer no passado, sobretudo quando o presente está no estado em que está, mas como só se morre uma vez, não quereria deixar em branco aqui o passamento de ernâni lopes, por muito pouco que me interessem, enquanto gastador, todos os exegetas da poupança.

Enfim, se for ao caixote do lixo, lá encontrarei um tempo em que o país, como agora, estava completamente falido, e os dois partidos do centrão, num soar de alarme do salve-se-quem-puder, resolveram deitar mão a tudo o que era artifício, para salvar a situação. Compete-me dizer que, com todos os defeitos, o palco da política ainda era ocupado por figuras de primeiro plano, e não pelas pendurezas da atualidade.

Se não me engano, andava por aí o FMI, o senhor mário soares apanhava nos cornos dos comunistas... não, isso acho que foi depois, mas pronto, isto é ficção, portanto, foi nesse tempo, e houve um luto, que foi morrer o dirigente do psd, mota pinto, uma figura apagada, mas que tinha percebido que, em tempo de vacas magrérrimas, mais haveria que esquecer as semelhanças e as diferenças, e apostar numa salvação nacional. Imperava nas finanças ernâni lopes, que resolveu trocar parte do subsídio de natal das velhinhas, das de meia idade e das novas por umas merdas chamadas títulos do tesouro, como se isto tivesse assumido, de vez, ser um navio de piratas, e haver uma arca de maravilhas, no final do arco íris.

Não havia.

Pelo que reza a história, ou as conveniências do revisionismo da história, a visita do fmi, pela mão de uma Teresa Ter-Minassian, que abria as pernas como um mealheiro, com uma audácia que nem a câncio com os rafeiros da rodrigues sampaio, conseguiu que este amontoado de gente equilibrasse as contas públicas. Deveu-se o facto à estatura com nível mundial de mário soares e às minúcias de equilibrista e brilhante técnico de ernâni lopes.

Para quem detesta futebol, aqui vai uma velha máxima, que era a de não se dever mexer em equipa ganhadora. Todavia, o psd, especialista em dar o cházinho da meia noite aos seus dirigentes, tinha acabado de apanhar com o luto de mota pinto, e o sr. soares, a mesma velha rata corrupta e manhosa que ainda hoje continua a ser, tentou assegurar o governo, pensando negociar um prolongamento do centrão com o possível líder seguinte do partido liberal, que, por cá, cá se intitula de "social democrata".

Esquecia-se ele de que somos um povo traiçoeiro, e de que trazemos sempre junto ao coração um pequeno grande salazar, e, quando o XII congresso se reuniu, com a expectativa da eleição de joão salgueiro, para acasalar com a mana gorda soarista, ainda ninguém imaginava que ali vinha a caminho um viralatas, ressentido e provinciano, desde a sua vila mariani, no algarve, com uma infância à antiga portuguesa, de porcos no andar de baixo, e uma família de bigode no andar de cima, trazer um bafo de boliqueime aos litorais da figueira. A novidade, parece, é, para além dos porcos, tinha uma bomba de gasolina estacionada à porta de casa, coisa que, como ainda hoje em dia, na jijajoga da especulação dos combustíveis dá jeito, permitiu ao aníbal pai, um saloio das feiras que deus nosso senhor, graças a deus, já levou para junto de si, amealhar um pequeno pé de meia.

Cavaco foi de citroen para a figueira, onde atraiçoou a obra de ernâni lopes, deu a facada no soares e na memória de mota pinto, e encheu a sala de perdigotos tais que convenceu, de vez, aquela matilha, que são os barões do psd, de que era o homem indicado para o lugar.

Não era, e assim se iniciou o presente ciclo de desgraça do país.

Usando uma linguagem muito típica da época, o aníbal tinha um "fascista" escondido dentro dele: tinha jurado à pide ser corno manso com o ancien régime, e que "estava integrado no salazarismo".

Esse, aliás, é um dos problemas que a futura cavaquística, a ciência do desastre nacional, deverá submeter a exegese, um pouco à moda de são tomás de aquino, através da questão "de que modo as expectativas goradas de uma mente estreita vir um dia a integrar a nomenklatura de um regime, que foi abalado por uma revolução, se refletirão em sucessivos solavancos de ressentimento e distorsão da personalidade, de um indivíduo que passará o resto da sua vida a fingir que, de facto, não preferia a comodidade da prateleira do totalitarismo a uma democracia?..."

Esta é a questão existencial do sr. aníbal, e dela nunca se livrará, por mais campanhas e branqueamentos que tente.

Quando o sr. aníbal atraiçoou o seu partido e o sr. soares, era uma criatura que não sabia que havia europa: a sua europa era um quintal em boliqueime e um estágio passado numa cidade de província inglesa, de onde tinha vindo acautelado com um canudo em obsolescências financeiras, dado pelos ingleses naquele espírito do "coitadinho, vem do terceiro mundo, vamos deixá-lo voltar para lá com alguma coisinha...", e ele lá voltou, arrogante, ignaro e ultrapassado, para mal dos nossos azares, de então, de agora, e de todos os futuros.

Ao contrário de soares, que, sempre que mentia, utilizava um tom internacional, o sr, aníbal, de cada vez que tentava ser moderno, abria a boca e saía-lhe um arroto de poço de boliqueime, babado aos cantos da boca, apesar dos esforços de educação da dicção, pela glória de matos, e sempre transpirado das mãos, como ser cobarde que era, e se fazia transportar numa viatura blindada, como se alguém se desse ao trabalho de gastar um cartuxo de caçadeira num pato bravo daqueles...

O resto da história já vocês sabem, e culmina nestes dias de desastre de dezembro de 2010, em que um dos grandes carrascos da nossa economia, cultura e finanças se arvora no avôzinho protetor do povinho apavorado.
Objetivamente... puta que o pariu, porque já lhe tirei o retrato há muito, talvez no dia em que traiu o esforço de ernâni lopes, e mostrou que a chico-espertice nacional vale todas as minúcias e sacrifícios de técnicos honestos e servidores da coisa pública.

Cavaco não era, nunca foi, um político, e, quando arribou, já vinha com uma enorme corte de milhafres, pronta para pilhar o património europeu dos portugueses. Se fôssemos um povo, e não um ajuntamento de pessoas, já lhe deveríamos ter escrito o epitáfio há muito, e identificado o programa do país ideal: está todo na galeria fotográfica de maria cavaco silva, um caso de estudo para os futuros cronistas e etnopsicanalistas do nosso tempo, em que se verá como um par de jarras fora de prazo sonhava com um país de mongolóides, enjeitadinhos, pobres, aleijadinhos, inválidos, mas sempre com um brilho de olhar e iluminação, de quem recebeu a benção de ter estado, por um instante que fosse, perante os kennedys de boliqueime, a epifania das epifanias, uma espécie de porteiros de província, que resolveram abancar à porta de um país de glorioso passado, para o travarem para sempre.

Para mim, enquanto esteta, o fotógrafo que criou aquele espaço de horror devia ser imediatamente demitido, mas isto é só um àparte.

Por fim, para que o texto desça da ficção à autópsia, eu diria que, no fenómeno cavaco há um misto de síndroma de peter pan, onde um povo, coletivamente, decide demitir-se das suas responsabilidades, e assumir ser, para sempre, estúpido e infantil, e sempre sob a tutela de um salazareco qualquer, a ter de ombrear com as consequências e custos da sua maturidade. Nós nunca somos culpados, porque a culpa é sempre dos outros, geralmente, dos "políticos", onde corremos a votar, logo a seguir à falsa lamentação.

A outra metade da síndroma é ainda mais sinistra: é claramente a síndroma de estocolmo, de que sofria aquela estúpida austríaca, que era comida e emprenhada pelo pai, no fundo de uma garagem, e que, quando foi libertada e se tornou celebridade nos focos de escândalo mundial, ainda veio dizer que até sentia uma certa ternura por ele (!)

A nossa história, só deus saberá desde quando, é uma espécie de enorme síndroma de estocolmo, que leva a que nos... (este "nos" não me inclui, nem aos meus leitores)... que, como "solução" para o dia seguinte, nos encostemos sempre ao carrasco da véspera mais próxima.

Quase 900 anos disto cansam, sobretudo, quando são incarnados por figuras de baixo coturno, como aníbal e sócrates.

Não queria deixar de terminar com uma palavrinha dedicada ao falecido, infelizmente para dizer que, também ele, talvez já não na plena posse das suas faculdade, se deixou apanhar no vórtice estocolmiano do sr. cavaco, integrando a comissão de honra (!) da sua candidatura presidencial, como se alguma honra houvesse no penoso penar do algarvio pela desonra nacional, sobretudo nesta fase terminal, em que nos arriscamos a ser vítimas de uma estrutura idiossincrática anómala, que talvez nos possa custar a independência, em todas as suas faces, facetas e prismas.

Paz à sua alma, já que a nossa muito pouca virá a ter, até que o cancro de boliqueime morra, ou degenere, de vez, neurologicamente.

(em tempo de trevas, no "arrebenta-sol", no "democracia em portugal", no "klandestino", no "uma aventura sinistra", e no desventurado "the braganza mothers")

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Momento de pausa entre "grelhas"


À porta do Ministério da Educação, na Av. 5 de Outubro, foi encontrado um recém-nascido abandonado. O bebé foi limpo e alimentado pelos funcionários que decidiram dar conhecimento do assunto à Ministra da Educação.Depois de oito dias, é emitido o seguinte despacho, dirigido ao Secretário de Estado:
Forme-se um grupo de trabalho para investigar:
a) - Se o 'encontrado' é produto doméstico deste Ministério;
b) - Se algum funcionário deste Ministério se encontra com responsabilidades neste assunto.
Após um mês de investigação, o grupo de rabalho conclui:
'O encontrado' nada tem a ver com este Ministério pelas razões seguintes:
a) - Neste Ministério não se faz nada por prazer nem por amor;
b) - Neste Ministério jamais duas pessoas colaboram intimamente para fazerem alguma coisa de positivo;
c) - Neste Ministério tudo o que se faz não tem pés nem cabeça;
d) - No arquivo deste Ministério nada consta que tivesse estado terminado em apenas 9 meses.
SE A SUA AMARGURA É TANTA QUE JÁ NEM CONSEGUE RIR, PELO MENOS ... SORRIA!

Mas ... isto faz algum sentido???

A foto é bela e é dali
 
"Foram quase 1,5 milhões os portugueses que se inscreveram no programa Novas Oportunidades, que já promoveu 456 mil certificações, anunciou ontem a ministra da Educação, Isabel Alçada, citada pela agência Lusa."
 
Bom ... e porque não desmistificar estes números? 

quarta-feira, dezembro 01, 2010

É dentro de cada um que começa a Restauração e a Revolução

(foto (c) Margarida Alegria,25-4-2010)
Eis então mais um feriado. Como de costume, uma boa parte do povo português desconhecerá o motivo, mas o que conta é mais um dia para ir ao shopping, um dia tão bom de solzinho e cafezinho,parafraseando os Da Weasel. Não posso neste momento desfrutar de nada disso, mas restam-me algumas forças para deixar aqui algumas reflexões sobre a data, tentando descobrir focos de Esperança por entre a tonelada de problemas, de angústias e de desilusões diárias que nos oprimem. Já o nosso iluminado "Arrebenta" nos deixou aqui à mostra,em post anterior a este, os despojos de "liderança de fancaria" que sobram no mundo após tantas tantas e sofridas revoluções. Por isso, estando quase tudo dito,vou centrar-me apenas no distante 1 de Dezembro de 1640 e, como referi, reflectir sobre o que podemos hoje aprender com o que aconteceu.
Estávamos então sob o jugo do Reino de Espanha, após o desaire megalómano de Alcácer Quibir, a viver a nossa vidinha "muito quentinhos"(?) quando surgiu na cabeça de D. Luísa de Gusmão,sob o seu empolado penteado,a ideia peregrina de aproveitar a distracção dos castelhanos com os rebeldes lá pela Catalunha e empurrar o seu filho João para a Restauração da independência de Portugal. D.João, futuro João IV, era um melómano de artes várias e só queria que o deixassem em Paz, para se tornar um compositor famoso. Mas o dever maior de amor à pátria lá o desencaminhou: largou o seu egocentrismo e vai de tomar o Paço com poucas dezenas de homens, de se tornar guerreiro em batalhas várias, de tirar o Miguel de Vasconcelos do armário (?!-- no sentido antigo da expressão, atente-se...) e de o "defenestrar" (dos poucos termos eruditos que ainda sabemos interpretar, graças a esta imagem pitoresca da nossa História), enfim... tudo o que mais se seguiu.
E que resta disso, perguntamos? Há quem diga que mais valia terem ficado todos quietos, que estariamos melhor hoje todos espanhóis. O Iberismo debate-se desde então e talvez hoje tivessemos mais um compositor (mediano? excelente?) na História Mundial e menos um país (mediano? caduco? indescritível?...) no Mapa. Entre razão e coração, confesso que não consigo ter opinião definida sobre esta questão. Mas acho que tenho algumas sobre o poder da Revolução(..ão ...ão..ão).
Assim : acho que mesmo uma revolução colectiva parte sempre de vontades e gestos individuais,ou seja, a revolução começa em cada um de nós. Foi uma decisão e gesto de altruísmo e abnegação individual que levou a ser rei quem não queria ser rei, foi a decisão e a coragem individual de cada um dos Conjurados que levou a Restauração em frente. Claro que depois seguiram-se logo os oportunismos variados, mas o gesto de liberdade autêntica começou daí e não é aos Conjurados que deveríamos reverter as culpas.
Assim acontece com cada um de nós, cada vez mais estou convicta. Ansiamos todos por mudança: neste momento especialmente por algo que mude para melhor o nosso país e o desvie do famoso Abismo; desejamos que algo se inverta no Mundo , nesta destruição paulatina e cínica dos direitos sociais que haviam sido conquistados no século XX, queremos um mundo melhor onde o poder do dinheiro e outros poderes tiranos não prevaleçam.... mas esquecemo-nos daquilo que CADA UM pode fazer, por sua opção corajosa, daquilo que cada um também se pode recusar fazer para que toda uma sociedade não se veja a compactuar com este estado das coisas.
Por isso a verdadeira Revolução é muito difícil, pois é a que exige mais coragem, menos egoísmo, mais honestidade e maior sentido de justiça : a revolução dentro de cada um de nós, dentro (e já sei que vão achar pirosa a expressão!) do nosso próprio "coração", dentro da nossa vida. Como posso clamar por justiça nacional e mundial se for injusta com aqueles que contacto diariamente e que fazem parte, mal ou bem, do meu próprio pequeno mundo? Como posso pedir coragem aos outros não a tendo? Como posso exigir altruísmo aos outros sendo egocêntrica? Como posso clamar contra os abusos de poder na sociedade, quando nos meus próprios poderes pessoais por vezes ajo de forma tirânica,cruel e absolutista? Eu sei que é difícil, pois é batalha que tento travar diariamente e tantas , tantas vezes não consigo vencer, pedindo ou não tréguas, mas sei que é o único e primeiro caminho que fortalece todos os pilares ideológicos que me possam sustentar.
Cada dia que passa, temos que nos Restaurar a nós próprios, dando a hipótese de sermos "Independentes" de conquistar passo a passo a nossa própria Liberdade, que mesmo socialmente já se viu que não pode ser imposta de fora para dentro. Eu quero a minha própria Restauração e por isso tenho de me revolucionar a cada momento, para conseguir a Restauração da Liberdade e da Democracia no País e no Mundo.
Eu devo isso ao mundo e sobretudo a todo um caminho da Humanidade que me trouxe, melhor ou pior, até ao momento em que vivo. Devo-o não só aos meus pais e avós directos mas também a todos os desconhecidos e/ou "famosos" que largaram os seus egoísmos para lutar pelos direitos Humanos e por uma vida melhor. Devo-o a todos os que tenho a felicidade de compartilharem um pouco da vida comigo: devo-o à minha família --que me criou(beijos!),-- aos meus amigos-- que me "educam" todos os dias(abraços!)--, aos bons colegas de trabalho("passou-bem"!), aos bons vizinhos (boa tarde!)e também aos desconhecidos que me fazem pensar, no dia-a-dia, com os seus gestos de solidariedade ou com as suas palavras ocasionais, só aparentemente banais.
Bem, isto tudo pode parecer muito "ideia feita", muito revisto, muito´"lírico", muito "utópico" e romântico e se calhar é mesmo, mas não é lírica e Romântica por natureza toda a Revolução verdadeira? E a Utopia só é ficção porque temos medo de a viver e tornar real. Agora, querem que o que vemos em nosso redor continue a degradar-se desta forma célere? Ou querem mesmo resistir a esta vergonha universal, querem mesmo restaurar a Liberdade querem mesmo uma verdadeira Revolução que não descambe rapidamente em poderes corruptos e injustiça? Então "revolucionem-se"!
Como já acabei por dizer mais do que contava, seguem-se apenas umas citações que seleccionara, para meditarmos sob este solzinho de Inverno ou no calor do lar, todas de pessoas mais abalizadas que eu em matéria de poder, de paz e de revolução. São variadas, talvez sejam até contraditórias e/ou se completem, mas isso acontece porque partem de pessoas diferentes, que deram o seu contributo individual para a Humanidade.
Um bom resto de feriado a todos!
"Alergia"
Citações:
--"Guerra é apenas uma fuga covarde dos problemas da Paz." Thomas Mann
--"A verdadeira revolução acontece quando mudam os papéis e não apenas os autores." Gilbert Cesbron
--"Os poderosos poderão matar uma, duas, ou até três rosas, mas jamais poderão deter a Primavera." Che Guevara
--"Todas as revoluções se evaporam, deixando para trás apenas a lama de uma nova burocracia." Franz Kafka
--"Se quiser pôr à prova o carácter de um homem, dê-lhe poder." Abraham Lincoln
--"Mesmo no mais alto trono do mundo, estamos apenas sentados sobre nosso rabo." Montaigne
--"O poder só sobe à cabeça, quando encontra o lugar vazio.", Ciro Pellicano
--"O amor pelo seu país é algo esplêndido. Mas por que é que o amor tem de terminar na fronteira?" Pablo Casals
--"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer." Geraldo Vandré (da canção "Para não dizer que não falei das flores")
--"Não existe um caminho para a Paz. A paz é o caminho." A.J. Muste

O Dia da Dependência, servido com Bacalhau à Wikileaks





Imagem do Kaos


Dia 1 de Dezembro é um dia importante: foi o dia em que deixámos de estar na dependência de España para nos entregarmos à dependência de povos diferentes, e mais distantes. Desde então, Conhecemos vários beija cus, desde a França, à Inglaterra, e, mais recentemente, à Alemanha, da Bruxa Merkel, e a países de elevado nível de civilização e liberdade, como a Venezuela, Angola ou a China. A esmola timorense foi um ato de ternura, e espero que vos faça soltar uma lágrima, como a mim, na altura, fez.

O desastre português, inaugurado com D. João III, prolongado em Alcácer-Quibir e gerido por uma das famílias reais mais inaptas da nossa História, os Braganças, nunca mais parou, descendo a rés do chão indescritíveis, como Afonso Costa, Salazar, Aníbal de Boliqueime e esta penosa figura de agora, chamada José Sócrates.

A única coisa positiva, neste início do séc. XXI, é que a História vingou-se, e a União Ibérica faz-se todos os dias, nos balcões da Zara, nos voos com escala obrigatória em Madrid, e naquele nosso esticar de mão, para os produtos mais baratuchos do "El Corte Ingles".

Adiante, que para trás mija a burra e a Maria Cavaca.

O facto mais importante, por mais que nos ponham 20 minutos de Mourinho nos telejornais, e da última bostada do Mia Couto, é o evento "Wikileaks". Assumo que senti o evento de dupla forma, uma, enquanto cidadão do Mundo, a segunda, quando se provou que, afinal, a linguagem diplomática não andava muita distante da utilizada no nosso "Wikileaks" nacional, a rede de blogues onde este texto está a ser publicado, aliás, como não andava distante do modo como a corja que nos destrói os destinos se expressava, quer nas "Escutas do Casa Pia", quer no "Apito Dourado", ou no "Face Oculta". Sendo mais direto, a personagem "Arrebenta", a escrever, parece a Branca de Neve, quando os Senhores do Mundo abrem a cloaca.

Para quem aspirava a uma libertação, ela fez-se sem qualquer violência: bastou pôr tudo, ou quase tudo, a nu, como, em tempos, as televisões faziam, quando prestavam serviço sério, e não passavam o tempo em programas idiotas, como os "Big Brothers" dos oligofrénicos, ou os oligofrénicos da Clara Ferreira Alves e quejandas.

O Mundo futuro, já que nos querem retirar a ilusão da abundância, e substituí-la por uma servidão à chinesa, obriga a uma transparência dos bastidores: não queremos acólitos engravatados, e muitas vezes cheios de coca, que, mal viram as costas, falam como carroceiros e badalhocas de esquina da média luz. Toda a gente sabe que é assim, e que analfabetos que dizem "há dem", como o Jorge Coelho, ou que nem "há dem" sabem dizer, como o Armando Vara, o Fernando Gomes, a Cardona, o Mourinho, o "Major", a Câncio, enfim, essa infinita parafrenália de fantoches com que nos tentam impingir uma realidade politicamente correta, são uma encenação visual, para impedir que acedamos aos verdadeiros circuitos decisórios.

O Diretor do "Sol", se bem estão lembrados, foi vexado, num interrogatório, à antiga salazarenta, por ter deixado subentender que havia umas escutas, proíbidas (!), onde o Vara e o " Chefe", Sócrates, se tratavam de filho da puta para baixo, a Ferreira Leite era a "Bruxa", e aqueles mimos de taberna, e da liga dos últimos que nos querem fazer crer alheios à Classe Política, Acontece que não são, e, enquanto nós praticamos aqui o vernáculo de uma maneira erudita, eles praticam o reles de uma forma continuada, querendo lançar o anátema sobre quem os desmascara.

Esta explosão de realidade só espanta quem não frequenta certos meios os ou meios de quem os frequenta. Somos governados por uma corja reles, sem princípios, com uma mentalidade ao nível da linguagem que pratica, e capaz de tudo, por todos os meios, de qualquer forma, enquanto nos entretêm com palhaços regiamente pagos para nos manterem distraídos, Mourinhos, Obamas, Brunis e gorgulhos afins.

A mim, a quem já nada surpreende, exceto encontrar alguém que, de facto, exercesse uma rotura com este estado de coisas, cada vez mais me limito ao posto do espectador. Cansa-me escrever num Mundo assim, porque é estar a lutar contra uma ribeira dos milagres, permanentemente poluída por descargas de dejetos de suínos. Acontece que estes suínos determinam, diariamente, a degradação dos nossos índices de conforto humano e social. Os Wikileaks, como um Segundo Renascimento, deixam entrever um espaço de transparência global, mas isto já sou eu a sonhar: amanhã, já estaremos, de novo, a acreditar que a Senhora de Mota Amaral é uma virgem consagrada, que o BPN é um banco sério, porque até o Sr. Aníbal lá tinha aplicações, e que o Agente Técnico de Engenharia ter um diploma passado num domingo é uma mera invenção de blogonautas alucinados

terça-feira, novembro 30, 2010

Vejo assim os professores e funcionários das ecolas.




Boa noite, vou dormir!

Até nem são muitos ... devem ser bons!!!


"(...) A ministra da Educação, Isabel Alçada, disse que o programa Novas Oportunidades registou já adesão de 1,489 milhões de portugueses, tendo feito 456 mil certificações, resume a Lusa.
«Isto corresponde a uma média de 10 mil certificações por mês, o que é muito», frisou, baseando-se nos números que lhe foram transmitidos pelos gestores do programa. (...)"(IOL diário, hoje)

E a qualidade é notória ...

Imagem daqui


Tomás desistiu da escola sem ter concluído o secundário. Graças ao programa (novas oportunidades) criado pelo Governo para aumentar as qualificações dos portugueses, teve equivalência ao 12º ano em poucos meses e entrou na universidade com uma média de 20 valores, conseguida com apenas um exame de Inglês. Ainda assim, concorreu em igualdade de circunstâncias com todos os outros.  

Oficialmente, é o aluno com a mais alta nota de candidatura ao ensino superior. Admite que beneficiou de uma injustiça.” (EXPRESSO, Setembro)

'Uma Aventura Sinistra' já tem sede : /

Que leveza...


Tudo isto existe. Tudo isto é triste. Tudo isto é Fado.