terça-feira, novembro 09, 2010

Não sei dar título ...

Sei que o blogue do Paulo é lido por milhares de pessoas diariamente mas ... este texto, eu quero tê-lo aqui nesta casita. E não dá para comentar mais.
Estranhamente – ou nem por isso – não são os disparates, omissões, redundâncias, abusos ou atrasos nas medidas do Ministério da Educação (ou do Governo, em geral). Já estou habituado a este estranho modo de vida que quase se nos cola à pele.

Também deixaram de ser os automatismos pavlovianos da luta profissional, do debitar das cartilhas requentadas, aprendidas outrora e das quais não se querem desapegar. Também por aqui temos território conhecido, já nem desanima, apenas entristece ver os bloqueios.

Nem sequer algumas injustiças de proximidade que sempre surgem, dolorosas, quando esperamos ter uma zona de conforto que afinal somos mesmo só nos, deixados ao relento.

O que mais desanima é mesmo olhar, certos dias, certas horas, certos momentos, e ver que pouco mudou nas pessoas e muito do que mudou apenas fez ressaltar em grande número as posturas mais defensivas e medrosas que guardavam dentro de si. Continua a predominar a dependência do outro para se informar, continua o medo de agir por convicção, vence a pequena mesquinhez do interesse momentâneo, a inveja perante a oportunidade alheia, o acomodamento ao que está porque pode vir ainda pior. O cataventismo em que se critica hoje o que ontem se defendia.

Se é verdade que uma minoria mudou, não é menos verdade que parte dela pagou caro, muito caro, a ousadia. Em diversos registos. Muitos deram o que tinham em si e o que inventaram para além disso, em busca de alterar algo, para escasso resultado conseguido.

O remanso pantanoso reinstala-se. A coragem só se levanta na conversa ocasional ou na perspectiva de se dissimular na onda geral.

Isto está de novo quase na mesma e podia ter sido diferente. Quase que tudo precisa de um reinício, sendo que aqueles que o já tentaram fazer se olham ao espelho desiludidos e pior ainda quando olham em redor.

Se ninguém faz, alguém deveria fazer. Se alguém faz, não faz bem, ou é porque tem uma agenda oculta, de interesses particulares, quer erguer-se acima dos outros, porventura à custa deles, para algo mais.

O teu lugar não é aqui, dizem.

Mas se for algures, é porque se provam os interesses.

Enquanto isso, o rebanho voltou a distribuir-se pelos redis habituais, prestando-se à apatia ou à acção automática.

Alguns tresmalham. Insistem. Estúpidos. Deviam acinzentar-se de novo. Para que todos se sentissem melhor.

 Fonte:

Os Maiores Factores De Desânimo

Posted by Paulo Guinote under Sem Pachorra, Sentado à Espera que Amadureçam, Será Isto um Post Confessional?

Para uma madrugada bonita e tranquila

segunda-feira, novembro 08, 2010

Crianças-Pinóquio? Um modelo da nova-Era Socretina?



Um blogue excelente!

Só com uma imaginação prodigiosa e grande desplante é que Isabel Alçada pode mentir assim ...

O Orçamento do Estado do próximo ano apertou o cinto à educação. Há menos dinheiro para investir e os sindicatos do sector mostram-se apreensivos com os cortes que também se estenderam ao ensino privado. FENPROF teme que 30 mil horários de professores sejam eliminados, mas Isabel Alçada garante que ninguém ficará de fora da escola pública.

Fonte: Educare | O que vai mudar na educação em 2011 | Sara R. Oliveira | 2010-11-08


Já se sabia e confirma-se: o Estado é caloteiro!

Fernando Ruas criticou os cortes nas transferências e lembrou que o Estado deve 176 milhões de euros às autarquias, 76 milhões dos quais relativos à falta de pagamento das contrapartidas por transferência de competências na Educação e relativos ao pagamento da ADSE (o sistema de saúde dos funcionários públicos) dos auxiliares de acção educativa, que passaram para alçada de algumas câmaras.
(...) A dívida já foi reconhecida pela ministra Isabel Alçada, mas segundo Fernando Ruas, não há qualquer compromisso quanto a datas de pagamento.
Fonte: Público | Economia

Escolas lutam contra a fome

Há cada vez mais crianças com carências alimentares. Algumas cantinas escolares vão abrir ao fim de semana e nas férias. Professores asseguram alimentos, livros e roupa.

(Notícia publicada no Expresso a 6 de Novembro, vale a pena ler)

Agora ou nunca mais!



Na sexta-feira fui à primeira reunião deste ano da Associação de Pais da escola dos meus filhos. O maior problema que a escola enfrenta neste momento é a falta de 9 "assistentes operacionais", como agora pomposamente se chama aos auxiliares de acção educativa. Este problema pode levar ao encerramento de pavilhões de aulas, bem como ao impedimento de algumas aulas de educação física por não haver quem abra portas, vigie e limpe os balneários. Neste momento já existem casas de banho encerradas e já foram vistos professores a limpar o chão com uma esfregona. O director da escola secundária, que pertence ao ME, já alertou a DREL várias vezes para este problema, pedindo mais funcionários. Teve ordens para recorrer à bolsa de emprego local. Mas as pessoas que estão nesta situação não podem trabalhar mais do que 3 horas/dia para não terem o direito a subsídio de refeição. Por isso sempre que aparece alguém não fica muito tempo, vendo-se obrigada a aceitar outros trabalhos, como a limpeza de casas particulares, onde recebem 6 euros/hora.
Surgiu a possibilidade da Associação de Pais reportar o caso à DREL, conjuntamente com o director da escola, para reforçar o carácter urgente de desbloquear esta situação. Suponho que os cortes orçamentais vão impedir as escolas de contratar mais pessoal auxiliar. Também o caso do refeitório é inquietante: a escola dispõe de cozinha e cozinheira e as refeições são confeccionadas lá e de boa qualidade. Mas o ME não vai permitir que isso aconteça pois existem as empresas de catering a precisar de fazer negócio. Perspectiva-se que a cozinha venha a encerrar, passando a comida a vir de fora, às paletes. Apesar desta escola já auto-financiar o refeitório com o dinheiro que realiza alugando o pavilhão desportivo.
Posto isto os pais ponderaram em escrever uma carta directamente à Ministra da Educação, dizendo que não havendo condições a escola pode encerrar por incapacidade e o que o problema da falta de funcionários tem implicado de turmas sem aulas.
Ainda um dia destes numa reunião de professores e educadores, coloquei a questão dos professores poderem atestar que estas situações existem nas escolas, mas como o assunto diz respeito a outra classe profissional - a dos "assistentes operacionais" - os professores pouco se mobilizariam por uma outra classe profissional... nem todos. Há professores que funcionam num todo e querem dar aulas e que a escola pública funcione. E já há muito que dizem que todos devem estar juntos nesta luta porque a escola pública é a dos filhos dos trabalhadores e todos eles devem ter condições para a poder frequentar, mesmo os filhos dos desempregados. Se alguma vez as várias classes profissionais tivessem estado juntar na defesa da escola dos seus filhos não teriam ido tão longe nos ataques à escola pública e aos direitos do trabalho. As obras nos edifícios da escola são outro problema que acaba de ser adiado por dois anos, devido às medidas de austeridade.
Nestas reuniões associativas há de tudo. É fácil identificar os pais que procuram desculpabilizar o sistema e apressar os filhos a entrar na faculdade. Estão ali para resolver o problema, para se despacharem. Por isso houve quem propusesse que os pais talvez pudessem pagar os 3 euros que fazem 6 para os que chegam da bolsa de emprego não irem à procura de melhor sorte. Afirmei que isso era contra todos os princípios e que só estaríamos a remendar o sistema enquanto este se demitia das suas obrigações. Nem pensar. Em pouco tempo teríamos os pais a pagar do seu bolso não só cada vez mais impostos como também pagando todos os recursos e quem sabe até um dia comparticipando no ordenado dos professores...
Se não for agora que as associações de pais se mexam com as federações locais, junto com os directores das escolas, a escola pública está em risco iminente de acabar. Cada vez perdemos mais direitos. Não podemos ficar impávidos e serenos.

VER TAMBÉM UMA AVENTURA... [dos "elementos importantes" no reino da OCDE]