
Como diz o povo, "à primeira todos caem, à segunda cai quem quer." E muitos professores, pelo que posso observar com amargura, insistem em "cair", em resignar-se, como se uma "Avaliação Docente" /ADD-- imposta à traição e com hipnose aparente dos representantes da classe, em "negociações" no mínimo estranhas-- fosse realmente legítima e promotora da melhoria do Ensino em Portugal.
Durante o Consulado de má memória de Maria de Lurdes Rodrigues, foi imposta, como se lembram, a divisão artificial dos Professores, colando a etiqueta pirosa de "Professor Titular" a uma parte do Corpo Docente", tentando criar ,assim, um grupo de "inspectores" substitutos, baratinhos e locais e, ainda por cima, através de critérios duvidosos e arbitrários.
Na altura, quase todos os professores que se viram de repente "transformados" em Titulares acederam por obediência a normas burocráticas e também por conselho dos sindicatos, na altura igualmente apanhados de boa-fé na rede ultra-legalista que a todos apertava. Boa parte assumiu esse "título" a contragosto,continuando o seu relacionamento normal e cordial com os colegas, não sabendo então o autêntico presente envenenado que lhes fora concedido. Outros houve, no entanto, que estrebucharam por não chegarem a titulares, ou que entraram em guerra pelos "pontos", ou que se envaideceram, subindo-lhes rapidamente a tóxica e triste "titularidade" aos neurónios.
E eis que nova Era, Era Alçada, chegou, por entre sorrisos encerados onde até os mais duros negociadores sindicais deslizaram, até ao trambolhão de mais um Acordo dúbio, a entregar os pescoços dos "Professorezecos" (na designação de um ex-secretário de Estado) à guilhotina de uma nova técnica de os impedir de progredir na carreira, sob o disfarce de rigorosa avaliação.
Acabaram os titulares, mas logo foram criados novos algozes, outra vez quase à força,de nome "Relatores" ("Delatores", em trocadilho para alguns), para observar e classificar colegas, numa estrutura piramidal e tentacular tão ao gosto das medidas "Tayloristas" até aí tricotadas pelas duas damas da tutela e seu séquito. Ou seja, mudaram apenas as moscas, ou o nome das moscas, para o processo continuar arbitrário, burocraticamente insano e impraticável em termos de justiça. Podemos imaginar também, no topo da pirâmide, os ministros da Educação que andam a destruir os seus sistemas de Ensino mundo fora, em untuoso beija-mão a um qualquer velho "Corleone", mentor de todo este labirinto legislativo.
Agora, com mais um congelamento de carreiras e de salário, sem prazo marcado, é com espanto que vejo colegas a debater mais ou menos ansiosos todas estas tarefas de objectivos individuais, de relatores e de aulas assistidas! Agora, tal como aquando da primeira entrega dos objectivos à traição da classe, observo tantos colegas subjugando-se ao que outrora contestavam, mais uma vez por sua própria e individual opção. Quando afinal seria de aproveitar o momento de, docentes de novo unidos, podermos dizer "BASTA!" a toda esta absurda ADD, que, como se pode ver (inclusivé através dos rankings das escolas...), em nada beneficiou o Sistema Educativo do País.
Deve ser, como se diz por aí, a tal capitulação medrosa em nome da "vidinha"...
Só que , desta vez, não tenham ilusões: nestes dias de fel, com a crise a levar-nos, portugueses e boa parte dos europeus, para o buraco da miséria, nem essa "vidinha" restará, se não formos unidos!
Alergia
(ilustrações mais uma vez gentilmente cedidas por uma amiga -(c)Outubro/2010, melhor dizendo, criadas mesmo para acompanhar este texto!)


